O Cavaleiro dos Sete Reinos: Duncan, o Alto, é realmente um cavaleiro?
A série levanta questionamentos sobre honra x títulos e sugere que o homem mais nobre de Westeros pode ser uma fraude técnica
Giulia Cardoso (@agiuliacardoso)
Em Westeros, o que define um cavaleiro? Para a maioria, são os títulos e as unções com óleos sagrados; para Duncan (Peter Claffey), parece ser a proteção dos inocentes e a honra inabalável. No entanto, o quarto episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos reforça uma dúvida que persegue os fãs desde as obras originais de George R.R. Martin: Sor Duncan, o Alto, foi realmente sagrado cavaleiro?
A série da HBO explora essa ambiguidade ao colocar Duncan em uma cela, aguardando julgamento por proteger uma marionetista da fúria de Aerion Targaryen. Enquanto ele aguarda seu destino, as evidências de que ele pode estar sustentando uma mentira se acumulam.
As evidências contra o título de Duncan
A trajetória de Duncan tem início na Baixada das Pulgas, onde ele atuou como escudeiro de Sor Arlan de Centarbor até a morte do velho cavaleiro. Após o falecimento de seu mentor, Duncan assume sua armadura e o título de “Sor”, mas a ausência de testemunhas que confirmem se Arlan realmente o sagrou antes de partir é a base de todo o mistério.
Essa dúvida ganha força através do comportamento do protagonista, que demonstra um nervosismo latente sempre que é questionado sobre sua cavalaria, como ocorre nas interações com Plummer.
Além disso, apesar de sua estatura impressionante, ele raramente parece confortável empunhando uma espada ou montando um cavalo, agindo muito mais como um combatente autodidata do que como um guerreiro que passou anos recebendo o treinamento formal da elite de Westeros.
O ponto crucial que reforça essa teoria ocorre durante o quarto episódio, no momento em que Raymun Fossoway se voluntaria para lutar ao seu lado. Como Lyonel Baratheon faz questão de lembrar, qualquer cavaleiro possui autoridade para sagrar outro, o que permitiria a Duncan oficializar o posto de Raymun ali mesmo.
No entanto, o protagonista hesita e recusa a tarefa, o que sugere que ele pode desconhecer as palavras sagradas do rito ou, mais profundamente, que teme que uma mentira inicial acabe gerando uma rede de falsidades da qual ele não consiga escapar.
Esse dilema moral entre a nobreza de suas ações e a possível fraude de seu título técnico permanece como um dos pilares mais instigantes da narrativa.
O que dizem os livros?
Mesmo nos conto As Aventuras de Dunk e Egg, Martin mantém o mistério. Após a morte de Arlan, Duncan cogita se juntar à Patrulha da Cidade em Porto Real — um destino improvável para alguém que acabou de conquistar o sonhado título de cavaleiro. Tanto o livro quanto a série parecem confortáveis em deixar a resposta para a interpretação do espectador: a cavalaria está no óleo sagrado ou nas ações de quem porta a espada? Até agora, Duncan provou ser o cavaleiro que o reino precisa, independentemente de ter recebido o toque de uma espada no ombro.
FONTE: SCREENRANT
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