Keke Palmer: ‘Estou errada por ter grandes sonhos?’
A atriz, cantora, produtora e apresentadora — e mãe solo — fala sobre o que alimenta sua ambição insaciável e sobre aprender “do jeito difícil”, os perigos do vício em trabalho
CT Jones
Keke Palmer é mais do que seus muitos, muitos trabalhos. Mas até ela admite — são realmente muitos.
Uma atriz aclamada pela crítica que atua na indústria do entretenimento há mais de duas décadas, Keke Palmer — nascida Lauren Keyana Palmer — despontou aos 11 anos como protagonista do comovente filme sobre competição de soletração Prova de Fogo: Uma História de Vida (2006). Depois, fez a transição de estrela mirim para vencedora de dois Emmys e protagonista de blockbusters de diretores como Jordan Peele (Não! Não Olhe!) e Lorene Scafaria (As Golpistas). Ela também é cantora e lançou três álbuns de R&B cheios de alma, além de vários singles, incluindo o do ano passado, “My Confessions”, que explorou os desdobramentos de seu relacionamento turbulento com o ex-namorado Darius Jackson.
Ela também é apresentadora, com dois talk shows no currículo — Just Keke e Strahan, Sara & Keke —, um podcast semanal de entrevistas, Baby, This Is Keke Palmer, e um trabalho atual à frente do reboot do game show noturno Password. É empreendedora: comanda sua rede de conteúdo digital, a KeyTV, e já foi uma entrevistadora carismática em tapetes vermelhos. E não dá para esquecer os dois livros que escreveu — o mais recente, seu livro de memórias de 2024, Master of Me. Ela é mãe solo do filho de três anos, Leodis, a quem a família chama de Leo. Ah, e, no tempo livre, também está se certificando para ser instrutora de Pilates.
“Eu sei”, diz Keke Palmer, fazendo um biquinho de brincadeira. “Lá vamos nós de novo.”
A determinação e o carisma de Keke Palmer são palpáveis. Quando ela entra no bar vazio do Soho House West Hollywood para a nossa entrevista, o sorriso, como holofotes, transforma o ambiente em palco. “Eu sempre tento trabalhar a partir de um lugar de empreendedora e criadora”, ela diz. “Muitas vezes a gente é colocado numa posição — especialmente como talento — em que não tem voz.”
Assista abaixo ao vídeo da entrevista
Seu projeto mais recente, I Love Boosters (já disponível), aborda de forma parecida noções de propriedade — embora por uma perspectiva mais radical e anticapitalista. Dirigido pelo rapper da Bay Area e cineasta independente Boots Riley, o filme acompanha Corvette, personagem de Palmer: uma estilista em situação de rua que “surrupia” roupas de lojas com a ajuda do seu séquito — a Velvet Gang —, sempre muito bem vestido, e depois as revende. O longa encara questões de trabalho, criatividade e poder — temas com os quais Palmer, aos 32 anos, também vem lidando na própria vida.
“À medida que fui ficando mais velha, fui percebendo cada vez mais claramente que eu estava segurando muita coisa”, ela diz, sobre a pressão para dar certo. “Chega um ponto em que você precisa redefinir o que é sucesso para você e se dar a oportunidade de saborear isso, em vez de ficar sempre preocupada com a próxima coisa.”
Você está na indústria desde os nove anos. Qual foi o primeiro instinto de que o showbiz poderia ser um caminho para você?
Não sei se eu percebi imediatamente que era showbiz. Mas, cantando na igreja ou fazendo peças na escola, eu pensava: “Eu gosto disso.” Essa conversa grande com o público — eu curto essa vibe.
Qual foi sua primeira grande audição?
“Grande” é muito relativo. Eu diria Barbershop 2. Mas a minha primeira grande audição na Califórnia, quando nos mudamos, foi para um filme com William H. Macy [2004, O Anjo da Guarda], que me rendeu uma indicação ao SAG.
