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Tudo o que Frank Ocean fez desde 2016 além de lançar um álbum

De fundar uma marca de luxo a estrear como diretor de cinema, o artista tem se mantido ocupado desde o lançamento de ‘Blonde’

Kadu Soares (@kadusoares__)

Frank Ocean
Frank Ocean se apresenta no festival Parklife, em junho de 2017 (Foto: Visionhaus#GP/Corbis via Getty Images)

Já se passaram oficialmente dez anos desde que Frank Ocean lançou Blonde (2016), um dos álbuns mais importantes da história do pop e do R&B contemporâneo. Em 2024, a Apple Music elegeu o trabalho como o quinto maior disco de todos os tempos, atrás apenas de nomes como Prince e The Beatles — e a Rolling Stone o incluiu na lista dos 500 maiores álbuns da história. Uma obra que só cresce com o tempo.

Claro, o aniversário de Blonde também significa que se passou uma década desde que Frank Ocean lançou seu último álbum. É verdade que houve prévias aqui e ali, participações, um programa de rádio, um retorno polêmico ao Coachella e rumores constantes, mas nada que se aproximasse de um novo disco. Nesse meio tempo, o artista expandiu sua atuação para a moda, o cinema e o digital, sempre do seu jeito: misterioso, caprichoso e completamente nos seus próprios termos.

Para celebrar os dez anos de Blonde, compilamos tudo o que manteve Frank Ocean ocupado desde 2016. Prepare-se. É muita coisa.

2016: Lançou uma revista de quase 400 páginas junto com Blonde

@okmilmil A rare Frank Ocean Magazine #frankocean #blond #boysdontcry ♬ original sound – Mil🖖🏽

No mesmo dia em que Blonde chegou ao mundo, Frank Ocean lançou a Boys Don’t Cry, uma revista de quase 400 páginas distribuída gratuitamente em pop-ups selecionados ao redor do mundo. O projeto reunia textos e contribuições de Kanye West, Tyler, the Creator, A$AP Rocky e James Blake, entre outros, incluindo um rap de Kanye sobre o McDonald’s e um poema de Tyler sobre carros chamado “Tricolor”. Havia ainda fotografias tiradas pelo próprio Frank Ocean, ensaios visuais e uma coleção de tudo que define sua estética: carros, introspecção e referências filosóficas. Por ser distribuída gratuitamente mas em quantidade limitada, a revista se tornou um objeto de desejo imediato — e chegou a ser revendida no eBay por valores entre US$ 250 e US$ 1.000. Em 2019, Ocean relançou uma nova edição por US$ 80 no site oficial.

2017: Lançou singles solo, colaborações e Blonded Radio

Depois de Blonde, Frank Ocean não ficou completamente em silêncio. Em 2017, lançou três singles solo: “Chanel”, “Biking”, com Jay-Z e Tyler, The Creator, e “Lens”. No mesmo ano, emprestou sua voz para “Slide”, de Calvin Harris com Migos, e “RAF”, do coletivo A$AP Mob. Não era um álbum, mas era suficiente para manter os fãs aquecidos.

Também em 2017, Frank Ocean lançou o Blonded Radio, seu programa na Apple Music, que ao longo dos anos funcionou como um espaço informal para estrear novas faixas, remixes e raridades. Para os fãs, o programa sempre foi a forma mais próxima de ter acesso ao universo sonoro do artista — mesmo quando ele sumia por meses.

2018: Lançou uma versão intimista de “Moon River”

Em 2018, Frank Ocean lançou sua releitura de “Moon River”, a clássica canção de Henry Mancini e Johnny Mercer eternizada por Audrey Hepburn em Breakfast at Tiffany’s (1961). Simples, delicada e completamente fora do circuito comercial, exatamente o tipo de lançamento que só ele faria.

2019: Voltou com sons eletrônicos em “DHL” e “In My Room”

Dois anos depois dos singles de 2017, Frank Ocean retornou com uma energia diferente: “DHL” e “In My Room” chegaram com batidas mais eletrônicas e voltadas para o clube, abrindo espaço para especulações sobre uma nova direção musical. Nenhum álbum se seguiu.

Anos depois, em setembro de 2025, as especulações ganharam um nome: fãs começaram a circular a ideia de que as faixas fariam parte de um projeto chamado Look At Us, We’re In Love, supostamente descartado em 2019. Frank Ocean foi ao Instagram desmentir. “Não exatamente. Para preservar a posteridade… Look At Us, We’re In Love foi uma tentativa inicial de título para minhas noites em clubes de NYC antes de eu decidir por um. Várias dessas são geradas por IA ou falhas na minha memória”, escreveu. Foi uma das raras vezes em que o artista se pronunciou publicamente sobre os rumores que o cercam.

2020: Lançou “Dear April” e “Cayendo”

Em abril de 2020, Frank Ocean disponibilizou nas plataformas de streaming duas baladas acústicas que já circulavam entre seus fãs: “Dear April” e “Cayendo”. As duas músicas se tornaram os últimos lançamentos oficiais do artista até hoje.

