LISTA RS

As 100 melhores músicas do BTS

Os melhores momentos (até agora) da maior banda pop do mundo

Rolling Stone

BTS é formado por Jungkook, V, Jimin, Suga, RM, Jin e J-Hope (Foto: Pak Bae)
BTS é formado por Jungkook, V, Jimin, Suga, RM, Jin e J-Hope (Foto: Pak Bae)

Há mais de uma década, um grupo de sete integrantes de uma gravadora praticamente desconhecida da Coreia do Sul sonhava com uma “casa grande, carro grande e anéis grandes”. Mas, graças a uma combinação letal de talento inegável, lirismo extraordinário, ética de trabalho incansável, personalidades magnéticas e algumas covinhas irresistíveis, o BTS é agora a maior banda do planeta. Os integrantes RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jung Kook acabaram realizando seu desejo, mas, por terem realmente algo a dizer, conquistaram algo muito mais valioso — a capacidade de derrubar muros e construir pontes ao redor do mundo.

Listar todas as conquistas da banda levaria mais tempo do que aprender de uma vez todos os fanchants dos fãs, então aqui vão algumas: o BTS tem seis álbuns que chegaram ao primeiro lugar das paradas até hoje e várias músicas no topo dos rankings, além de cinco indicações ao Grammy. Mas, no centro do sucesso do BTS, está a relação incomparável que o grupo mantém com sua base de fãs, ARMY (“Adorable Representative M.C. for Youth”), alimentada por uma rica discografia que transcende idiomas e culturas. Aqui, destacamos as músicas que compõem o caleidoscópio que é a mensagem do BTS — de amor próprio e pelo próximo, de introspecção, de conexão e, claro, até de uma saudável dose de anarquia. (Esta lista foi publicada originalmente em 2022; e a Rolling Stone atualizou com músicas do álbum Arirang, de 2026.)

De “Danger” e “Sea” a “Butter” e “Body to Body”, veja as 100 melhores músicas do BTS abaixo:

100º lugar: “BTS Cypher Pt. 1”

“BTS Cypher Pt.1” deu início à série de Cyphers do septeto, conhecida por sua honestidade brutal, complexidade técnica e por ser uma das favoritas dos fãs. No primeiro capítulo, RM, Suga e J-Hope miraram os julgamentos injustos feitos sobre suas habilidades como rappers: “Minha atitude é meu mentor/Mesmo que falem mal de mim, sou um memento/Mostre seu orgulho pelo hip-hop, mas você ainda se sentirá impotente/Esconda seu ciúme, consigo ver seu endereço de IP.” Entregue por meio dos respectivos estilos de flow, distintos entre si, a performance de cada integrante consolidou seu domínio da forma artística e, ao mesmo tempo, apresentou aos ouvintes o lado destemido e sem papas na língua da linha de rappers. —Riddhi Chakraborty

99º lugar: “Hip Hop Phile”

Lançada em uma época em que o conceito hip-hop do BTS estava no auge, “Hip Hop Phile” nasce de um lugar de honra e admiração, enquanto o grupo canta sobre seu respeito pela cultura hip-hop. A faixa apresenta a relação dos integrantes com o gênero e como ele inspirou sua liberdade criativa, prestando homenagem a suas influências, do trio sul-coreano Epik High a Nas, Jay-Z, Biggie, CL Smooth, Eminem e outros. —D.D.

98º lugar: “Don’t Leave Me”

A carga emotiva das vozes dos integrantes é o que dá a “Don’t Leave Me” sua grandiosidade — isso e uma produção de sintetizadores realmente feroz. Apesar do título, a música, presente no terceiro álbum completo japonês do BTS, Face Yourself, não é cantada a partir do medo, mas com a fé de que as dificuldades podem ser superadas por meio da confiança e da parceria. “Não importa o que aconteça, a chuva cai/Não importa o que aconteça, a escuridão desaparece/Eu definitivamente vou salvar você, você não está sozinho”, cantam Jin, Jimin e Jung Kook. —Natalie Morin

97º lugar: “Fly to My Room”

No auge da quarentena, os quartos se tornaram nossas pistas de dança improvisadas. O BTS capturou o transporte emocional que a música proporcionou ao mundo em “Fly to My Room”, de BE, de 2020. “Este quarto é tudo o que tenho/Bem, então vou transformar este lugar no meu mundo”, cantam Jimin e V na faixa da subunidade, mais tarde acompanhados pelos raps melódicos de Suga e J-Hope. O groove descontraído do teclado começa hesitante, mas cresce até chegar a um refrão final digno de um coral de igreja — talvez em busca de algo em que acreditar. —N.M.

96º lugar: “Permission to Dance”

O BTS sabe criticar, demonstrar empatia e lamentar. Mas, acima de tudo, o grupo eleva os ânimos, oferecendo conforto mesmo nos momentos de escuridão absoluta. O contagiante hit de verão “Permission to Dance”, coescrito por Ed Sheeran, é, acima de tudo, uma mensagem de esperança — de que a luz da paixão jamais pode ser apagada e de que o mundo está cheio de beleza. Esse espírito também está incorporado à coreografia expressiva da música, que utiliza a língua de sinais internacional para as palavras “dança”, “diversão” e “paz”, além de ser deliberadamente simples o suficiente (pelos padrões do BTS, pelo menos) para que qualquer pessoa possa participar. —N.M.

95º lugar: “Stay Gold”

Há algo nos lançamentos japoneses do BTS que faz você balançar ao som da música em um estado de doce transe. Talvez seja o som caloroso e suave ou os temas agridoce de amor e sofrimento. De qualquer maneira, os trabalhos japoneses do BTS continuam sendo alguns dos lançamentos mais aguardados (e amados). Como o primeiro de dois singles oficiais lançados antes da chegada do álbum Map of the Soul 7: The Journey, “Stay Gold” traz serenidade, calor e romance envolvidos em um arranjo pop animado. Lançado em uma época de incerteza, o single se apresentou como um raio de esperança, derretendo as camadas de angústia que todos sentimos durante a pandemia global. —D.D.

94º lugar: “Crystal Snow”

A melodia surge com um suave floreio e, assim como sua antecessora “Spring Day”, “Crystal Snow” ilustra a natureza efêmera do amor usando a imagem vibrante das estações do ano. “Mesmo que você passe por mim e se transforme em água, ainda está no meu coração”, canta RM em seu rap. “Eu vejo você brilhando e refletindo em cada coisa reluzente.” O single japonês vai e volta até explodir com a graça e o vigor de um número musical, enquanto os vocalistas imploram: “Quero abraçar você mais uma vez antes que desapareça.” —N.M.

93º lugar: “Trivia 承: Love”

Em sua faixa solo luminosa no álbum Love Yourself: Answer, de 2018, RM brinca com a língua coreana para expressar gratidão pelo amor que recebeu dos fãs do grupo. Ele faz rimas e intercala saram (“pessoa”) e sarang (“amor”) para transmitir a transformação pela qual passou como indivíduo graças à ARMY do BTS. Ele também faz uma referência à famosa frase de René Descartes, “Penso, logo existo”, ao declarar alegremente: “Eu vivo, então amo”. “Trivia: Love” está repleta de onomatopeias, simbolismos e easter eggs — tantos que seria impossível listar todos aqui — que apenas a ARMY pode descobrir. É um presente apropriado vindo do líder intelectual do BTS. —Riddhi Chakraborty

92º lugar: “Your Eyes Tell”

Originalmente reservada para integrar a mixtape de Jung Kook, o single japonês do BTS “Your Eyes Tell” é uma prova contundente da capacidade do vocalista como compositor e apresenta uma perspectiva única sobre romance, desilusões amorosas e tudo o que existe entre esses extremos. Repleta de performances vocais suaves, delicadamente inseridas em uma melodia baladesca e arrebatadora, “Your Eyes Tell” encontra sua beleza em suas apaixonadas declarações de carinho e esperança. —D.D.

91º lugar: “I’m Fine”

Ela começa com os familiares sintetizadores eletropop do refrão de “Save Me”, mas desta vez com um som muito mais vazio. O sample se distorce e termina antes da entrada de um V ofegante. Assim como as palavras “Save Me” podem formar um ambigrama de “I’m Fine”, as letras das duas músicas também são reflexos uma da outra, tanto estrutural quanto tematicamente. Quatro anos depois, o BTS encontrou força e maturidade para depender de si mesmo — e, embora possa olhar para trás com carinho por um instante, seus passos sempre os levarão adiante. —N.M.

90º lugar: “The Truth Untold” feat. Steve Aoki

Produzida por Steve Aoki, coescrita por RM e com a participação de Jin, Jimin, V e Jung Kook, “The Truth Untold” mostra um lado completamente novo de cada artista envolvido. Aoki deixa de lado seu território habitual do EDM para apresentar uma reluzente balada ao piano, enquanto cada um dos vocalistas vai além de seus próprios limites para expressar uma tentativa sincera de superar o medo e a aversão a si mesmo. No fim, a faixa transmite a ideia de que a chave para encontrar o amor é aceitar quem você realmente é. —R.C.

