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Como ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ decide trocar os drones e dragões pela lama e intimidade

Showrunner Ira Parker revela como a estética “pé no chão” e o foco no ponto de vista de Dunk criam uma experiência mais íntima e humana em Westeros

Giulia Cardoso (@agiuliacardoso)

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Se o público espera ver exércitos colossais cruzando o horizonte ou dragões em mergulhos épicos capturados por câmeras aéreas, O Cavaleiro dos Sete Reinos pode ser um choque para o sistema. Durante a coletiva de imprensa de apresentação da série, o showrunner Ira Parker e o elenco deixaram claro que a nova produção da HBO busca o caminho inverso da grandiosidade de suas antecessoras, apostando em uma estética “pé no chão” e numa intimidade quase claustrofóbica.

O fim da escala épica: sem drones em Westeros

A mudança mais radical é técnica e filosófica. Ira Parker revelou que a equipe tomou a decisão consciente de abandonar o “escala épica itinerante” que definia Game of Thrones. Em vez de grandes panorâmicas, a série foca em “um cara, alguns cavalos e algumas árvores bonitas”.

“Não temos nenhum plano feito por drones na série”, afirmou Parker. A justificativa é a fidelidade absoluta ao ponto de vista (POV) do protagonista, Sor Duncan, o Alto. Segundo o showrunner, um drone não representa o que o personagem vê ou sente, e o objetivo é que a audiência sinta exatamente o que Dunk sente em cada momento.

A “lama” como protagonista

Essa escolha visual traduz-se em uma experiência sensorial e “terrosa”. A produção quer que o espectador sinta a aspereza daquele mundo:

  • O tato: Quando Dunk está no chão, o objetivo é que o público sinta “a areia sob suas unhas”;

  • A audição: Em um elmo, a série foca no quão “pesada é a sua respiração” e na batida acelerada do coração;

  • A emoção: Nos momentos simples, como uma conversa no mercado, o foco está em transmitir toda a “estranheza e desconforto” do personagem.

Enquanto as séries anteriores focavam em figuras que já nasceram no poder ou destinadas à grandeza, Dunk é apresentado como um jovem com um “sonho bobo” que ainda não possui as habilidades necessárias para ser um cavaleiro.

O ator Peter Claffey destacou que essa humanidade é o que torna o projeto especial. Ele mencionou a cena inicial como um “ponto de exclamação” para a série: o momento em que Dunk ouve o chamado para a grandeza (o tema clássico da franquia), mas é confrontado por sua própria mortalidade e nervosismo, resultando em uma cena nada heroica atrás de uma árvore.

Intimidade vs. política

Ao contrário das conspirações globais que envolviam o Trono de Ferro, O Cavaleiro dos Sete Reinos é, no fundo, a história de dois jovens a caminho de um torneio. Para o ator Bertie Carvell, essa abordagem é o que torna a série relevante hoje. “É uma história fundamentada em algo muito humano e mortal”, disse ele, sugerindo que o heroísmo real não está em feitos grandiosos, mas nas ações comuns de vidas ordinárias.

Ao trocar os voos de dragão pela poeira da estrada e a política palaciana pela jornada de um mestre e seu aprendiz, o novo spin-off parece querer provar que, em Westeros, o menor dos contos pode ser o mais impactante.

Qual é a história de O Cavaleiro dos Sete Reinos?

O Cavaleiro dos Sete Reinos conta a história de dois heróis improváveis, vividos por Peter Claffey (Mal de Família) e Dexter Soll Ansel (Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes), vagam por Westeros: um jovem cavaleiro ingênuo, mas corajoso, chamado Sor Duncan, o Alto, e o seu pequeno escudeiro, Egg.

Situado em uma época em que a família Targaryen ainda sentava no Trono de Ferro e comandava os Sete Reinos, “grandes destinos, inimigos poderosos e façanhas perigosas aguardam esses amigos improváveis e incomparáveis”, ainda diz a sinopse do livro escrito por George R. R. Martin, que também será responsável pela série com Ira Parker, co-produtora executiva de A Casa do Dragão, primeiro spin-off de Game of Thrones.

Quando estreia o próximo episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos?

Ao todo, a primeira temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos irá contar com seis episódios. O segundo capítulo da série estreia na HBO Max no próximo domingo, dia 25 de janeiro, a partir da meia-noite (pelo horário de Brasília). Assista ao trailer da novidade a seguir:

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Jornalista em formação pela Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, Giulia Cardoso começou em 2020 como voluntária em portais de cinema. Já foi estagiária na Perifacon e agora trabalha no núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.
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