Você foi criada em Robbins, Illinois, logo fora de Chicago. Em que momento a possibilidade de se mudar para Los Angeles entrou em cena?
[Em Barbershop 2], eles estavam filmando em Chicago, então foi uma oportunidade perfeita. Mas depois disso, a gente percebeu que não estavam chegando muitas coisas para Chicago. Então, se eu quisesse mesmo ser uma artista mirim profissionalmente, eu teria que me mudar para a Califórnia.
Você tem três irmãos. E seus pais decidem: “A gente acha que Hollywood é o futuro”. Como vocês tomam essa decisão em família, de dizer “A gente acha que a Keke Palmer tem isso. Vamos arrancar a nossa vida daqui”?
Essa pergunta é, de verdade, para os meus pais. Porque até eu fico tipo: “Por que vocês fizeram isso?”. Meus pais são pessoas de fé. Eles realmente acreditavam. Eles sempre disseram que viam o que eu estava fazendo e sentiam que aquilo merecia ser visto.
Como o fato de ser filha de pastor apareceu nas escolhas que você fez e na forma como você se comportava?
Amiga, a vida inteira! Outro dia vi uma foto antiga minha no Facebook. Eu [estava] de blazer numa festa de criança. Eu sempre tentava estar super arrumadinha. Meu pai é diácono, então, crescendo na igreja e nesse tipo de ambiente, é sempre “Dê o seu melhor. Saiba se comportar. Esteja à altura”. Tudo era muito sério. Então eu era uma criança meio séria, sempre tentando estar impecável. Tipo… demais.
“Fama e dinheiro são traumáticos. Tudo fica de cabeça para baixo”.
Quando criança, de repente você está ganhando dinheiro em Hollywood. Você chegou a sentir pressão para garantir o próximo pagamento?
Com certeza, existe pressão. Eu vim da pobreza. A gente simplesmente não tinha. E a gente não ficava remoendo não ter. A gente se virava com o que tinha. Tinha um grande senso de amor e comunidade, mas não tinha dinheiro. E, quando você vê como é “ter”, isso vira uma coisa difícil até de pensar em voltar para o “não ter”. O primeiro pensamento é tipo: “Ah, não. Eu preciso chegar a um ponto de estabilidade”. O mais interessante é que, mesmo quando você chega nesse ponto de estabilidade, quando você está trabalhando a partir dessa mentalidade e dessa pressão, você não sabe quando isso termina. Não era nada que eu e minha família tivéssemos planejado, mas eu fiquei tão bem-sucedida que a gente se viu nesse mundo novo.
E como isso impactou sua relação com seus pais, sendo você quem sustentava a casa?
Eu e meus pais falamos sobre isso o tempo todo — ainda mais claramente agora, com tudo isso já tão para trás. Fama é traumática. Essa coisa do dinheiro é traumática. Tudo fica de cabeça para baixo. Quando a gente se mudou, meu pai largou o emprego. Ele resgatou a aposentadoria. Minha irmã perdeu o primeiro ano do ensino médio. Todo mundo sacrificou e, ao longo dos anos, isso foi contínuo. Minha mãe vivia na estrada comigo. Muitas vezes, meus irmãos e eu fomos criados por um dos pais, mesmo tendo os dois em casa. Então, houve muitas coisas que a gente fez para que isso funcionasse como família. Não era uma situação normal. Não quer dizer que fosse uma situação ruim, mas não era normal, e ninguém conseguia te preparar para isso.
Pensando nisso, tem aspectos da sua infância que você gostaria de refazer, ou de ter vivido de um jeito mais “normal”?