89º lugar: “Life Goes On”

Em “Dynamite”, o BTS escapou da melancolia da quarentena para fazer um passeio alegre por outra dimensão; em “Life Goes On”, o grupo usa um tom mais intimista. Humildes diante da tragédia da pandemia, eles mergulham em uma balada pop-R&B com toques acústicos para ampliar a mensagem de conforto sugerida pelo título, apresentada pela primeira vez na 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O vocal rasgado e emocionante de Jimin se destaca, mas V e Jin deixam a melodia fluir, enquanto RM, Suga e J-Hope fazem seus raps como aliados serenos e reconfortantes. O vídeo ainda termina gradualmente em preto e branco; nenhum brilho é necessário. —Charles Aaron

88º lugar: “Home”

Quando você está subindo cada vez mais alto a cada dia, manter os pés no chão pode parecer um luxo passageiro. Felizmente, para o septeto, lar é onde seus fãs estão. “Na encruzilhada, continuo me lembrando/Você, que me conheceu quando eu estava mal/Pensar em você me faz sorrir/Um lugar onde você está”, canta Jin no bridge desta faixa dançante. Um órgão de igreja cheio de groove acompanha a melodia gingada — um lembrete de que ter alguém em quem encontrar refúgio é algo sagrado. E, quando o mundo é o seu palco, você não está sempre em casa? —N.M.

87º lugar: “Coffee”

Uma das faixas mais subestimadas do BTS em seus primeiros anos, “Coffee” narra um término agridoce por meio de metáforas relacionadas ao café. Embora o “gosto residual frio e amargo” de um Americano permaneça, o protagonista não consegue evitar relembrar as memórias doces do relacionamento. Permeada por batidas lo-fi e sons sampleados de um café movimentado, a atmosfera sonora tranquila e descontraída é ainda mais valorizada pelas performances melódicas de vocais e rap do grupo, transportando você diretamente para o meio do drama do término. —D.D.

86º lugar: “Am I Wrong”

“Nós todos somos cães e porcos/Nós ficamos com raiva e nos tornamos cães”, canta Suga em seu rap, quase em tom de deboche. Esse trecho específico é o que transforma esta faixa B-side de hip-hop dançante e com influência do blues — que traz um sample da música “Am I Wrong”, de Keb’ Mo’, de 1994 — em uma das faixas mais politicamente contundentes do grupo. Acredita-se que a letra faça referência a um episódio ocorrido alguns meses antes do lançamento de Wings, em outubro de 2016, quando um funcionário do governo sul-coreano teria dito que 99% da população de seu país era “como cães e porcos” e poderia ser tratada dessa maneira. “O mundo inteiro parece estar louco, parece o fim”, cantam. No fim das contas, eles estavam certos desde o começo. —N.M.

85º lugar: “Filter”

Repleta de batidas latinas cheias de groove e letras provocantes, acompanhada por uma coreografia que entrou para a história, “Filter”, de Jimin, incorpora todos os aspectos de sua arte. Cantada com o característico vocal rouco do artista, “Filter” mostra Jimin celebrando sua dualidade como artista e sua capacidade de exibir seus diferentes encantos num piscar de olhos. Sensual e envolvente, “Filter” é uma introdução quase perfeita ao famoso talento de Jimin para o espetáculo. —D.D.

84º lugar: “Let Me Know”

Escrita pela linha de rappers e por Pdogg, produtor de longa data da Big Hit Music, “Let Me Know” é uma das faixas mais devastadoras do repertório do BTS. A balada R&B lamenta o fim natural de um relacionamento: “O amor floresce como cerejeiras, mas queima e vira cinzas”, afirma Suga, indicando que, embora saiba que a decisão mais sensata seja seguir em frente, não consegue escapar das próprias lembranças. “Let Me Know” permite que cada integrante do grupo brilhe; os rappers expressam diferentes estágios do luto em seus versos — passando pela negação, pela raiva e pela aceitação, nessa ordem — enquanto os vocalistas entregam algumas das performances mais poderosas de suas carreiras, com falsetes arrebatadores e ad-libs. —R.C.

83º lugar: “Mama”

J-Hope se abre sobre sua trajetória de vida nesta emocionante faixa solo de Wings, do BTS. É um trabalho único dentro do repertório do grupo, inspirado por gospel e hip-hop, e a letra presta homenagem aos sacrifícios feitos por sua mãe para que ele pudesse seguir seus sonhos. “Mama” também ganhou apresentações ao vivo espetaculares durante a turnê Wings, de 2017 — em cada performance, os integrantes do BTS, os dançarinos de apoio e dezenas de cantores gospel se juntavam a J-Hope para cantar. —R.C.

82º lugar: “No More Dream”

O vídeo do primeiro single do BTS foi o primeiro grande vislumbre que o mundo teve das habilidades específicas do jovem grupo de sete integrantes — coreografias e vocais executados com precisão vertiginosa, letras que davam esperança a jovens sem perspectivas e uma dinâmica de grupo eletrizante. Mas a reação foi morna. Eles são hip-hop demais para serem ídolos; não são o Big Bang; aqueles trejeitos “gangsta” precisam desaparecer. E, embora os garotos talvez tenham exagerado ao posar de maneira empolgada como jovens suburbanos tentando esbanjar estilo depois de invadir uma loja da Hood by Air, essas objeções hoje soam pitorescas. —C.A.

81º lugar: “N.O”

Pouco depois de sua estreia explosiva, o BTS intensificou suas críticas à sociedade sul-coreana em “N.O”, condenando os adultos por transformarem os jovens em “máquinas de estudar”. E, caso essa mensagem não fosse suficientemente clara, o videoclipe coloca o septeto em um futuro distópico à la Matrix, enfrentando guardas estoicos determinados a mantê-los obedientemente acorrentados atrás de suas carteiras. “Não viva sua vida preso ao sonho de outra pessoa”, cantam no refrão. —N.M.

80º lugar: “Interlude: Shadow”

Em um episódio de 2018 do reality show do grupo, Run BTS!, Suga escreveu um poema com o seguinte verso: “É verdade que, quanto mais luz brilha sobre nós, mais sombras aparecem.” Na incendiária faixa de abertura de Map of the Soul: 7, o rapper desenvolve essa metáfora, explorando ainda mais a escuridão que acompanha a fama. A música começa com um sample melancólico de “Intro: O!RUL8,2?”, enquanto Suga admite: “Tenho medo, voar alto é assustador. Ninguém me contou como é solitário aqui em cima.” Mas, justamente quando parece que o rapper se preparou para enfrentar seus demônios, o ritmo muda e um baixo ensurdecedor entra em cena — agora, Suga canta sob a perspectiva de sua própria sombra, lembrando-o de que eles não têm escolha a não ser coexistir. —N.M.

79º lugar: “Look Here”

Disfarçada sob uma produção soul-funk cristalina, “Look Here” apresenta um jogo de gato e rato que, aos poucos, assume contornos vagamente ameaçadores à medida que o ciúme e a obsessão tomam conta. Os vocalistas evocam um pouco de Prince ao alcançar falsetes agudos e brilhantes, oferecendo um contraste delicioso aos versos divertidos e roucos dos rappers. —R.C.

78º lugar: “Outro: Tear”

É aqui que vemos o BTS em seu estado mais vulnerável. Escrita na época em que o grupo considerava se separar, “Outro: Tear” — do EP Love Yourself: Tear, de 2018 — captura todas as emoções nas quais o septeto estava mergulhado durante aquele período turbulento. A faixa de hip-hop orquestral encontra RM, Suga e J-Hope descrevendo os sentimentos de traição, raiva e desespero que todos vivenciaram. O trio utiliza o duplo significado da palavra “tear” para simbolizar tanto o sofrimento quanto os laços dentro do grupo se despedaçando. O verso de J-Hope é particularmente poderoso, ao se dirigir aos outros integrantes: “Você é meu começo e meu fim/Isso é tudo/Meu encontro e minha despedida/Você foi tudo, avance sem medo/Isso vai se repetir, causado por você/Tear.” —R.C.

77º lugar: “Paldogangsan”

Ao mesmo tempo esquete de hip-hop e parábola, “Paldogangsan”, também conhecida como o rap em satoori (dialeto), mostra a linha de rappers representando suas cidades natais na Coreia do Sul — Suga, de Daegu, em Gyeongsang; J-Hope, de Gwangju, em Jeolla; RM, de Seul, em Gyeonggi — até que o último, sempre o pacificador, os incentiva a abraçar as diferenças uns dos outros. É o mesmo apelo pela união que o grupo faria muitos anos depois no plenário da Assembleia da ONU — uma mensagem universalmente compreendida, de Nova York à Coreia, de Moonsan a Marado. —N.M.