2021: Fundou a Homer, sua marca de luxo

Homer
Fachada da Homer, nos EUA (Foto: Reprodução/Homer)

Em agosto de 2021, Frank Ocean lançou a Homer, descrita como uma “companhia de luxo independente americana”. A primeira coleção apresentava joias de alto padrão e lenços de seda, todos produzidos na Itália com diamantes fabricados em laboratório nos Estados Unidos. O nome Homer foi escolhido para representar a ideia de “esculpir a história na pedra”. Os preços das peças variam entre £53 e £9.304 — algo em torno de R$ 319 a R$ 56 mil. Uma marca construída nos mesmos moldes do artista: sem ruído, sem alarde, com muita personalidade — e com preços à altura.

2021: Levou um bebê robô verde ao Met Gala

Frank Ocean
Frank Ocean no Met Gala, com seu bebê robô verde, em setembro de 2021 (Foto: Jeff Kravitz/FilmMagic)

Na edição de 2021 do Met Gala, Frank Ocean apareceu no tapete vermelho carregando um bebê animatrônico verde chamado Cody — e usando um terno da Prada complementado por joias da sua própria marca, a Homer. O bebê robô, de pele esverdeada e olhos azuis, se movia, piscava e reagia durante a aparição.

Em entrevista para a Vogue com Keke Palmer, Ocean disse que o visual era inspirado na “magia do cinema” e na América — tema da edição daquele ano. A internet não sabia se ria ou ficava confusa. Os dois, provavelmente.

2023: Foi atração principal no Coachella

O retorno de Frank Ocean aos palcos, após seis anos longe, aconteceu no Coachella 2023 — e foi tão aguardado quanto caótico. O show original era ambicioso: uma pista de patinação no gelo montada no palco, com mais de 100 patinadores — alguns olímpicos — que haviam ensaiado por semanas e chegaram ao festival prontos para se apresentar. Mas Ocean sofreu uma fratura e uma entorse no tornozelo esquerdo em um acidente de bicicleta nos dias que antecederam o show e, na última hora, decidiu abandonar o gelo, os patinadores e toda a produção planejada. A pista foi desmontada e o palco, reconfigurado em 72 horas, e os patinadores foram avisados apenas três horas antes de Ocean subir ao palco.

O resultado foi uma apresentação que começou com mais de uma hora de atraso, sem transmissão ao vivo, com Ocean sentado durante boa parte do tempo. Ocean entregou versões remixadas de clássicos como “Bad Religion” e “White Ferrari”, explicou que o show era uma homenagem ao irmão Ryan Breaux, morto em um acidente de carro em 2020, e encerrou abruptamente com uma versão de “At Your Best (You Are Love)”, citando o toque de recolher. No segundo fim de semana, se machucou e cancelou.

2023: Postou uma prévia inédita no Instagram

 

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Em novembro de 2023, Frank Ocean publicou um trecho de música inédita no Instagram Stories — a primeira prévia de material novo em quase três anos. Semanas depois, em dezembro, postou um vídeo dançando para outra faixa inédita, não identificada oficialmente, mas apelidada pelos fãs de “Boundaries/Younger Self”. Como sempre, nenhuma explicação. Nenhum lançamento. Apenas o suficiente para manter todo mundo esperando.

2025: Está dirigindo seu primeiro filme — com a A24

Frank Ocean
Frank Ocean no Met Gala, fotografando os convidados, em maio de 2019 (Foto: Dimitrios Kambouris/Getty Images for The Met Museum/Vogue)

Em janeiro de 2025, foi confirmado que Frank Ocean está escrevendo e dirigindo seu primeiro longa-metragem, produzido pela A24, estúdio responsável por Midsommar (2019) e pela série Euphoria (2019). O ator britânico David Jonsson, vencedor do BAFTA Rising Star Award 2025 e conhecido por Alien: Romulus (2024) e pela série Industry (2020), está no papel principal. A canadense Taylor Russell também é apontada como parte do elenco, embora não confirmada oficialmente.

As filmagens começaram no México e o título, o enredo e a data de lançamento seguem sob sigilo absoluto. Se Blonde foi um álbum que redefiniu o que a música pop poderia ser, talvez o cinema seja o próximo lugar onde Frank Ocean vai nos surpreender.

2025: Uma música inédita de Frank Ocean apareceu num vídeo de lutador do UFC

Um dos acontecimentos mais inesperados da saga pós-Blonde: em março de 2025, um trecho de música inédita de Frank Ocean apareceu no YouTube dentro de um vídeo do lutador do UFC Payton Talbott — alguém com quem Ocean teria um vínculo afetivo, já que o artista havia publicado Talbott nas redes sociais no Dia dos Namorados. A faixa não foi identificada oficialmente, mas foi nomeada pelos fãs como “Diary“. E não foi lançada. Claro.

2026: Foi filmado caminhando pelas ruas de Tóquio

 

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No final de maio de 2026, um fã filmou Frank Ocean caminhando com tranquilidade pelas ruas de Tóquio, no Japão. O vídeo — capturado de forma discreta, sem que o artista parecesse se incomodar — viralizou rapidamente nas redes sociais por mostrar um dos artistas mais reclusos do mundo em um momento completamente corriqueiro de sua vida cotidiana. O registro logo foi retirado do ar.

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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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