Steven Soderbergh
Benicio Del Toro, Rodrigo Santoro, Catalina Sandino Moreno
Um Che dividido – guerrilha, sim; biografia convencional, não
A longa cinebiografia de Che Guevara (quatro horas de duração), de Steven Soderbergh, chega ao Brasil dividida em duas partes: esta é a primeira, que mostra o papel do líder argentino na Revolução Cubana. O interessante - e também frustrante - aqui é a rejeição do formatinho "vida e obra" sobre o homem em questão. Sua infância, casamento e afins nem são mencionados; o que vale mesmo é sua participação na invasão de Cuba em 1956, pelo então exilado Fidel Castro e sua guerrilha, até a tomada do poder. Entremeando a narrativa, flashes da viagem de Che a Nova York, quando discursa na ONU em 1964. O diretor evita tomar partido e glamurizar o mito, deixando ao público que tire suas próprias conclusões. Benicio Del Toro habilmente constrói um Che real e tridimensional, enquanto Rodrigo Santoro tem uma participação discreta e eficiente como Raul Castro. Denso e um pouco maçante, mas vale a espiada.
Rodrigo Arijon