76º lugar: “Moon”

A música de amor de Jin para os fãs é tão grandiosa e brilhante quanto sua personalidade. Na alegre ode em estilo guitar pop, Jin explora toda a extensão de seu alcance vocal ao comparar sua relação com a ARMY à de corpos celestes: “Para você, sou apenas uma lua/Uma pequena estrela sua que ilumina seu coração”, canta. “Você é minha Terra/E tudo o que vejo é você.” Na performance de palco, o integrante mais velho do BTS é o Pequeno Príncipe, de pé sobre uma lua improvisada. Mas, nesta versão da história, nosso herói está longe de estar sozinho. —N.M.

75º lugar: “Spine Breaker”

O BTS aborda a divisão de classes na Coreia do Sul ao apontar para as caras jaquetas acolchoadas da North Face, que se tornaram símbolo de status entre os adolescentes. “Assim como o casaco completamente preenchido, sua ganância continua a ficar cada vez mais cheia”, dispara Suga na peculiar faixa de hip-hop. As jaquetas são apelidadas de “quebradoras de coluna” por causa do peso financeiro que os jovens impõem aos pais apenas para provar que conseguem acompanhar os demais. “Mesmo depois de ver as costas dos seus pais se curvando, você continua implacavelmente sem coração.” (A coreografia de Jin é um recurso visual particularmente divertido.) —N.M.

74º lugar: “21st Century Girl”

Esta faixa eletropop hino é uma das mais animadas de Wings, sombrio álbum do BTS lançado em 2016, e busca celebrar as mulheres ao incentivá-las a serem suas melhores versões. Com RM também creditado como compositor, o grupo enche seu público feminino de elogios e diz para que elas nunca se contentem com menos, enfatizando a importância do consentimento e do respeito. Durante seu verso, Jung Kook declara: “Nunca tenha medo/Não importa o que as pessoas digam, você está bem, tudo bem/Você é forte/Você diz sim ou não.” —R.C.

73º lugar: “Best of Me”

Produzida pela dupla americana The Chainsmokers ao lado de Pdogg, produtor de longa data do BTS, “Best of Me” é um típico hino EDM arrebatador, evocando instantaneamente os anos de auge do gênero, entre 2011 e 2015. Com letras que oferecem uma visão exagerada das consequências do amor, o BTS entrega uma performance eletrizante, destacada pelos versos de rap inflamados de Suga e J-Hope. Apesar de ter cinco anos de idade, “Best of Me” continua sendo um hino atemporal para festas, frequentemente tocado nos shows do BTS para elevar a energia do público. —D.D.

72º lugar: “Like”

Uma faixa altamente subestimada dos primeiros anos do BTS, “Like” oscila entre a raiva e o arrependimento no fim de um relacionamento. Escrita por Suga, a letra está repleta de angústia enquanto ele canta em seu rap: “Por que ainda estou preso aos momentos que passamos juntos/Quando todos naquele mundo já pararam?” A faixa disfarça a raiva e a dor sob um arranjo pop-R&B vibrante. O frequentemente esquecido “Slow Jam Remix” de “Like” eleva a versão original, transmitindo a verdadeira mensagem da música e transformando-a em uma clássica balada R&B com influência dos anos 1990. —R.C.

71º lugar: “Triva 起: Just Dance”

Potencializada pela presença de palco elétrica de J-Hope, “Just Dance” é facilmente um dos momentos mais aguardados de um show do BTS. Impulsionado por batidas de eletropop, o single narra os estágios iniciais de uma história romântica usando a dança como metáfora: “Porque nosso ritmo combina/Porque temos nossa dança, é uma batida que parece destino/Vamos fazer POP.” A última frase faz referência direta à faixa “P.O.P”, do rapper e produtor em sua mixtape Hope World, que expressa seu sonho de ser uma fonte de felicidade na vida de todos. —D.D.

70º lugar: “Friends”

Repleta de baterias suaves e sintetizadores sonhadores, “Friends” celebra o vínculo inquebrável de amizade e confiança entre V e Jimin (comumente chamados de VMin). Relembrando doces memórias do ensino médio e outras lembranças queridas (como uma briga por bolinhos), “Friends” oferece um vislumbre emocionante da dinâmica da dupla e de como sua amizade floresceu ao longo do tempo. A faixa tem um significado especial para os fãs mais antigos, que acompanharam VMin evoluir juntos diante de seus olhos. —D.D.

69º lugar: “Rain”

Combinando jazz suave, riffs complexos de piano e hip-hop, “Rain” encapsula perfeitamente a versatilidade do BTS desde seus primeiros dias como novatos. Escrita pela linha de rappers e por Pdogg, “Rain” usa a metáfora de um dia chuvoso em Seul para transmitir tristeza e monotonia. A letra constrói uma imagem de vazio por meio de versos poderosos como: “Como se soubesse como meu corpo se sente, a chuva está caindo/Ao olhar para as gotas de chuva se acumulando na janela, eu senti/As lágrimas que escorriam pelo meu coração.” A música transmite desespero, mas também uma corrente subjacente de esperança de que as coisas possam mudar algum dia. —R.C.

68º lugar: “Converse High”

O amor pode ser um quebra-cabeça complexo e vertiginoso — ou pode ser uma “camiseta branca, shorts jeans e Converse vermelhos de cano alto”. “É isso”, declara RM na faixa dançante de HYYH. Há uma alegria eufórica escondida no flerte descolado da música, celebrando a empolgação de ter uma paixão. Quando você se apaixona, cada pequeno detalhe importa — desde o bater dos cílios até um nó duplo cuidadosamente amarrado. —N.M.

67º lugar: “Anpanman”

Amada e surpreendentemente sagaz, “Anpanman” é o maior truque e/ou serviço público do BTS. Identificando-se com o atrapalhado e bondoso personagem de mangá e anime conhecido como “o herói mais fraco do mundo”, o grupo pega a grandiosidade do pop de arena e a redireciona para uma confissão convincente de medo; um comentário comovente sobre as responsabilidades do sucesso; e uma mensagem inspiradora de amor próprio e apoio aos fãs. A combinação pulsante e colorida de hip-hop e EDM muda repetidamente de andamento e batida, utilizando assobios percussivos, cantos com Auto-Tune, ad-libs corais e uma quebra com palmas de inspiração gospel para convencer os jovens de que o verdadeiro heroísmo significa sacrificar tudo por aqueles que amamos. —C.A.

66º lugar: “Autumn Leaves”

Também conhecida como “Dead Leaves”, esta faixa compara a transformação das folhas de outono à passagem da juventude — tema central da série de álbuns The Most Beautiful Moment in Life. Com versos como “Uma folha permanece agarrada a um galho/Está se despedaçando, vejo o fim/Folhas mortas se tornando secas”, o BTS consegue definir o ciclo da vida e a passagem do tempo por meio de uma única metáfora. O tom da música oscila entre o luto e a aceitação enquanto a produção passa por sintetizadores cintilantes, percussão ecoante e um trap sombrio. —R.C.

65º lugar: “00:00 (Zero O’Clock)”

“00:00 (Zero O’Clock)” é um lembrete gentil para aqueles que têm dificuldade em sair de uma fase ruim. Inspirada pela passagem do tempo, a faixa explica de maneira racional como a vida é um ciclo de dias bons e ruins. Como resultado, o BTS transmite a ideia de uma segunda chance para a felicidade e a esperança — assim como um relógio que volta a zero à meia-noite, você também pode aproveitar ao máximo um novo começo. Interpretada por Jung Kook, Jimin, Jin e V, a mensagem comovente da faixa é expressa de maneira eficaz por meio de seus vocais suaves e sussurrados. —D.D.

64º lugar: “Attack on Bangtan”

“Mas o que vai acontecer se o Bangtan Sonyeondan avançar?” A pergunta feita no início da estrondosa faixa parecia uma hipótese ousada em 2013, ano em que o BTS estreou. Apesar do título um tanto enganoso, “Attack on Bangtan” (também conhecida como “The Rise of Bangtan”), carregada de rap, é menos um pedido de ajuda de uma vítima e mais um grito de guerra — “Nossa chegada ao topo é apenas uma questão de tempo” —, uma declaração de que o grupo não medirá esforços para se tornar o maior nome da música. O BTS mal sabia que, alguns anos depois, finalmente obteria uma resposta para sua pergunta (e uma resposta bastante satisfatória, diga-se), mas, até hoje, existe algo mágico em ouvi-los tão empolgados e prontos para a batalha. —N.M.

