'NEGAÇÃO'

A reação ‘devastadora’ de Paul McCartney à morte de John Lennon

Em novo documentário ‘Man on the Run’, filha de McCartney desmente críticas antigas sobre reação do astro dos Beatles

Gabriela Nangino (@gabinangino)

John Lennon e Paul McCartney, dos Beatles, em 1968 - Foto: Don Paulsen / Michael Ochs Archives / Getty Images
John Lennon e Paul McCartney em 1968 - Foto: Don Paulsen / Michael Ochs Archives / Getty Images

Quando John Lennon foi assassinado, em 8 de dezembro de 1980, seu ex-colega de banda dos Beatles, Paul McCartney, foi criticado pela forma “fria” como abordou a notícia. “Fiquei muito chocado, sabe?”, disse ele na época. “São notícias terríveis… Uma pena, não é?”. Segundo sua filha, Stella, porém, a reação pessoal de seu pai foi muito mais “emotiva” do que divulgado na mídia.

“Eu me lembro daquele momento”, disse Stella no documentário Man on the Run. “Lembro-me do telefone tocando. Lembro-me da maior reação que já vi, dele saindo da cozinha e indo para fora. Foi de partir o coração, realmente devastador.”

Paul McCartney: Man On The Run acompanha a trajetória do cantor entre o fim dos Beatles, em 1969, passando pela fundação do Wings em 1971 até o seu fim, em 1981, pouco após o assassinato de Lennon.

Sean Lennon, filho de John, também concedeu entrevista para o documentário. Ele afirmou que assistiu a entrevista polêmica de McCartney na época e considera a reação momentânea uma “incapacidade de processar a notícia”.

“Eu sempre reparava no olhar dele e no tom de voz. Parecia alguém realmente incapaz de processar o que estava acontecendo”, disse. “Ele parecia quase robótico, o que acho que algumas pessoas interpretaram como frieza, mas eu nunca interpretei dessa forma, porque eu entendia, mesmo naquela época, como era passar por algo tão terrível.”

Como Paul McCartney se sente hoje

Apesar dos desentendimentos ao longo da trajetória dos Beatles, McCartney e Lennon eram conhecidos antigos: McCartney começou sua carreira, em Liverpool, juntando-se a Lennon na banda precursora dos Beatles, os Quarrymen, em 1957, com apenas 15 anos de idade.

Alguns anos após a trágica morte do ex-colega, McCartney explicou que realmente não soube como lidar com sua profunda tristeza na frente de outras pessoas. “Provavelmente fiquei mais devastado do que a maioria das pessoas quando John morreu”, disse ao programa Good Morning Britain em 1985.

E eu estava passando por um luto pessoal intenso. Mas não sou muito bom em lidar com o luto em público. Então, no dia em que aconteceu, alguém enfiou um microfone na minha cara e perguntou: ‘Qual é o seu comentário?’ Todos os outros comentaristas apareceram com ótimos comentários: ‘Bem, John fará muita falta.’… Tudo o que eu consegui dizer foi: ‘Que pena.’ E foi como… eu não conseguia dizer nada além disso. Simplesmente não conseguia.

Quatro décadas mais tarde, o evento ainda lhe choca. “Não consigo pensar muito nisso. É como se tudo desmoronasse”, disse McCartney ao The Telegraph em 2020. “O que mais se pode pensar além de raiva e tristeza? Como em qualquer luto, a única saída é lembrar como era bom estar com John.”

Segundo ele, a negação foi uma reação necessária. “Porque não consigo superar esse ato sem sentido. Não consigo pensar nisso. Tenho certeza de que é alguma forma de negação. Mas a negação é a única maneira de lidar com isso”, explicou.

Dirigido pelo vencedor do Oscar Morgan Neville (A Um Passo do Estrelato), Man On The Run reúne imagens de arquivo exclusivas da trajetória do astro. Além de entrevistas com McCartney, suas filhas e Sean, o longa traz depoimentos de grandes nomes da música como Mick Jagger e Chrissie Hynde. Assista no Prime Video.

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Jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, Gabriela é mineira e apaixonada por arte e cultura. Ela também já foi dançarina e seu principal hobbie é conhecer todos os cinemas de rua de SP. Foi estagiária no Jornal da USP e, na Rolling Stone Brasil, fala sobre música, filmes e séries.
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