PERTO DO FIM

A banda do Bangers Open Air 2026 que está prestes a se aposentar

Vocalista do grupo de hard rock, que tocará no festival em São Paulo, planeja encerrar turnês globais para focar em outros estilos

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Kip Winger e Reb Beach durante show do Winger em 2014 (Foto: Larry Marano / Getty Images)
Kip Winger e Reb Beach durante show do Winger em 2014 (Foto: Larry Marano / Getty Images)

Os fãs de hard rock que forem ao Memorial da América Latina em abril para o festival Bangers Open Air terão a oportunidade de presenciar um dos últimos capítulos da trajetória do Winger.

Confirmada no lineup do evento, a banda americana liderada pelo vocalista e baixista Kip Winger está em meio a uma turnê anunciada como de despedida pelo artista.

De acordo com declarações recentes do colega Reb Beach, a decisão de parar partiu basicamente do próprio Kip. O guitarrista revelou ao TotalRock (via Ultimate Guitar) que a principal motivação é o desgaste que o frontman vem tendo para cantar:

“Kip me disse há alguns anos: ‘Vou encerrar isso — não quero mais cantar essas músicas, é muito, muito pesado para mim’. O show inteiro para ele, é… exige muita concentração da parte dele. Ele tem que se lembrar de abrir a garganta em certos momentos e pensar: ‘Ok, a parte difícil está chegando’. É pura concentração.”

Segundo o guitarrista, Kip Winger se sente frustrado com pequenas falhas que o público muitas vezes sequer consegue notar:

“Quando ele tem uma noite ruim, que a maioria das pessoas nem saberia que foi uma noite ruim, você nem percebe. É tipo: ‘Você está cantando de forma incrível! Você está louco?’ Mas para ele, se ele erra algumas notas, ele se cobra demais por isso. É simplesmente muito estressante para ele.”

O que diz Kip Winger

Complementando as razões para o fim da banda, Kip Winger também explicou em entrevista à White Line Fever TV (via site Igor Miranda) que não vai sentir falta da fama. Segundo ele, está mais interessado em outros tipos de música, como a clássica, do que no hard rock que o consagrou.

Ele explica:

“Tenho sido conhecido por toda minha vida. Mas nunca fui tipo: ‘ei, sou um rockstar’, ou nada assim. É fácil conversar com as pessoas. O que eu vou sentir falta é de tocar com esses caras que eu amo tanto, mas estou bem animado para seguir para esse outro mundo sobre o qual estou realmente inspirado, porque estou ouvindo tanta música.”

Kip deixou em aberto, porém, a possibilidade de apresentações pontuais no futuro, como em cruzeiros ou festivais específicos; Ainda citou, em tom de brincadeira, o exemplo do Kiss, que levou anos para se aposentar de verdade.

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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