63º lugar: “Stay”

A faixa dance pop foi feita para colocar de pé arenas lotadas de fãs, embora “Stay” tenha sido lançada pela primeira vez durante a pandemia, então os quartos tiveram que servir. A sétima música do sétimo álbum do septeto (ou seja, um grande negócio em termos numéricos) é uma declaração de amor e conexão, mesmo nos momentos em que estamos mais isolados. Durante a coletiva de imprensa global de BE, Jung Kook explicou que “Stay” pretende transmitir que “embora estejamos distantes agora, sempre permaneceremos juntos”. —N.M.

62º lugar: “My Universe” – BTS & Coldplay

É o momento mais agradavelmente descomplicado do Coldplay e a primeira vez que um artista britânico estreou no primeiro lugar; para o BTS, é a sexta estreia do grupo no topo. Como tantas grandes colaborações, “My Universe” começou com um encontro em uma série do YouTube (Released), na qual um artista (BTS) conversava com outro (Chris Martin) sobre um desafio de dança (o #PermissionToDance do BTS). Como é o som da música? BTS fazendo uma versão de “Fix You” (veja a apresentação no MTV Unplugged de 2021), com uma nova roupagem pop-disco e uma ótima quebra com vocais recortados. Das 29 pessoas envolvidas na criação da faixa, um destaque especial vai para o outro Martin, Max, que foi co-produtor. —C.A.

61º lugar: “Telepathy”

Depois das faixas iniciais sombrias de BE, sobre o medo e a sensação de alienação provocados pela pandemia, “Telepathy” é uma escapista e divertida faixa de pop-funk oitentista que parece Bruno Mars relaxando em uma espreguiçadeira. Originalmente escrita por Suga e levemente retrabalhada com RM e J-Hope como uma espécie de tábua de salvação para a ARMY, a música traz uma linha de baixo cadenciada, cowbell vibrante e vocais brincalhões com Auto-Tune. Suga e J-Hope cantam mais do que fazem rap, enquanto o canto sincopado de Jung Kook e V se aproxima do rap. Os dois últimos resumem tudo de maneira simples: “Mesmo que eu não esteja ao seu lado, sim/Você sabe que estamos juntos.” —C.A.

60º lugar: “Dionysus”

Este manifesto maximalista de rap-rock alterna entre a euforia e a reflexão sobre a catarse intoxicante, porém passageira, de fazer música para milhões de fãs insaciáveis. O BTS considera ser artista um prazer sagrado e delirante; mas a arte cobra seu preço da elite do pop, que assume um compromisso com o excesso dionisíaco literal — isto é, criar ou se apresentar constantemente. Aqui, esse conflito é dramatizado por demonstrações de poder do tamanho de uma arena, rajadas de refrões cantados em coro, o pulsar da guitarra, uma profusão de sons eletrônicos de EDM e inteligentes jogos de palavras com referências culturais. O brinde de J-Hope? “Beba tudo, a dor de criar.” —C.A.

59º lugar: “Boy With Luv” feat. Halsey

Vibrante, alto-astral e extremamente romântica, “Boy With Luv”, do BTS, serviu como um prólogo refrescante para o capítulo Map of the Soul do septeto. Com participação da estrela pop americana Halsey, o single apresenta uma atmosfera de pop-funk envolvente enquanto as superestrelas globais cantam sobre um relacionamento amoroso descomplicado, ao mesmo tempo em que enfatizam o crescimento do grupo desde “Boy in Luv”, de 2014, marcada pela desilusão amorosa. —D.D.

58º lugar: “134340”

A música mais peculiar do BTS e, possivelmente, uma das mais geniais. Abrindo com uma batida de hip-hop que remete ao fim dos anos 1980, uma elegante guitarra de jazz e uma flauta passeiam pelo verso de Jung Kook, cantado no papel de — espere por isso — Plutão, o ex-planeta devastado pelo sofrimento (hoje identificado como o asteroide de número “134340”). RM, ainda na pele de Plutão, canta seu rap com toda a sinceridade: “Que significado resta na vida do planeta caído?” e “Meu coração frio está a 248 graus”. O conceito nunca perde força. O pré-refrão é majestoso. Caramba. —C.A.

57º lugar: “BTS Cypher Pt. 4”

Considerada por muitos uma das performances mais impressionantes da linha de rappers até hoje, “BTS Cypher Pt. 4” encerra a explosiva série de Cyphers do trio. RM, Suga e J-Hope exibem seus flows e timbres vocais individuais enquanto percorrem seus respectivos versos — todos conectados por uma simples base de trap cadenciado. “BTS Cypher Pt. 4” também é a mais tranquila da série, enquanto os rappers desfrutam do sucesso conquistado com mérito, celebram sua jornada rumo ao amor próprio e declaram que são gratos aos haters por lhes darem atenção, porque, afinal, “eu gosto mais de comentários de ódio do que de nenhum comentário”. —R.C.

56º lugar: “Love Maze”

Mergulhe na performance vocal radiante do grupo nesta homenagem ao amor resiliente e recíproco. Jimin entra e sai de seu falsete, lançando “ay-ay-ays” diretamente sobre o coração e estabelecendo um tom perfeitamente desarmado. Jung Kook canta com uma maturidade elegante e desliza por runs sutis que deixam você sem fôlego. RM parte em disparada para um rap em double time que imita a euforia dos primeiros momentos de um romance. E ainda faltam quatro vozes. Não é de admirar que o mundo inteiro esteja apaixonado. —C.A.

55º lugar: “Airplane Pt. 2”

A incursão do BTS pelo pop latino é ao mesmo tempo elegante e sensual, enquanto o grupo transita de maneira brincalhona entre seus registros mais agudos e arejados e os tons graves e sedutores. Continuação da faixa solo de J-Hope “Airplane”, “Pt. 2” conta a história (autobiográfica) de um homem que sonhava em se tornar um músico mundialmente famoso e da sensação — às vezes revigorante, outras completamente exaustiva — de finalmente se tornar o viajante frequente que sempre quis ser. É apropriado que, aqui, o BTS faça uma referência a “el mariachi”, outro grupo de músicos que faz serenatas para plateias ao redor do mundo. —N.M.

54º lugar: “Go Go”

À primeira vista, “Go Go” soa como uma faixa de trip-hop eufórica que reza no altar das festas YOLO. Mas, na verdade, a letra contém críticas contundentes ao materialismo e ao vazio que surge da busca constante pela próxima dose de euforia. “A geração atual usa expressões como YOLO e fala sobre se divertir gastando dinheiro, mas não acho que as pessoas pensem sobre o motivo de usarem tanto esses termos, mesmo enquanto os utilizam”, disse Suga sobre a música satírica durante uma coletiva de imprensa em 2017. “Não é um álbum do BTS se não houver uma faixa criticando a sociedade.” —N.M.

53º lugar: “Mikrokosmos”

Você sempre pode contar com o BTS para levá-lo de volta à escola — e, desta vez, a aula é de filosofia grega. A cintilante “Mikrokosmos” faz referência ao “microcosmo” e, neste contexto, ao conceito de que os seres humanos pertencem ao universo, mas também carregam pequenos universos dentro de si. É uma metáfora bonita por si só, mas ainda mais quando o septeto a apresenta como foi concebida, ecoando por um estádio repleto de milhares de light sticks brilhantes: “Em uma pessoa, existe uma história/Em uma pessoa, existe uma estrela/Brilhando com 7 bilhões de luzes, 7 bilhões de mundos.” —N.M.

52º lugar: “Epiphany”

Cada integrante do BTS iniciou um novo ciclo de álbum com uma faixa solo acompanhada por um vídeo de trailer. Mas nenhuma abalou o firmamento do Bangtan como a delicada ode de Jin à autoaceitação, apresentada como uma balada poderosa e ardente. É a Geração Z remodelando as ondas sonoras de “Against All Odds (Take a Look at Me Now)”, de Phil Collins, até chegar à sua forma definitiva. Prepare os lenços. —C.A.

51º lugar: “Tomorrow”

Lançada em 2014 no segundo EP do BTS, Skool Luv Affair, “Tomorrow” transmite uma das principais mensagens do grupo: enquanto houver esperança, existe a possibilidade de construir um futuro melhor. A música aborda diversas dificuldades — desemprego, esgotamento, famílias desestruturadas — e garante aos ouvintes que eles não ficarão presos na escuridão para sempre: “Quando o amanhã chegar, a luz brilhante vai aparecer, então não se preocupe/Isso não é uma parada, apenas uma pausa na sua vida para descansar/Levante o polegar e aperte o play para que todos possam ver.” A faixa combina uma percussão de baixo estrondoso com um sintetizador distorcido, criando uma base hipnótica para que suas palavras penetrem. —R.C.

50º lugar: “Jamais Vu”

Você talvez já tenha ouvido falar de “déjà vu”, mas Jin, J-Hope e Jung Kook nos apresentam ao “jamais vu”, um fenômeno psicológico no qual uma pessoa se depara com uma situação que já viu muitas vezes, mas parece não conseguir se lembrar dela. À primeira vista, a faixa da subunidade se desenvolve como uma bela canção de ninar — mas esconde um dos momentos mais sombrios do grupo, enquanto os cantores descrevem a sensação torturante de reviver constantemente a mesma dor e imploram por uma solução. —N.M.

