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Afrekassia fala sobre amadurecimento, vulnerabilidade e novo momento de Cacau 50%: ‘Muito forte’

Cantora explica as transformações por trás do segundo volume do EP e fala sobre Bell Hooks, comunidade de fãs e a evolução da carreira

Karla Sthefany

Afrekassia - Foto: Reprodução/YouTube
Afrekassia - Foto: Reprodução/YouTube

Depois de apresentar um lado mais amargo da própria história em Cacau 50% Vol. 1, Afrekassia encerra esse ciclo com um segundo volume mais leve e esperançoso. Em entrevista exclusiva à Rolling Stone Brasil, a artista explica que os dois projetos representam momentos diferentes do mesmo processo de amadurecimento.

Segundo a cantora, o primeiro volume nasceu de um período de frustrações e ressentimentos, enquanto o segundo mostra o que veio depois desse processo.

“O volume 1 eu estava processando sentimentos e lidando com frustrações. O volume 2 é o pós desse momento. É um lugar muito mais maduro e esperançoso em relação à vida.”

Ela também explica o significado do título Cacau 50%. Apesar das brincadeiras dos fãs sobre um possível “Cacau 100%”, a proposta sempre foi falar sobre equilíbrio entre o doce e o amargo.

“O projeto fala desse lugar de conseguir equilibrar as emoções. Eu achei que ia para um lugar muito amargo, mas percebi que consegui continuar equilibrando isso.”

Vulnerabilidade como força

Ao longo da conversa, Afrekassia afirma que a vulnerabilidade se tornou o principal tema desse ciclo artístico. Ela conta que tentou escrever músicas diferentes, mas todas acabavam voltando para esse lugar emocional.

“Eu entendi que exige muita coragem colocar os sentimentos para fora. Isso me curou de certo modo.”

A resposta do público também mudou sua relação com essas músicas. A artista revela que recebe mensagens de fãs dizendo que suas canções tiveram impacto em suas vidas.

“Recebo mensagens dizendo: ‘Você salvou a minha vida’. E eu fico assim: ‘Gente, isso é muito forte, porque pra mim eu tava salvando a minha’.” 

Bell Hooks, amor e comunidade

Grande leitora, Afrekassia cita Tudo Sobre o Amor, de Bell Hooks, como uma das obras que mais influenciaram sua forma de enxergar o amor próprio e o amadurecimento.

“Uma das primeiras frases que me marcou foi que amor é uma prática. Não é um sentimento.”

Para ela, esse pensamento também aparece na música e na forma como mulheres negras ocupam espaços de sensibilidade, rompendo com a ideia de que precisam estar sempre fortes.

Além da escrita, a cantora acredita que sua formação em Relações Públicas influencia diretamente sua carreira. Ela diz que pensa a música como ferramenta de comunicação e de construção de comunidade.

“Eu penso muito em criar comunidade. A música faz as pessoas se unirem.”

 

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Dos sets no SoundCloud aos palcos

Afrekassia começou publicando sets no SoundCloud durante a pandemia e diz que aquele espaço lhe deu liberdade criativa para encontrar a própria identidade musical. Hoje, viver essas canções no palco é uma experiência completamente diferente.

“Quando subi no palco e ouvi a gritaria, pensei: ‘Tudo isso é para mim?’.”

Ela conta que ainda está aprendendo a lidar com o carinho dos fãs, mas que ver pessoas viajando de outras cidades para seus shows reforça a vontade de entregar sempre mais em cada apresentação.

Ao fechar o ciclo de Cacau 50%, Afrekassia resume o projeto como um retrato honesto das transformações que viveu. Entre o doce e o amargo, ela encontrou um caminho em que amadurecimento, vulnerabilidade e amor caminham juntos.

Texto: Karla Sthefany Lima

Entrevista: Giovana Laurelli

LEIA MAIS: Afreekassia disseca o EP ‘Cacau 50%’ e a construção de sua identidade

Karla Sthefany é formada em jornalismo e já foi repórter em diversos sites de entretenimento, como o Observatório dos Famosos, Entretê Spin OFF e NerdWeek. Hoje atua como repórter na CARAS Brasil, na Contigo! e na Rolling Stone Brasil. Apaixonada por música, cinema e livros. Críticas ou sugestões: [email protected]
TAGS: Afrekassia, Cantora, entrevista, música