Às vezes é difícil saber o que eu deixei de viver — ainda mais quando todo mundo com quem eu falava dizia: “Amiga, você não perdeu nada.” E eu ficava: “O que foi tão ruim no ensino médio de vocês pra vocês falarem assim?” Eu só conheço o ensino médio pelo que vi em séries de TV. Ou era aquela vibe Degrassi: A Próxima Geração (2001), ou Dawson’s Creek (1998), ou Moesha (1996). Então, na minha cabeça, com base nessas séries… eu voltaria? Com certeza — nem que fosse só pra viver um pouco de Raven Baxter, enxergando o futuro. Eu ia amar essa energia.
Mas também vivi muita coisa incrível nos sets. Eu lembro de sair correndo para o set de Todo Mundo Odeia o Chris (2005), saindo do (set da minha sitcom da Nickelodeon) True Jackson (2008), de me infiltrar no set de Glee (2009), de dar uma passada no Dr. Phil (2002), de ficar zoando com os carrinhos de golfe. Tenho muitas memórias boas disso.
Prova de Fogo: Uma História de Vida acompanha a jornada de uma garota para vencer o Scripps National Spelling Bee. O filme pega o que poderia ser uma história meio “fórmula” e transforma em algo muito mais profundo sobre sucesso na comunidade negra.
Quando foi a última vez que você assistiu?
Deve fazer anos. Mas sempre que vejo alguma cena em algum lugar, a mensagem do filme fica muito mais profunda pra mim conforme eu vou ficando mais velha. A forma como eu enxergo a linguagem — como as palavras permitem que você se expresse. A gente vê uma jovem com uma capacidade incrível de reconhecer padrões. Ela tem um dom de verdade e entende a ciência por trás disso. É um filme esportivo, e ela arrebenta. Tudo isso me atinge de um jeito bem diferente agora, como mulher adulta e como mãe.
O discurso em que ela está com o Dr. Larabee (interpretado por Laurence Fishburne) e ele (faz ela ler o poema de Marianne Williamson, “Our Deepest Fear”): “Quem é você para não ser? Você nasceu para manifestar.” Ter essas coisas na cabeça desde tão nova — acreditar que eu podia ir atrás do meu objetivo, acreditar que existiam pessoas que queriam me ver vencer, que eu tinha apoio, que eu tinha uma comunidade comigo — isso, 100%, fez parte da minha trajetória.
O que te interessou na personagem no início?
Quando eu era criança, eu não estava exatamente lendo roteiros naquela época. Minha mãe sempre lia o material e via se era algo que ela achava que eu deveria fazer. Crescendo, ela era bem específica sobre o tipo de conteúdo do qual ela sequer queria que eu fizesse parte. Quando ela leu Prova de Fogo: Uma História de Vida, eu só lembro dela entrando no quarto (fingindo chorar) e dizendo: “Você tem que fazer esse filme, Keke. Você tem que fazer esse filme.” E a gente ficou tipo: “Você tá bem?” Ela estava chorando. Então a gente se sentou como família e leu o filme junto. Todo mundo interpretou papéis, e a gente fez praticamente uma leitura de mesa em família de Prova de Fogo: Uma História de Vida. No final, a gente ficou muito emocionado, porque, mesmo sendo criança, eu entendia como era ver aquela menina indo atrás dos sonhos dela. Porque eu estava fazendo exatamente a mesma coisa.
“‘Como isso vai ser visto?’ Essa é a pressão que você carrega sendo uma pessoa racializada”.
Como ser uma estrela da Disney moldou sua carreira?
Trabalhar com a Disney me ensinou a ser vaudeville. Eu cresci com a minha mãe falando da Judy Garland e da Shirley Temple — as OGs de verdade, que cantavam, dançavam, atuavam, apresentavam, faziam tudo. Então eu me sinto com muita sorte de ter trabalhado na Disney quando era mais nova. Era muito estilo MGM. Eles estavam “fabricando” pequenas estrelas.
Tem exemplos em que você sentiu que suas escolhas como atriz mudaram o produto final?