49º lugar: “So What”

Você talvez já tenha ouvido falar de “déjà vu”, mas Jin, J-Hope e Jung Kook nos apresentam ao “jamais vu”, um fenômeno psicológico no qual uma pessoa se depara com uma situação que já viu muitas vezes, mas parece não conseguir se lembrar dela. À primeira vista, a faixa da subunidade se desenvolve como uma bela canção de ninar — mas esconde um dos momentos mais sombrios do grupo, enquanto os cantores descrevem a sensação torturante de reviver constantemente a mesma dor e imploram por uma solução. —N.M.

48º lugar: “My Time”

Jung Kook, o mais jovem dos garotos do Bangtan, foi praticamente criado pelos outros integrantes — começando como um rapper de 15 anos usando delineador e florescendo até se tornar o vocalista confiante e tatuado que hoje se apresenta para estádios lotados. Em “My Time”, Jung Kook leva seus vocais cristalinos de pop para o território do R&B, refletindo sobre como precisou crescer rapidamente sob os holofotes, avançando como se estivesse em um fuso horário diferente: “Minha vida tem sido um filme o tempo todo”, ele reflete. E, no ritmo em que está indo, provavelmente vai demorar muito até vermos os créditos finais. —N.M.

47º lugar: “Sea”

A música começa com o som suave das ondas quebrando na praia. Originalmente chamada “Wherever There’s Hope, There’s a Trial” (uma citação de 1Q84, de Haruki Murakami), a faixa escondida e emocional de Love Yourself 承 ‘Her’ detalha as batalhas internas e os desafios enfrentados pelo grupo enquanto disparava rumo ao sucesso. “‘Eles estão em primeiro lugar em algum lugar, têm tantas coisas, por que estão preocupados?’ As pessoas sempre falam isso. Se você é ARMY e passamos um tempo juntos desde 2013, 2014 — você poderia entender”, RM contou à Billboard sobre a música. “Ela é um pouco mais especial, mais próxima dos nossos verdadeiros sentimentos.” —N.M.

46º lugar: “Dynamite”

O coautor e produtor londrino David Stewart se recusou a chamar “Dynamite” de uma “faixa de K-pop”, e isso porque, como estreia do BTS em inglês, a música culminou o sonho americano de uma década do grupo. Desafiando a melancolia provocada pela Covid, “Dynamite” disparou e chegou ao topo da Billboard Hot 100. O jovem gênio Jung Kook entrou em nossas DMs com um timbre de bubble pop, jogando palavras-chave americanas (“LeBron”, “King Kong”) para RM, J-Hope e Jimin, que as transformam com frieza enquanto os sintetizadores crescem sobre um baixo Moog e um refrão disco cheio de palmas. Mas tem mais! Anunciados por metais e guitarras de funk urbano, V, Suga e Jin elevam a festa com precisão vibrante, como se estivessem voando em formação entre um arco-íris duplo, tal qual uma esquadrilha de Blue Angels. Que pandemia? —C.A.

45º lugar: “Dimple”

A melodia começa flertando com você, ecoando como o chamado de uma sereia. Então os vocalistas não economizam: “Foi um erro cometido por um anjo? Ou um beijo profundo? Essa covinha é ilegal”, cantam Jimin, V, Jin e Jung Kook no refrão de “Dimple” — tão ilegal, na verdade, que eles vão chamar você de “ille-girl”. Cantado por qualquer outro artista, o B-side de Love Yourself 承 ‘Her’ provavelmente soaria como uma sequência de cantadas açucaradas a ponto de doer os dentes. Mas quando o BTS, aqui em seu momento mais característico de boy band, imbui a letra desse tipo de charme delicioso e inegável, é difícil não abrir um sorriso. —N.M.

44º lugar: “Danger”

“Danger” pode muito bem ser a personificação do BTS tomado pela angústia adolescente — e, rapaz, como é contagiante. Venha pelo hip-hop com influência de guitarra rock e pela frustração desesperada diante de um amor que parece não se importar; fique pela coreografia vigorosa e cheia de imagens que acabaria se tornando um clássico. —N.M.

43º lugar: “Not Today”

Uma introdução distorcida, semimenaçadora e de neo-horrorcore cresce até uma declaração de luta, seguida por um grito. Ufa! Este é um grito de guerra da ARMY, com um chamado às armas de um azarão (“Prontos! Apontar! Fogo!”) e uma provocação geracional (“Ei, peitões de corvo, mãos para o alto!”) em meio a uma fanfarra de metais digna de um filme de ação. A música é amplamente conhecida por sua marcante coreografia de guerreiros ninja, vista em um vídeo parcialmente gravado em uma área de mineração de pedras na província de Chungcheong, na Coreia. —C.A.

42º lugar: “DNA”

Sim, “DNA” é uma festa desenfreada de EDM pronta para copos Solo e para o spring break, com uma explosão de dubstep no clímax que fará qualquer paixão à primeira vista, molecularmente destinada, parecer que vai durar para sempre. Mas a maneira como o BTS chega lá é engenhosa. O grupo atrai você com o eco giratório de um assobio humano de verdade e um violão acústico urgente, quase percussivo, antes que a cavalgada de vozes entre em cena. Na segunda passagem, RM e Suga intensificam sua declaração de amor eterno, mas são Jimin, V, Jung Kook e Jin (em um raro momento de destaque) que se alternam em versos delicados e quase ofegantes, entregando um golpe harmônico perfeito no coração. —C.A.

41º lugar: “Idol”

Liricamente, “Idol” é uma mensagem direta e sem ironia para haters e trolls: sabemos quem somos e amamos quem somos, até mais. Mas talvez em resposta às acusações de que haviam se ocidentalizado demais, a equipe criativa do BTS (música, vídeo e coreografia) buscou inspiração na cultura indiana do Bollywood e do bhangra, integrando estilos contemporâneos de dança (gqom e gwara sul-africanos, reggaeton) a elementos tradicionais coreanos (a percussão folclórica do samulnori, a narrativa do pansori, um arco-horn gakgung, roupas hanbok, casas hanok e muitos tigres). O resultado é uma fantasia frenética e celebratória. —C.A.

40º lugar: “Fake Love”

O BTS foi para o IMAX com o single principal de Love Yourself: Tear, ampliando a música de maneira exuberante com uma profusão de sons de sintetizador, incluindo a guitarra rock que ronda a faixa do início ao fim. O vídeo era uma sucessão de apelos visualmente saturados por sua atenção: vidro se estilhaçando, vento uivando, água inundando tudo, fogo surgindo e a habitual coreografia vertiginosa. O tema — não fingir emocionalmente para fazer um relacionamento dar certo — era apenas um roteiro esquelético. A verdadeira história dessa música é composta por baterias de trap, efeitos de swoosh, mais baterias de trap, mais swooshes e aquele refrão impossível de escapar, ou seja, o próprio título, cantado em quatro sílabas rítmicas e impulsionado por harmonias sobrepostas. Bem-vindos ao Top 10, rapazes. —C.A.

39º lugar: “Whalien 52”

Como muitas outras faixas introspectivas da discografia do BTS, “Whalien 52” está repleta de simbolismos sinceros, nos quais o septeto narra suas dificuldades com a solidão usando como metáfora uma baleia de 52 hertz, conhecida como a baleia mais solitária do mundo porque sua frequência aguda não pode ser ouvida por outras baleias. “Whalien 52” mostra o grupo abordando sua dificuldade de se conectar com os outros, a fama e a ansiedade que ela provoca. A metáfora da baleia tem grande importância na iconografia do BTS. Mais recentemente, ela apareceu no videoclipe animado de “We Are Bulletproof: The Eternal”. Neste caso, a baleia solitária (que representa o próprio BTS) não está mais sozinha, porque o grupo encontrou força na companhia da ARMY do BTS. —D.D.

38º lugar: “We Are Bulletproof: The Eternal”

O capítulo final da série de músicas “We Are Bulletproof” cumpre a promessa épica contida em seu título. Os vocais dos integrantes assumem uma qualidade quase etérea sobre a faixa de EDM arrebatadora, enquanto eles descrevem o poder impressionante de seu gigantesco fandom global. “Nós somos, nós somos à prova de balas para sempre”, canta o BTS no refrão. “(Sim, chegamos ao céu)/(Sim, temos vocês, temos vocês)/Sim, não somos sete, com vocês.” —N.M.

37º lugar: “Hold Me Tight”

As notas suaves de um piano escorrem até que uma batida de R&B assume o controle, e RM entoa: “Enquanto esvazio meu copo, ele se enche da minha saudade de você.” É um amor que parece estar desaparecendo, e não há nada a fazer além de implorar e se agarrar à esperança cada vez mais frágil de recuperar o que foi perdido. A balada marca o primeiro crédito de V como compositor e o início de uma sonoridade ainda mais introspectiva e multidimensional para a música do grupo. —N.M.

