As reflexões de Aquiles Priester e Thomas Lang sobre teste para o Dream Theater
Dupla esteve entre os bateristas que disputaram vaga de Mike Portnoy na banda; ambos enxergam oportunidade como positiva e comentam eventuais erros
Igor Miranda (@igormirandasite)
Publicado em 19/02/2025, às 16h39
Entre o fim de 2010 e início de 2011, o Dream Theater realizou uma série de audições para baterista. A ideia era encontrar um substituto para Mike Portnoy, membro fundador que havia confirmado sua saída do grupo após mais de duas décadas — e que acabou retornando ao posto 13 anos depois.
Mike Mangini, Marco Minnemann, Peter Wildoer, Virgil Donati, Derek Roddy, Thomas Lang e o brasileiro Aquiles Priester participaram dos testes, que foram filmados e transformados em uma espécie de reality show. O primeiro citado ficou com a vaga e substituiu Portnoy ao longo de todo o período de sua ausência.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Lang e Priester relembraram as audições. Tanto a dupla — que está prestes a concluir uma longa turnê de bateria pelo país — quanto os demais já eram músicos consolidados e mundialmente reconhecidos por suas habilidades quando receberam o convite da banda americana, a mais popular do metal progressivo. Ainda assim, tiveram que lidar com eventuais críticas pelos vídeos de suas audições mostrarem pequenos erros.
Thomas, inicialmente, definiu a experiência como “muito interessante e divertida”. Ele explicou o processo da seguinte maneira:
“Tínhamos que aprender algumas músicas e nos preparar. Havia uma parte de improvisação, que eu gostei. Tive muito pouco tempo para me preparar, porque estava em turnê com Paulina Rubio na América do Sul. Lembro de sentar em quartos de hotel e tocar as músicas em travesseiros, colchões e tal. Mas foi muito divertido. Nada além de positivo. Através da audição, todos provavelmente tivemos muito mais pessoas nos observando do que antes. Então, em geral, teve um efeito muito positivo.”
O baterista austríaco ainda brincou ao apresentar uma ideia: organizar um show de bateria no Brasil com todos que não conseguiram o trabalho, chamado “Drum Theater”, com Mike Portnoy de apresentador. “Ei, Mike, se você vir isso, eu acho que é uma boa ideia”, disse Lang, seguido da observação de Priester: “Especialmente no Brasil, vamos tocar pelo menos duas noites com ingressos esgotados”.
A visão sobre os erros
Ao relembrar o período, Aquiles Priester destacou que um erro cometido durante um teste não é definitivo para perder a oportunidade de trabalho — diferentemente do que muitos podem pensar. O brasileiro também apontou que a audição não encerrou a carreira de ninguém. Pelo contrário: todos seguiram e tiveram ainda mais repercussão em suas iniciativas futuras.
Por sua vez, Thomas Lang refletiu sobre como o processo de edição das filmagens ocorreu de modo a dar apoio à “narrativa da escolha”. Por isso os erros de outros bateristas que não Mike Mangini ganharam mais tempo de tela.
“Virgil Donati é um incrível músico, um grande amigo nosso — todos somos amigos —, e parecia que ele não sabia o que estava fazendo na audição, porque ele tinha ideias para mudar partes, o que não era o que eles estavam procurando. Mas ficou um pouco estranho.”
Já Priester destacou que a exibição dos erros foi importante, pois “isso é o que aconteceu”. Ele relembrou:
“Muitas pessoas me dizem que eles estavam mostrando apenas seus erros. E eu digo que não, isso é o que aconteceu. Quando eles me enviaram o vídeo antes de lançar, eles disseram que se eu quisesse mudanças, eu poderia pedir. E eu disse que não iria mudar nada, porque isso é real.”
Aquiles Priester, o cara certo?
Em outro momento da conversa, Thomas Lang apontou Aquiles Priester como o cara certo para entrar no Dream Theater. Para ele, o brasileiro se encaixava perfeitamente no estilo de músico procurado pela banda.
“Honestamente, eu pensei — e essa é a minha opinião honesta — que Aquiles seria o melhor para o trabalho. Não, não estou brincando. Você [Aquiles] é um fã da banda, conhecia tudo e tocou com tanta força, precisão e atitude. Penso que Aquiles deveria ter conquistado esse trabalho.”
Assista à entrevista completa a seguir.
+++ LEIA MAIS: O conselho que Prika Amaral daria para si mesma no início da Nervosa
+++ LEIA MAIS: Ex-guitarristas do Megadeth, Kiko Loureiro e Marty Friedman tocarão juntos no Brasil
+++ LEIA MAIS: De turnê a gravação de álbum, os planos de Edu Falaschi para 2025
+++ LEIA MAIS: Três brasileiros são eleitos melhores bateristas do mundo pela Modern Drummer
+++ Siga a Rolling Stone Brasil @rollingstonebrasil no Instagram
+++ Siga o jornalista Igor Miranda @igormirandasite no Instagram