Eu queria conseguir lembrar de casos específicos. Mas eu posso dizer que eu sempre me certificava de que havia integridade no que eu estava fazendo. Eu fico sempre: “Como isso vai ser visto?” Essa é a pressão que você tem sendo uma pessoa racializada. Então eu sempre tive um pouco desse estresse. Muitas vezes eu era a única pessoa negra — até no meu próprio programa. Então esse peso eu carreguei.
O que você tira de apresentar, em comparação com atuar?
Eu amo, amo, amo apresentar. Eu amo conversar com as pessoas. E eu também amo estrutura. De certa forma, você é quem mantém o programa inteiro de pé. Quando eu faço coisas tipo (entrevistas em tapete vermelho) pro Met Gala, esses espaços podem ser tão intensos… Eu sempre quero baixar a energia — não por outro motivo além de que lá em cima é difícil. Então, quando eu tenho a chance de criar um espaço ou uma vibração do tipo “Tá tudo bem”, é divertido pra mim. É tipo: “Vamos se divertir. Vamos ficar de boa.”
Por que a música também é algo para o qual você quer abrir tempo?
Com filmes ou séries, tudo depende do clima do momento. Quando eu mergulho muito fundo em uma personagem ou em um papel, eu fico com vontade de apresentar mais, cantar mais — algo que me permita mostrar o que está rolando no meu mundo interno, falar sobre quem eu sou como pessoa. E seus fãs sabem: quando eles ouvem sua música, isso é você falando com eles — e isso é o que importa pra você.
Quem são suas inspirações de carreira?
Quando eu penso em carreiras que eu gostaria de emular, eu penso em pessoas como Steve Jobs, no sentido de ser um visionário — criar algo que deu acesso para outras pessoas, sabe? Pegar uma ideia pequena e transformá-la em algo grande. Eu também penso em pessoas que construíram marcas incríveis, como Oprah Winfrey e Martha Stewart. Essas pessoas me impressionam porque elas encontram seu público onde quer que esse público esteja.
Faz sentido — porque você é bem vocal sobre querer estar “na sala onde as coisas acontecem”. Mas isso às vezes vira algo cansativo?
Sim, eu realmente tenho um problema. Eu literalmente chego ao ponto de escrever no meu diário: “Lauren tem 24 horas no dia. Se quatro por cento do dia dela é uma hora, quantas mais…”. Eu fico fazendo contas sobre como eu posso distribuir minha energia e garantir que eu vou aguentar o que eu estou tentando fazer. E toda vez eu preciso me dizer: “Sabe o que vai me deixar melhor? Se eu descansar hoje à noite. Se eu tirar aquelas duas semanas de férias. Se eu simplesmente desmarcar o dia”.
Quando você é uma pessoa ambiciosa — e eu não acho que isso seja algo ruim — a gente vive numa cultura de correria e trabalho, e todo mundo se sente tão forçado a fazer o mesmo, que a gente cria uma reação estranha a isso. Eu estou errada por querer resolver? Eu estou errada por ter grandes sonhos? A gente precisa ser sincero com a gente mesmo e buscar equilíbrio. Se você realmente quer chegar aos seus objetivos, faça uma pausa. Porque isso vai te deixar melhor. É algo que eu aprendi do jeito difícil.
E qual foi o “jeito difícil”?
Estar “desincorporada”. Não estar presente no momento, só no piloto automático. Isso pode até parecer impressionante, mas não é divertido, porque você não está ali — você não está aproveitando. O “jeito difícil” é quando você percebe: “Caramba, eu fiz isso ontem?”. O sinal é a falta de lembrança, de memória. Quando você começa a olhar para isso, aí você tem que dizer: “Espera aí. Se eu realmente me importo com o que eu estou fazendo, eu preciso garantir que eu estou honrando o descanso como parte do programa”.
Me fala sobre Não! Não Olhe! e trabalhar com Jordan Peele.