36º lugar: “Intro: Singularity”

A sensual faixa de abertura de V em Love Yourself 轉 ‘Tear’ explora seus pontos fortes, destacando seu rico barítono, assim como sua adorada e discreta excentricidade. A faixa de neo-soul é sedutora e misteriosa, enquanto o cantor reflete sobre a máscara que usa para esconder suas emoções. “Mesmo nos meus sonhos momentâneos, as ilusões que me atormentam continuam as mesmas”, canta V. “Eu me perdi ou encontrei você?” Para alguém que costuma ser tão vulnerável, aqui ele mantém suas cartas bem próximas ao peito. Mas fica claro que V aprecia a expectativa de, algum dia, ter uma mão ainda mais forte para jogar. —N.M.

35º lugar: “Butter”

O BTS promoveu uma celebração mais do que necessária em maio de 2021 com um earworm de verão tão suave quanto seu homônimo agridoce. Com seu ritmo contagiante e referências nas letras a Usher e Michael Jackson, a segunda música do BTS em inglês se mostrou a trilha sonora perfeita para um mundo que começava a olhar com esperança para uma nova estação, à medida que as medidas contra a pandemia eram flexibilizadas. O fato de a faixa dançante e provocante, indicada ao Grammy, ter recebido diversos remixes (“Hotter”, “Sweeter”, “Cooler” e uma versão com participação de Megan Thee Stallion) apenas aumentou seu charme, assim como seu período no primeiro lugar de várias paradas (quase um ano depois, ela ainda liderava a Billboard Hot Trending Songs). “Get it, let it roll”, de fato. —Althea Legaspi

34º lugar: “Hooligan”

O som de facas sendo afiadas convive com exuberantes arranjos de cordas nesta caótica música de hip-hop. Produzida por El Guincho (Rosalía), “Hooligan” é repleta de batidas de trap e bumbos que impulsionam a faixa sem concessões. O BTS se destaca ao escrever músicas nas quais raps pesados se encaixam perfeitamente com vocais ricos. Mas, aqui, eles mergulham em seu lado sarcástico, chegando a soar um tanto descontrolados enquanto executam o trio rítmico de “Ha-ha-ha ha-ha-ha ha-ha-ha ha-ha-ha ha ha, hooligan”. Durante uma aparição em Nova York, RM brincou que a sequência de “ha-has” debochados era mais difícil de executar do que ele esperava. “JK escreveu essa parte”, disse, “mas eu realmente odeio porque é muito difícil de fazer.” Ainda assim, é a culminação de todas as coisas desafiadoras que o BTS conquistou e que o levaram ao topo. Quando cantam “Qual é o futuro?/Onde está o agora?”, eles mesmos oferecem uma resposta inegável: “Isso é internacional/Torne isso inesquecível.” Missão cumprida. —Jae-Ha Kim

33º lugar: “House of Cards”

Há uma razão para um vídeo gravado por um fã da performance ao vivo da linha vocal nessa música ter acumulado mais de 13 milhões de visualizações. “House of Cards” é facilmente uma das faixas mais sensuais do grupo, oferecendo um drama sexual intenso sobre uma melodia orquestral digna de integrar a trilha sonora de Cinquenta Tons de Cinza. E, enquanto Jin, Jung Kook, Jimin e V hipnotizam ao cantar sobre um relacionamento condenado cujas paredes finas como papel ameaçam desabar, é difícil imaginar por que alguém iria querer ir embora. —N.M.

32º lugar: “Lie”

Tensa e sinistra, a faixa solo de Jimin em Wings transforma a qualidade normalmente doce do tenor agudo do vocalista em um grito assombroso, trêmulo e angustiado, enquanto ele canta sobre se afogar na autoilusão e na insegurança. Há até mesmo um aspecto desesperado na coreografia moderna usada por Jimin para ilustrar a faixa, revelando que o lugar mais assustador para olhar não está debaixo da cama — está dentro de nós. —N.M.

31º lugar: “Trivia 轉: Seesaw”

Quem esperava os característicos versos rápidos de Suga e as batidas contundentes de hip-hop ficou agradavelmente surpreso com a mudança de rumo do rapper em Love Yourself 結 ‘Answer’. Suga, sempre disposto a subverter expectativas, canta sobre uma leve e divertida melodia a respeito de um relacionamento preso em um “jogo de gangorra” — os altos e baixos constantes e implacáveis. Jogos mentais cansam. Mas, quando se trata de conhecer esse lado vulnerável do rapper, essa é uma coisa da qual os fãs provavelmente nunca vão se cansar. —N.M.

30º lugar: “Outro: Wings”

A faixa que encerra Wings é um desfecho apropriado para o que é amplamente considerado um importante ponto de virada na carreira do BTS. “Abram, abram, abram minhas asas”, cantam os integrantes sobre uma expansiva batida de EDM — uma sonoridade que, anos depois, ecoaria em arenas e estádios ao redor do mundo. A música é repleta de promessas, cantada por um grupo que já olhava para o céu, pronto para voar mais alto do que qualquer um poderia ter previsto. —N.M.

29º lugar: “Intro: Persona”

Em “Intro: Skool Luv Affair”, de 2014 (sampleada para esta batida neo-Dust Brothers), Rap Monsta aconselha J-Hope e Suga com firmeza: “Como a vida pode ser sempre esperançosa? Esse não é o estilo Bangtan… O estilo Bangtan é hip-hop.” Cinco anos é uma eternidade para um ídolo e, embora RM já fosse um mestre na construção de sua carreira em 2019, sua identidade está em crise ao longo da implacavelmente introspectiva “Intro: Persona”, a faixa de hip-hop mais inabalável do BTS. —C.A.

28º lugar: “Louder Than Bombs”

Esta balada sorrateiramente ambiciosa, coescrita pelo rebelde do pop queer Troye Sivan, constrói uma câmara de eco de emoções confusas e despidas de qualquer proteção, conduzida por um baixo profundamente oscilante, uma atmosfera irregular de dream pop e harmonias agudas e precisas. Enquanto as confissões de fraqueza e a resistência angustiada dos rappers reverberam (Suga praticamente rosna sobre se revirar na merda), os diferentes estágios da vida expressos na música — desilusão amorosa, isolamento, autoafirmação — explodem em níveis igualmente convulsivos. Reconhecendo as ondas de desespero que todos enfrentam, o BTS promete, no refrão final e arrebatador, lutar e cantar para sempre. —C.A.

27º lugar: “Epilogue: Young Forever”

O hino que serviu como single principal de The Most Beautiful Moment in Life: Young Forever é emblemático da filosofia do BTS por diversos motivos: é uma celebração da juventude e da conexão; é uma das primeiras verdadeiras “fan songs” que se tornou símbolo da relação da banda com seu público; e marca o primeiro crédito de RM como produtor. Passando habilmente de um rap contundente para vocais exuberantes, “Young Forever” mostra a banda em seu momento mais nostálgico, mas sempre triunfante: “Mesmo que não exista uma plateia eterna, eu vou cantar”, comemora J-Hope. “Desejo permanecer para sempre como sou hoje — desejo permanecer para sempre como um garoto.” —N.M.

26º lugar: “Into the Sun”

Em seu documentário BTS: The Return, os integrantes refletem sobre a impermanência do tempo. “Into the Sun” é a promessa de que, enquanto a ARMY existir, o BTS também existirá. Com pouco menos de quatro minutos, esta faixa contagiante se desenrola como um filme de arte. O primeiro minuto começa com harmonias inesperadas processadas por vocoder, fazendo o BTS soar como um grupo de country e western consciente de como palavras doces podem partir corações (“Baby, você me lembra/Quero alguém como você/O fogo nunca se apaga”). Mas, quando a linha de rappers entra no segundo minuto, “Into the Sun” se torna mais intencional em sua promessa de amor, desejo e devoção. É o final arrebatador, exuberante e hinódico, porém, que reforça o alto QI emocional do septeto. O BTS está nesta vida Bangtan para sempre com a ARMY e sempre os seguirá rumo ao sol. —J.H.K.

25º lugar: “Serendipity”

A mais delicada das canções de amor, cantada pela mais delicada das vozes de tenor, a etérea “Serendipity” faz um simples pedido ao ouvinte: “Apenas deixe-me amar você.” Jimin se maravilha com a vastidão do universo e a beleza dos acasos felizes — “O futuro se moveu por nós”, canta — e desenvolve seus sentimentos por meio de metáforas encantadoras como “Você é minha penicilina que me salvou” e “Eu sou seu gato malhado que veio encontrar você”. O futuro pode estar cheio de incertezas, mas estamos aqui, não estamos? —N.M.

