PONTO BAIXO

Por que ‘Fly on the Wall’ é o pior disco do AC/DC

Falta de boa mixagem não é único problema do álbum, que também sofre de repertório sofrível, com algumas das piores músicas da banda

Marcelo Vieira

Brian Johnson e Angus Young durante show do AC/DC em 1986 (Foto: Pete Still / Redferns via Getty Images)
Brian Johnson e Angus Young durante show do AC/DC em 1986 (Foto: Pete Still / Redferns via Getty Images)

Após Flick of the Swicth (1983), nono álbum de estúdio do AC/DC, qualquer general sensato teria buscado novas alianças. Ou refeito a tática.

Mas os guitarristas e irmãos Angus e Malcolm Young decidiram manter-se na mesma posição. Acreditavam que a pureza da causa era superior à eficácia da tecnologia dominante na produção de discos da época.

Antes a falta de uma boa mixagem fosse o único problema de Fly on the Wall (1985), estreia de Simon Wright na bateria. O repertório é sofrível, com fortes candidatas a pior música do AC/DC. Mal dá para entender o que Brian Johnson canta — isso, verdade seja dita, é um alento, dado o conteúdo lírico.

Os singles “Sink the Pink” e “Shake Your Foundations” refletem o auge do machismo do hard rock dos anos 80. O título da primeira é uma gíria de baixo calão para o ato sexual; na segunda, metáforas da construção civil são utilizadas para reduzir o corpo feminino a objeto de prazer descartável.

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Marcelo Vieira é jornalista graduado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA) com especialização em Produção Editorial pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Escreve sobre música desde 2006, com resenhas, matérias e entrevistas publicadas em veículos do Brasil e do exterior. Atualmente, colabora com os sites IgorMiranda, MetalBite (EUA) e SleazeRoxx (Canadá), além da revista Roadie Crew. Como tradutor, assinou as versões em português de obras como Iron Maiden: Infinite Dreams e The Beatles: Get Back, bem como biografias de artistas como Chris Cornell e Scott Weiland e de bandas como Deep Purple, R.E.M. E Van Halen.
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