Vídeo de show do AC/DC divide opiniões online por qualidade da performance
Filmagem mostra desgaste vocal natural de Brian Johnson, cantor de 78 anos; grupo se apresenta no Brasil entre fevereiro e março
Igor Miranda (@igormirandasite)
Desde o início oficial da turnê Power Up, em maio de 2024, circulam vídeos online com comentários divididos a respeito da performance do AC/DC. Tem quem avalie certa perda de poder de fogo por parte da banda — que, cabe destacar, está na ativa desde 1973 e traz um vocalista, Brian Johnson, com 78 anos de idade e problemas de perda auditiva contornados.
A situação ganhou um novo capítulo no início deste ano. Embora o grupo não tenha realizado qualquer apresentação em 2026 até o momento, perfis no X/Twitter compartilharam e repercutiram uma filmagem, provavelmente registrada durante uma das performances em 2025.
No vídeo, que já acumula mais de 4 milhões de visualizações e 100 mil curtidas, o grupo — hoje completo por Angus Young (guitarra), Stevie Young (guitarra), Chris Chaney (baixo) e Matt Laug (bateria) — toca a clássica “Highway to Hell” diante de uma multidão. Percebe-se, em especial, o natural desgaste vocal de Johnson.
Como esperado, há tanto comentários em apoio a Brian quanto manifestações sugerindo que o artista e o grupo se aposentem. Acompanhe um pouco da repercussão a seguir:
“O homem está levando suas cordas vocais ao limite desde 1980. Você não critica o barulho do motor de carro esportivo que ainda ganha corridas — você apenas respeita a quilometragem.”
“Adoro que bandas como Judas Priest, Scorpions, Def Leppard, Mötley Crüe e Iron Maiden ainda estejam em turnê para os fãs. Não é pelo dinheiro. Mas o crucial é saber quando se chegou ao fim da carreira. […] Rapazes… nós amamos vocês, mas é hora de encarar a realidade: chegou a hora de largar o microfone ou a guitarra.”
“Ele tem 78 anos. Ele fez uma cirurgia na garganta e acho que nunca se recuperou completamente. E ele sofre de perda auditiva. É claro que ele não é o mesmo de 46 anos atrás.”
“Pude assisti-los no verão passado em Nashville. Ele começou bem, mas em alguns momentos do show ele estava segurando a garganta.”
AC/DC fans have raised concerns about Brian Johnson's vocals, noting a decline in range and power during live shows. pic.twitter.com/doR24esBiR
— Rock Photography (@Photomusicrock) January 23, 2026
the man is 180 years old and refuses to lip sync to a track I respect tf out of it https://t.co/tkvnX3EV2d
— mikey reid (@mrmikeyreid) January 24, 2026
AC/DC no Brasil
Independentemente disso, muitos fãs do Brasil já estão na expectativa para assistir ao AC/DC. Com The Pretty Reckless na abertura, a banda australiana virá ao país, pela primeira vez desde 2009, para uma sequência de três shows.
As apresentações ocorrem nos dias 24 e 28 de fevereiro 4 de março. Todas elas estão agendadas para o estádio MorumBIS, em São Paulo — e têm ingressos esgotados.
Possível setlist no Brasil
Uma análise da atual turnê do AC/DC, em divulgação ao álbum Power Up (2020), pode dizer ao público o que esperar em termos de setlist. O grupo fez mais ou menos o mesmo número de shows em 2024 e 2025, em turnês com três ou quatro meses de duração, entre abril e agosto.
Consistência é o nome do jogo da banda, aliás. Dezoito canções apareceram em todas as últimas 52 apresentações do grupo. Esse conjunto reúne os maiores sucessos da banda, retirados principalmente dos álbuns Let There Be Rock (1977), Highway to Hell (1979) e Back in Black (1980).
As curiosidades ficam a cargo das canções que entraram e saíram do setlist de um ano para o outro. “Rock N’ Roll Train”, do álbum Black Ice (2008), apareceu em todos os shows do AC/DC em 2024, mas perdeu preferência no ano seguinte. Enquanto isso, “Shot Down in Flames”, de Highway to Hell, ficou fora apenas uma vez nos últimos dois anos.
Além dessas duas, o grupo não varia muito seu repertório. Apenas três canções – “Dog Eat Dog” e “Hell Ain’t A Bad Place To Be”, ambas de Let There Be Rock (1977), e “Givin the Dog A Bone”, de Highway To Hell (1979) – figuraram entre as surpresas frequentes. Curiosamente, essas faixas só aparecem uma de cada vez, e sempre como a 13ª canção do setlist.
A única que foge dessa sina é uma raridade. Em 2025, o grupo tocou “Fling Thing”, um lado B dos anos 1970 que saiu na coletânea Backtracks (2009), apenas uma vez durante um bis. A canção não aparecia em shows desde 1980.
Segue abaixo um possível setlist do AC/DC no Brasil, sempre sujeito a alterações pela banda ao longo da turnê:
- If You Want Blood (You’ve Got It)
- Back in Black
- Demon Fire
- Shot Down in Flames
- Thunderstruck
- Have a Drink on Me
- Hells Bells
- Shot in the Dark
- Stiff Upper Lip
- Highway to Hell
- Shoot to Thrill
- Sin City
- Hell Ain’t a Bad Place to Be OU Dog Eat Dog OU Givin the Dog A Bone
- Dirty Deeds Done Dirt Cheap
- High Voltage
- Riff Raff
- You Shook Me All Night Long
- Whole Lotta Rosie
- Let There Be Rock
Bis:
- T.N.T.
- For Those About to Rock (We Salute You)
Histórico no Brasil
Ao todo, o AC/DC veio ao Brasil em apenas três ocasiões. A primeira se deu no Rock in Rio 1985. A segunda ocorreu como parte da turnê Ballbreaker, que se deu em outubro de 1996 com apresentações em São Paulo e Curitiba. Já a terceira foi em meio à tour Black Ice, em data única, na capital paulista, em novembro de 2009.
Hoje, o grupo conta com Brian Johnson (voz), Angus Young (guitarra solo), Stevie Young (guitarra base) e os músicos de turnê Chris Chaney (baixo) e Matt Laug (bateria). Nos últimos tempos, eles realizaram turnês relativamente curtas na América do Norte, Europa e Oceania.
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