24º lugar: “Butterfly”

Uma respiração profunda e, então, Jung Kook quase sussurra: “Não pense em nada, não diga nenhuma palavra — apenas sorria para mim.” Um violão hesitante embala a melodia como um mar suave e ondulante enquanto os vocalistas cantam sobre o medo de perder algo tão frágil e delicado quanto uma borboleta. Mas a faixa revela sua verdadeira beleza quando o refrão orquestral se abre como um par de asas coloridas e alça voo. —N.M.

23º lugar: “Euphoria”

Sintetizadores que soam como pequenos sinais e uma percussão leve, saltitante como uma máquina de pinball, parecem anunciar uma iminente euforia provocada por uma descarga de dopamina. Em vez disso, todo o processamento e ajuste digital apenas revelam a profundidade da voz carregada de desejo de Jung Kook — não mais um garoto, ainda não um homem, ainda não muitas outras coisas. É inesperada, muito real e uma das músicas solo mais bem-sucedidas de um integrante do BTS até então. —C.A.

22º lugar: “BTS Cypher Pt. 2: Triptych”

Na segunda faixa de Cypher de RM, Suga e J-Hope, o trio desfere um ataque contundente, inflamado e deliciosamente profano contra seus críticos da comunidade hip-hop, que insistem em tentar desacreditá-los. A música começa com a atitude característica do grupo enquanto eles estabelecem o cenário — “Somos sete lobos, conduzindo as ovelhas que são os aplausos”, provoca J-Hope —, mas a batida de repente muda para uma velocidade alucinante enquanto os rapazes disparam versos em ritmo frenético. “Hyungs cegamente possuídos, cheios de orgulho e convicções estranhas, ficam chocados com meus oito compassos”, diz RM; “Olhe para esses velhos teimosos do hip-hop, pregando com seus pescoços rígidos/Quando vocês tocam no underground, o BTS toca no mainstream”, afirma Suga. —N.M.

21º lugar: “Mic Drop”

“Mic Drop” já foi apresentada no Ellen, no Kimmel, no Corden, no SNL e no Jingle Ball, só para citar alguns, e não é difícil entender o motivo. A faixa foi originalmente lançada em Love Yourself: Her e depois remixada por Steve Aoki. A letra, que contou com contribuições de RM e J-Hope, traz uma mensagem para aqueles que duvidaram do BTS, com referências ao sucesso global incomparável do grupo. “Mic Drop” também ganha uma quebra de dança inacreditável quando apresentada ao vivo, e a versão em que os integrantes usam seus figurinos personalizados da Dior é a cereja do bolo. —K.K.

20º lugar: “Pied Piper”

O movimento conceitual mais ousado do grupo passa da confissão à autoflagelação e, então, a uma encenação explícita da elaborada rotina de sedução do pop (“Sou seu prazer proibido/Você não pode escapar, nunca”). A letra não tenta esconder a mensagem da música — uma repreensão surpreendente aos fãs do BTS por seu comportamento obsessivo e pouco saudável. Em alguns momentos, é como se a faixa quisesse parecer ainda mais viciante — repetindo exatamente a mesma melodia várias vezes (algo incomum para o BTS) e empilhando camadas vocais até o limite para criar um efeito coral extremo. Quando Jung Kook e, mais tarde, Jin cantam “Estou aqui para salvar você/Estou aqui para destruir você”, o resultado é uma dose poderosamente perturbadora de realidade de uma estrela pop. —C.A.

19º lugar: “Boy in Luv”

Em “Boy in Luv”, é o caráter autodepreciativo da angústia do BTS que torna a música encantadora: “Por que continuo olhando sua foto de perfil se ela é a mesma?”, canta J-Hope. Junte isso a algumas atuações memoráveis em nível de novela televisiva no videoclipe e a um refrão de rock grandioso, e você tem uma saga de amor juvenil que vai levá-lo de volta aos rabiscos feitos no tênis durante a aula de ciências da oitava série. —N.M.

18º lugar: “Magic Shop”

Criada especificamente para a ARMY do BTS, esta exuberante mistura de confissão e testemunho foi inspirada pelo livro The Magic Shop: A Neurosurgeon’s Quest to Discover the Mysteries of the Brain and the Secrets of the Heart. Produzida por Jung Kook, a música muda habilmente de clima a cada verso dos integrantes e, então, ascende suavemente enquanto o coro completo de ídolos entoa mantras empáticos. Pode se deixar levar pela emoção. —C.A.

17º lugar: “2! 3!”

Mais do que qualquer outra coisa, “2! 3!” é uma promessa. No lado B de Wings: You Never Walk Alone, o grupo incentiva os fãs a encontrar conforto no BTS independentemente dos desafios e, juntos, esperar por um futuro mais brilhante. Basta fechar os olhos e contar “1, 2, 3” para esquecer o passado difícil. “Vamos caminhar apenas pelo caminho das flores”, canta RM. —N.M.

16º lugar: “Ugh!”

O trio de MCs do BTS destrói aqui a batida mais pesada sobre a qual já rimaram (um salve para o produtor Pdogg). É a resposta do grupo a “Tear Da Club Up”, do Three 6 Mafia, ou “Knuck If You Buck”, do Crime Mob. Enquanto você enlouquece ao som do refrão áspero, agitado e convulsivo — “Ugh!” soa como “Wook!” em coreano — Suga, RM e J-Hope mergulham no papel da raiva no aquário da internet. —C.A.

15º lugar: “Just One Day”

Depois de lançar um trio de singles de hip-hop contundentes — “No More Dream”, “We Are Bulletproof Pt 2.” e “N.O” —, o BTS desacelerou com uma faixa suave e acolhedora de R&B que destaca o estilo açucarado da linha vocal. Os integrantes descrevem como seria um dia perfeito ao lado da pessoa amada — “Vamos nos encontrar quando as ipomeias florescerem e nos separar quando elas murcharem”, propõe RM. É um devaneio agridoce para aqueles que raramente têm um dia livre para aproveitar, mas existe beleza em se permitir ficar perdido. —N.M.

14º lugar: “Paradise”

Uma música de mensagem discretamente poderosa disfarçada de R&B sinuoso dos anos 2000, “Paradise” surgiu a partir da participação de Suga no vídeo de Ano-Novo do grupo em 2018. Depois de desejar que os sonhos dos fãs se tornassem realidade, ele acrescentou: “se você não tem um sonho, tudo bem também”. O grupo abraçou esse sentimento tão BTS, tão Love Yourself, e o resultado é um refrão doloroso e inesquecível (“Tudo bem não ter sonhos”), entoado por Jimin em seu melhor momento, capaz de derreter corações. —C.A.

13º lugar: “Dis-ease”

No auge da pandemia, chegou o quinto álbum do BTS, Be, trazendo consigo uma dose generosa de esgotamento. “Dis-ease” aborda o peso dessa fadiga tão identificável com uma leveza inesperada, graças a uma batida saltitante de hip-hop old school da dupla de produtores de Brooklyn Basstracks e ao inteligente jogo de palavras do BTS (“trabalho” em coreano, 일, soa como a palavra inglesa “ill”, “doente”). Mas, à medida que a frustração cresce e finalmente chega ao clímax, surge a verdadeira catarse: uma explosão final vibrante, acompanhada por trompetes. —N.M.

12º lugar: “Run”

Depois da explosão de EDM-pop de “I Need U” (o primeiro Top 10 do BTS na parada coreana), “Run” se contorce em emoções agridoce e frenéticas. Uma introdução elegante de jazz-blues urbano dá lugar a RM e Suga rimando de maneira objetiva sobre as dores ardentes de encontrar uma verdadeira alma gêmea pela primeira vez. Mas a música avança quando V, Jung Kook e Jimin entram; suas vozes são ao mesmo tempo ofegantes e conformadas (“Amaldiçoe-me, destino tolo!”), e essa onda de empatia nunca desaparece. Ser jovem e perdido no amor é como correr com os pés cortados e machucados. Você cai e chora. Pode ser imprudente ou uma ilusão tola. Mas não pare; continue sempre correndo. —C.A.

11º lugar: “Boyz With Fun”

É com esta faixa agitada de 2015 que o BTS (também conhecido como Bangtan Sonyeondan) nos apresenta o 흥탄소년단 (heungtansonyeondan), seus alter egos divertidos e cheios de energia. “Sim, estamos aqui, ah, garotos que sabem se divertir”, eles gritam em um ritmo a cappella. Repleta de momentos de pergunta e resposta, jogos de palavras ágeis e uma ponte quase improvisada, a faixa funky é uma festa completa. E lançada em uma época em que o septeto se afastava de suas raízes de hip-hop mais livres e se aproximava de um pop mais sincero, “Boyz With Fun” serviu como um lembrete de que o BTS sempre preservaria um pouco do brilho de sua juventude sem amarras. —N.M.