Foi transformador. Ele foi tão acolhedor comigo. Ele realmente me viu. Quando eu penso nas nuances daquela personagem e em quantas conversas a gente teve em que ele me incentivava a seguir o que eu já sabia… foi a primeira vez que eu entendi, de verdade, quanta autonomia eu tinha. O jeito como ele trabalha mudou muito, muito a forma como eu me movo como atriz, porque ele me deixou claro que isso era importante — e então eu [vi] como isso potencializou o projeto. Foi quando eu soube que eu tinha uma voz que valia a pena ser ouvida.
Como você pensa sobre legado como atriz?
Só como atriz?
“É como um sonho em que você aparece sem calças. Puxa as calças pra cima e segue em frente”.
Me diga como você está pensando sobre legado como atriz e, depois, sobre legado no geral.
Hollywood é engraçada. Obviamente, eu comecei fazendo comédia com a Nickelodeon e True Jackson ou com a Disney, [e] nessa fase mais recente da minha carreira, todo mundo fica: “Ela é comediante”. Quando eu era criança, era sempre: “Ela é a próxima Angela Bassett”. Eu só espero que me vejam como uma atriz de personagem — alguém que consegue fazer qualquer papel, entregar drama, entregar comédia, trazer perspectivas únicas e fazer um trabalho que também [provoque] conversa.
Sabe como as pessoas se sentem em relação ao Quincy Jones? A gente sente como se ele fosse um membro da família. Ele participou de muitas histórias e também foi uma pessoa de apoio no estrelato de outra pessoa. Ele era a coisa dele — e era ele quem o Michael Jackson procurava para fazer Thriller.
Uma referência cultural.
Sim! Isso é tão importante. A gente está montando uma mesa junto: você senta ali, você senta ali, e a gente senta aqui, e a gente está fazendo algo [junto].
O que te atraiu em I Love Boosters?
Amo essas meninas [a Velvet Gang]. Amo Boots Riley. A gente pensa nas anti-heroínas de Set It Off, essas mulheres que estavam lutando contra o sistema do único jeito que conheciam — [uma luta] que acabou custando a vida delas. Um filme como I Love Boosters [é] uma história parecida, de mulheres tomando as coisas nas próprias mãos. Mas também é realista ao dizer: “Olha, eu não sei se todos os problemas [sistêmicos] podem ser resolvidos, mas aqui vai um jeito de conversar sobre isso”.
Isso é tão importante agora, porque a gente acaba carregando esse peso o dia inteiro. Millennials, Gen Z… a gente está virando os novos adultos. E é tipo: “O que vocês deixaram pra gente?”. Depois que a gente para de chorar, depois que a gente levanta, sacode a poeira… como a gente segue em frente? [No] filme, a gente vê essas mulheres passando por essa experiência. E a gente também se pergunta: “Onde a comunidade mora nisso?”.
Você também está impactando diretamente a próxima geração como mãe do Leo.
Me conta sobre a maternidade.** Meu Deus, eu poderia falar dele o dia inteiro. Meu filho mudou a minha vida. Ele é tudo pra mim. E, sinceramente, ele é uma criança muito legal. Ele é o garoto mais divertido do mundo, e é muito inteligente. Eu achava que a maternidade ia ser incrível, mas é muito melhor do que eu poderia descrever. É isso mesmo. E não é pra todo mundo, mas sempre foi pra mim. Eu posso ver essa pessoa, fazer parte da vida dela e apoiar enquanto ela se torna quem ela nasceu para ser. É a coisa mais legal do mundo.
Isso é tão lindo. Agora: quais são as partes que estão te deixando doida?
Bom, antes de mais nada, meu filho é maldoso pra caramba. Ele não é bonzinho. Eu deixei essa parte de fora. Outro dia eu voltei do Pilates. Entrei em casa e ele disse: “Mamãe, você tá fedendo”. Com licença?
Quem é o seu “pessoal”, a sua rede de apoio, agora?
