DECLARAÇÃO

Harvey Weinstein declara que #MeToo, movimento que o levou à prisão, foi importante

Em primeira entrevista desde que começou a cumprir pena, ex-produtor fala sobre a vida na prisão, nega crimes sexuais e diz temer morrer atrás das grades

Redação

Harvey Weinstein declara que #MeToo, movimento que o levou à prisão, foi importante (Steven Hirsch-PoolGetty Images)

O ex-produtor de Hollywood e chefão da Miramax, Harvey Weinstein, afirmou que o movimento #MeToo, que impulsionou a onda de denúncias contra ele e levou à sua prisão, teve um papel importante para a sociedade.

A declaração foi feita em entrevista ao The Hollywood Reporter, a primeira concedida por Weinstein desde que começou a cumprir pena por estupro e agressão sexual. A conversa aconteceu na prisão de Rikers Island, no Queens, em Nova York, onde ele está detido.

Questionado se acredita que o #MeToo foi positivo, o ex-produtor respondeu: “Acho que sim. Se mulheres estavam sendo machucadas ou exploradas, acho que isso foi bom”. Ele acrescentou, porém, que não gosta de ser visto como a figura central associada ao movimento.

Rotina na prisão e problemas de saúde

Aos 73 anos, Weinstein relatou uma rotina marcada pelo isolamento e por problemas de saúde. Segundo ele, passa cerca de 23 horas por dia dentro da cela e só sai ocasionalmente para tomar ar, muitas vezes em cadeira de rodas.

O ex-produtor afirmou enfrentar diversos problemas médicos, incluindo diabetes, uma cirurgia cardíaca recente e câncer na medula óssea. Por causa do estado de saúde, ele está alojado em uma ala especial da prisão. Quando questionado se teme morrer na cadeia, respondeu: “Isso me apavora”.

Sobre a vida atrás das grades, Weinstein contou que um de seus passatempos é assistir a filmes. Por US$ 5 por título, cerca de R$ 28, ele pode acessar grandes sucessos do cinema em um tablet —inclusive algumas de suas produções. Ele reviu Gênio Indomável pela primeira vez em 25 anos e achou o longa “realmente muito bom“.

Condenações e processos

Desde 2017, quase cem mulheres acusaram Weinstein de má conduta sexual, desencadeando uma série de processos civis e criminais. Em 2020, ele foi condenado a 23 anos de prisão em Nova York. A sentença acabou anulada em 2024 por questões processuais, levando a um novo julgamento em 2025. Nesse processo, houve condenação em uma acusação, absolvição em outra e anulação de uma terceira.

Além disso, em 2023, o ex-produtor recebeu outra pena de 16 anos de prisão após condenação por estupro e outros crimes em Los Angeles. Essa sentença deverá ser cumprida após o término da pena em Nova York.

Negação das acusações

Durante a entrevista, Weinstein voltou a negar que tenha cometido agressões sexuais. Segundo ele, parte das denúncias teria sido motivada por acordos financeiros pagos a acusadoras. Apesar disso, admitiu comportamentos inadequados no passado. “Fui insistente, exagerei e não deveria ter me envolvido com essas mulheres”, afirmou. “Mas nunca assediei sexualmente ninguém.”

Ao refletir sobre o passado, Weinstein disse que faria escolhas diferentes: “Eu teria respeitado mais aquelas mulheres. Teria sido fiel ao meu casamento. Fui um tolo. Admito.”

Fonte: THR

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