10º lugar: “Dope”

O videoclipe irresistivelmente cinético de “Dope” foi uma das primeiras revelações do BTS para o público ocidental. Apresentados como jovens trabalhadores, bem-vestidos, que não perdiam tempo em baladas e que, por acaso, eram cantores e rappers inimaginavelmente adoráveis e fabulosamente expressivos, os integrantes do BTS se moviam como uma inteligência artificial especializada em B-boy ao som do saxofone contagiante e estrangulado de Pdogg (claramente inspirado no saxofone abafado de Flo Rida em “GDFR”, por meio do remix de “Low Rider”, do War, feito por Lookas). O clipe continua incrível. —C.A.

9º lugar: “I Need U”

Aquele suave e brincalhão som de sopro sintetizado se repete enquanto o rap amoroso de Suga passa do choroso ao rancoroso, e uma onda de energia EDM começa a crescer. De repente, V surge em êxtase, lamentando “Tudo/Tudo” como se fosse sua última palavra. Caixas de bateria aceleradas liberam um refrão de dubstep para todas as idades, enquanto Jimin e Jung Kook alternam o pedido épico e emo: “Eu preciso de você, garota!”. Mas, no fim das contas, “I Need U” soa poderosa hoje porque foi a música em que o BTS decifrou o código, consolidou seu som, conquistou um grande sucesso em casa e deu as boas-vindas a todos nós ao Universo Bangtan. —C.A.

8º lugar: “Blood Sweat & Tears”

A investida mundial do BTS começou com esta bomba de glitter arquetípica, que é ao mesmo tempo sincera e sedutora. Destacando os falsetes lindamente fluidos de Jimin, V e Jung Kook, os produtores fazem brisas de tropical house flutuarem sobre uma batida inquieta de reggaeton, com sintetizadores sedutores que praticamente pedem seu número de telefone. O gancho vocal sintetizado é uma explosão saltitante de energia, e os toques de glockenspiel, sinos, guitarra em cascata e palmas são tão atraentes que você nem precisa de uma versão simplificada de EDM. Além disso, RM canta sobre “pêssegos e creme” como se estivesse relaxando em uma espreguiçadeira, enquanto J-Hope quer beber você como uísque. —C.A.

7º lugar: “Black Swan”

Em 2015, o BTS já revelava sua sensação de alienação em relação ao estrelato pop, com Suga cuspindo: “OK, somos incríveis da cabeça aos pés/Passamos mais da metade do dia mergulhados no trabalho/Mesmo que nossa juventude apodreça no estúdio”. “Dionysus” elevou a angústia; e, aqui, eles temem que sua paixão artística tenha desaparecido. Cercados por cordas sintéticas pensativas e uma clap cavernosa de 808, os gritos estranhamente processados por Auto-Tune do grupo são absorvidos pela massa narcótica e enevoada do cloud rap. Como se estivessem presos no vazio reluzente do videoclipe, sete figuras descalças em ternos pretos sob medida se curvam, estalam e se contorcem. —C.A.

6º lugar: “Body to Body”

Indiscutivelmente a faixa mais criativa e memorável de Arirang, “Body to Body” começa com uma introdução sombria e futurista e, mais tarde, inclui um sample de “Arirang”, uma das músicas mais famosas da Coreia. “Se você é coreano, todo mundo conhece [‘Arirang’]”, disse RM à Rolling Stone. “Todos nós temos raízes na Coreia.” Frequentemente considerada o hino não oficial do país, “Arirang” é uma canção sobre resiliência e dificuldades. O brilhantismo de “Body to Body” está na justaposição entre batidas e sintetizadores modernos de hip-hop e o melancólico gayageum (instrumento de cordas coreano) e o janggu (tambor em formato de ampulheta). Esse sample de 30 segundos eleva tanto o clima quanto a qualidade tonal de “Body to Body”, ao mesmo tempo em que apresenta parte da história musical da Coreia aos fãs internacionais. Mas, justamente quando os ouvintes entram em transe perto do fim da música, RM rima sobre uma batida propulsiva: “Preciso que o estádio inteiro pule!”. —J.H.K.

5º lugar: “Silver Spoon (Baepsae)”

A configuração do grupo, que combina cantores e rappers, é particularmente poderosa neste “foda-se” millennial aos estereótipos condescendentes e antigos. Para apreciar os diversos níveis dos versos, é necessário recorrer à tradução na internet e ter algum conhecimento geral da sociedade coreana, mas a batida de trap supercarregada dá um tapa na sua cara quando Jung Kook canta “BANG BANG” ou “Você só pode estar brincando comigo!”. E não é surpresa descobrir que ele está reagindo a uma situação familiar — profissionais de classes privilegiadas esperando que jovens de origens difíceis se esforcem sempre mais e tenham sucesso em empregos entediantes que pagam com “experiência”. O título coreano, “Baepsae”, significa “pássaro pequeno” ou “crow tit”, derivado de um provérbio coreano que diz, mais ou menos, para cada um ficar em seu lugar quando nasce em determinada classe social. Tanto um exercício de ostentação do rap quanto um hino geracional, “Silver Spoon (Baepsae)” chega com força. —C.A.

4º lugar: “Burning Up (Fire)”

Suga dá o pontapé inicial, entoando de maneira direta: “Está pegando fogo”. Então, uma pista de snares de house com ritmo entrecortado, ataques de metais e sintetizadores selvagens e cortantes enviam os garotos para um irresistível canto coletivo do título: “Fiyah, oh-aye-oh!”. Mas é o espírito ousado, quase debochado, à la Beastie Boys, de J-Hope e Suga que estabelece o tom (embora as próprias letras expressem uma frustração dolorosa). A energia dos rappers só aumenta à medida que a batida de dubstep açucarada vai e volta e os bumbos pulsam. O idioma (uma mistura de coreano e inglês) não é uma barreira para o conteúdo; “Fire” é claramente um chamado aos jovens, independentemente de país, origem econômica ou situação de depressão, para se animarem e colocarem fogo nas restrições de classe, nos críticos que os menosprezam ou nas próprias inibições. —C.A.

3º lugar: “Ddaeng”

O BTS é frequentemente celebrado por suas performances impecáveis, mas, desde o início, sua arma mais poderosa sempre foram as palavras. É o caso de “Ddaeng”, uma faixa de diss sofisticada que responde às críticas frequentemente feitas ao grupo por sua habilidade no rap pela cena hip-hop sul-coreana. Criada especialmente para o quinto aniversário do BTS, em 2018, a música lançada no SoundCloud mostra RM, Suga e J-Hope brincando habilmente com seis significados diferentes da palavra “ddaeng” — entre eles, “errado” e “(você) acabou” — sobre uma batida construída com instrumentos tradicionais coreanos. “Estamos sendo destruídos, então obrigado/Por nos ignorarem até agora, obrigado/Graças a vocês: estádios, domos, Billboard”, dispara Suga. É tão mordaz quanto revigorante e deixa pouco espaço para dúvidas de que o BTS conquistou o direito de ter a palavra final. —N.M.

2º lugar: “Save Me”

É aqui que todo mundo deveria se apaixonar pelo BTS, e onde todo nerd da música deveria apreciar sua genialidade pop perfeccionista (ou a “produção de QI 400”, como disse um produtor no YouTube). Só o primeiro verso de Jimin já é uma interpretação dramática cantada com leveza, e o deslumbrante entrelaçamento de quatro vozes ao longo da música, feito por todos os vocalistas, é uma maravilha de técnica e sutileza. A instrumentação meticulosamente excêntrica — percussão que imita o tique-taque de um relógio, som de marimba escorrendo, a qualidade distante e melancólica das snares de EDM! — cria uma sensação de queda, fazendo com que o refrão pareça literalmente salvá-lo. Além disso, o fluxo vigoroso e preciso dos rappers poderia até arrancar um sorriso do Migos. —C.A.

1º lugar: “Spring Day”

Às vezes, as emoções mais complexas podem nascer das frases mais simples, e, em “Spring Day”, essa frase é “보고 싶다” — “Sinto sua falta”. Nesta poderosa balada, o BTS está preso em um inverno perpétuo, perdido em um luto e uma saudade que se manifestam em uma mistura de reflexões quase faladas e linhas melódicas arrebatadoras. “Desejo que este inverno termine/Quanta saudade precisa cair como neve/Antes que aquele dia de primavera chegue?”, rima RM. Embora se entenda amplamente que a letra tenha sido originalmente inspirada pelo desastre da balsa Sewol, de 2014, o sentimento atemporal da música causa um impacto emocional universal, transcendendo país, cultura e idioma. E o broto de esperança oferecido pelo BTS no final — “A manhã chegará novamente/Pois nenhuma escuridão ou estação pode durar para sempre”, cantam — é o motivo pelo qual eles cultivaram um jardim de flores. —N.M.

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