Eu e minhas irmãs moramos juntas. E aí a minha mãe está sempre por perto, e eu também tenho babás que me dão muito suporte. A rede é grande. Eu não sei o que eu faria sem toda a ajuda que eu tenho.
A sua experiência com a maternidade também veio de um relacionamento difícil com seu ex-parceiro, Darius Jackson. Em 2023, você postou sobre ser “serenata” pelo Usher num show, incluindo uma foto da noite, e Jackson surtou no Twitter, criticando o que você estava vestindo. Quando você viu o que ele escreveu pela primeira vez? Qual foi a sua reação?
Eu estava em L.A. fazendo uma capa de revista, e todo mundo da minha equipe estava com uma cara muito louca. E eu: “Que diabos está acontecendo com eles? Por que eles estão me olhando tão estranho?”. Você checa as redes, checa cultura pop, como sempre, e aí eu vejo que “o assunto” do dia sou eu. Eu fiquei em choque. Essa é a principal coisa. Eu realmente fiquei em choque. Sendo uma pessoa pública, [parece] que eu estou no escritório quando eu posto online. [Mas] eu só pensei: “Isso não pertence ao trabalho”. Eu me senti travada, porque eu pensava: “Eu não posso falar nada sobre isso. Eu não sei [se] isso é apropriado”.
“Depois que a gente para de chorar, levanta, sacode a poeira… como a gente segue em frente?”
O término e os processos legais posteriores também se tornaram públicos. Em um dos documentos, você acusou Jackson de agressão física. Como isso complica o que já é um momento desafiador?
Isso simplesmente torna tudo público, e não deveria ser — e não tem muito o que você possa fazer. Muitas vezes [o público] sente que você está dizendo [algo] pra eles quando, na verdade, você está dizendo ao tribunal. Aí vira algo sobre o qual eles esperam que você se pronuncie, mas isso nunca foi feito para eles verem em primeiro lugar. Sem querer desrespeitar, mas isso realmente não era pra você. Eu odeio que você tenha descoberto. Eu vou cuidar da minha vida e fazer o que eu preciso para seguir em frente. É como um sonho em que você aparece e está sem calças. O que [mais] dá pra fazer? Puxar as calças pra cima e seguir em frente.
Saindo dessa situação, como você está encarando a vida amorosa agora?
Não tem ninguém interessante. Sério. Eu não sei o que eu transmito. Eu sinto que eu transmito uma energia muito fechada, porque ninguém chega. Eles ficam com medo.
Você procura uma pessoa parceira que não esteja no show business?
Eu nunca gostei muito [de estar] sob os holofotes. Como figura pública, você muitas vezes entra em um relacionamento com alguém que quer fazer parte da sua vida pública. Caso contrário, a pessoa sente que está sendo escondida. Então isso é complicado. Quando eu era mais jovem, principalmente, eu sempre dizia: “Eu não quero ninguém desse meio”. Porque você vê muita coisa. Tem muita gente maluca por aqui. Mas eu percebo que tem gente maluca em todo lugar. Então eu estou mais aberta a artistas ou pessoas que estão na minha indústria do que eu já fui no passado. Mas eu estou mais Miss Simpatia do que Michelle Pfeiffer.
A personagem da Sandra Bullock termina com um cara no final de Miss Simpatia.
Sim, mas você viu como aconteceu? É um pouco demais.
O que significa ser Keke Palmer?
Keke Palmer é uma observadora da cultura, inspirada pela sua geração, inspirada pela nossa criatividade, e eu só quero devolver isso da melhor forma possível. Seja por meio das conversas no meu podcast, das personagens que eu interpreto, da música que eu canto — o meu trabalho é [sobre] refletir toda a beleza de cada canto da nossa cultura. É isso que me move. É isso que me inspira. Eu penso em Basquiat ou Andy Warhol, e em como eles observavam a coisa e também a “autorizavam”, a criavam. E eu encontro isso na cultura pop. Eu quero fazer tudo.
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