"APENAS RECEBIA UMA LIGAÇÃO"

Criador do logo do AC/DC nunca conheceu os músicos da banda

Apesar de ter concebido uma das identidades visuais mais icônicas do rock, designer jamais teve contato direto com os irmãos Young ou Bon Scott

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

AC/DC no Brasil em 2026 (Foto: Mauricio Santana / Getty Images)
AC/DC no Brasil em 2026 (Foto: Mauricio Santana / Getty Images)

O logotipo do AC/DC — com suas letras pontiagudas em estilo gótico e o raio no centro — costuma ser reconhecível em qualquer lugar do mundo. No entanto, para seu criador, o designer gráfico Gerard Huerta, o trabalho foi encarado como apenas mais uma encomenda em sua prancheta.

Em entrevista recente ao podcast Metal Mayhem ROC (via Brave Words), Huerta surpreendeu os fãs ao revelar que nunca conheceu pessoalmente os integrantes da banda australiana.

Segundo Huerta, a falta de interação direta era comum na indústria fonográfica dos anos 1970, especialmente com bandas que ainda estavam em ascensão. Seu primeiro trabalho com o AC/DC foi na edição internacional de Let There Be Rock (1977), quando inaugurou a logo que ficaria mundialmente famosa.

Ele comenta:

“Eles não se envolveram muito na criação da capa porque eram artistas novos, e o objetivo das gravadoras era vender o máximo de discos possível.”

O designer, atualmente com 74 anos, acrescenta:

“Eu apenas recebia uma ligação, conversava com o diretor de arte, voltava para a minha prancheta, fazia talvez três esboços, um era escolhido e eu finalizava a arte.”

A inspiração para a tipografia veio da Bíblia de Gutenberg, o primeiro livro impresso no mundo, o que Huerta considerou apropriado para o título do álbum (“Que se faça o rock”, em tradução livre), que remete a uma passagem bíblica.

Embora tenha sido contratado originalmente para apenas um álbum, a banda decidiu manter a identidade visual do logo para todos os lançamentos seguintes, incluindo seus maiores clássicos: Highway to Hell (1979) e Back in Black (1980).

Além do AC/DC, o portfólio de Gerard Huerta inclui trabalhos para nomes como Boston, Blue Öyster Cult, Ted Nugent. Os quais ele também jamais encontrou:

“Eu nunca conheci nenhum dos grupos ou artistas.”

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
TAGS: Ac/Dc, gerard huerta