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Justiça mantém anonimato de vítima e nega arquivamento de caso contra Jay-Z

Além disso, na decisão, a juíza Analisa Torres negou o pedido de Jay-Z de arquivar o processo

Aline Carlin Cordaro (@linecarlin)

Publicado em 28/12/2024, às 09h55 - Atualizado às 09h56
Jay-Z (Getty Images)
Jay-Z (Getty Images)

A juíza Analisa Torres determinou que a acusadora de Jay-Z, identificada como Jane Doe, poderá manter seu anonimato enquanto o processo judicial avança. A mulher acusa o rapper e Sean “Diddy” Combs de estupro, alegando que os crimes ocorreram em 2000, durante uma festa pós-VMA. A decisão foi divulgada na última quinta-feira (26), de acordo com documentos obtidos pela Rolling Stone.

A ação judicial foi movida sob a Lei de Proteção às Vítimas de Violência Motivada por Gênero de Nova York e acusa os dois artistas de terem drogado e violentado a vítima, que na época tinha 13 anos. Ambas as partes negaram as alegações. Em uma declaração anterior, Jay-Z, cujo nome real é Shawn Carter, classificou as acusações como “atrozes” e parte de uma “tentativa de extorsão”. Diddy, por sua vez, afirmou que nunca cometeu atos de violência sexual ou tráfico humano.

Em uma entrevista à NBC News, a mulher, atualmente com 35 anos, admitiu que cometeu "alguns erros" ao relembrar certos aspectos dos eventos denunciados, mas reafirmou o núcleo das acusações feitas contra os dois artistas.

Além disso, na decisão, a juíza Analisa Torres negou o pedido de Jay-Z de arquivar o processo:

“O advogado de Carter [Shawn Carter, nome de batismo de Jay-Z], com sua insistente apresentação de moções combativas contendo linguagem inflamatória e ataques pessoais, age de forma inadequada, desperdiçando recursos judiciais e utilizando uma tática que provavelmente não trará benefícios a seu cliente”, afirmou a decisão. “O Tribunal não acelerará o processo judicial apenas porque a defesa exige isso.”

Decisão judicial

A juíza Torres destacou que o anonimato da acusadora é justificado, pelo menos nesta fase inicial do processo, devido à natureza “altamente sensível e pessoal” das alegações. “O peso dos fatores favorece permitir que a autora permaneça anônima”, afirmou a magistrada. No entanto, ela indicou que a questão poderá ser revisitada futuramente, conforme o caso progrida.

Torres também criticou o advogado de Carter, Alex Spiro, pela abordagem adotada no tribunal. “A apresentação de moções combativas, com linguagem inflamatória e ataques pessoais, é inadequada, um desperdício de recursos judiciais e uma tática pouco proveitosa para seu cliente”, escreveu a juíza. Ela acrescentou que o tribunal não atenderá a exigências para acelerar o processo judicial.

Disputas paralelas

Além do caso principal, Carter e sua equipe jurídica estão envolvidos em uma disputa com o advogado da acusação, Tony Buzbee. Em novembro, Carter processou Buzbee por extorsão e difamação, alegando que ele teria tentado forçar uma mediação confidencial sem bases legais. Em resposta, Buzbee apresentou uma ação contra a Roc Nation, acusando a empresa de manipular ex-clientes dele para registrar acusações falsas.

A Roc Nation negou as acusações, classificando o processo de Buzbee como “patético” e uma “tentativa de desviar a atenção” do caso central. “Carter não é alguém que possa ser intimidado”, afirmou a equipe do rapper.

O desdobramento do caso segue em andamento, e a decisão final sobre as acusações e disputas legais ainda não foi definida.