Nintendo processa governo Trump e exige devolução de mais de US$ 200 bilhões em tarifas
Fabricante japonesa se junta a mais de mil empresas que contestam a legalidade das taxas sobre importações implementadas em 2025
Kadu Soares (@soareskaa)
A Nintendo entrou oficialmente com uma ação judicial contra o governo de Donald Trump nesta semana. A empresa contesta a legalidade das tarifas sobre produtos estrangeiros importados para os Estados Unidos e exige a devolução integral dos valores cobrados, com juros. A gigante japonesa se tornou a mais recente entre mais de mil empresas que decidiram processar a administração americana por medidas comerciais que, segundo documentos legais, “resultaram na arrecadação de mais de US$ 200 bilhões em tarifas sobre importações de praticamente todos os países”. O processo marca uma escalada significativa na disputa entre a indústria de tecnologia e entretenimento e políticas protecionistas que afetaram diretamente o setor de videogames desde a implementação das taxas, no ano passado.
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— Wario64 (@Wario64) March 6, 2026
As tarifas foram estabelecidas por meio de uma ordem executiva assinada por Trump em 2025, justificada como uma medida para “tornar a América rica novamente”. A reação dos mercados foi imediata e severa. Bolsas globais despencaram, e os mercados americanos registraram o pior dia desde o início da pandemia de COVID-19, segundo a BBC. Especialistas da indústria de videogames alertaram, na época, que as taxas causariam danos relevantes ao setor. A previsão se concretizou quando usuários de Xbox e PlayStation passaram a pagar mais por consoles e acessórios. A Nintendo também sentiu o impacto e foi forçada a adiar as pré-vendas do Nintendo Switch 2 diante das incertezas tarifárias.
Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos determinou que Trump havia ultrapassado seus limites constitucionais ao implementar as tarifas sem a devida aprovação do Congresso. A decisão abriu caminho para contestações legais em massa. No início de março, reportagens indicaram que o governo americano poderia ser obrigado a devolver US$ 130 bilhões arrecadados apenas em 2025. A resposta de Trump à decisão judicial foi caracteristicamente combativa. O presidente ameaçou implementar novas tarifas de 15% sobre produtos estrangeiros ainda esta semana, sinalizando que pretende ignorar ou contornar a determinação da Suprema Corte por meio de novos mecanismos legais.
Os advogados que representam a Nintendo e outras empresas argumentam, em documentos judiciais, que “a instauração e a administração das medidas comerciais ilegais pelos réus” violaram procedimentos estabelecidos para a imposição de tarifas. Por isso, exigem que “todas as tarifas arrecadadas sejam reembolsadas com juros”.
Uma porta-voz da Nintendo confirmou ao site Aftermath que a empresa de fato protocolou a ação, mas disse não ter “nada mais a compartilhar sobre esse assunto”.
Esta não é a primeira vez, recentemente, que Nintendo e Trump se encontram em lados opostos de um debate público. Na semana passada, a The Pokémon Company — empresa parcialmente controlada pela Nintendo — criticou publicamente a Casa Branca após o governo compartilhar um meme “Make America Great Again” usando arte do jogo Pokémon Pokopia, lançado recentemente. “Não estivemos envolvidos em sua criação ou distribuição, e nenhuma permissão foi concedida para o uso de nossa propriedade intelectual”, declarou a porta-voz Sravanthi Dev em comunicado oficial. “Nossa missão é unir o mundo, e essa missão não está afiliada a nenhum ponto de vista político ou agenda”.
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