A discografia do Avenged Sevenfold, comentada pelos 5 integrantes
M. Shadows, Synyster Gates, Zacky Vengeance, Johnny Christ e Brooks Wackerman falam à Rolling Stone Brasil sobre todos os álbuns da banda americana de metal
Igor Miranda (@igormirandasite)
Em entrevista exclusiva à Rolling Stone Brasil, os cinco integrantes do Avenged Sevenfold comentaram cada um dos oito álbuns de estúdio lançados até agora. Vale lembrar: o guitarrista Synyster Gates e o baixista Johnny Christ não tocam na estreia Sounding the Seventh Trumpet (Gates gravou apenas a introdução do disco) e o baterista Brooks Wackerman participa só dos dois últimos discos.
O Avenged retorna ao Brasil nos próximos dias para dois shows, em Curitiba (Pedreira Paulo Leminski, 28/01) e São Paulo (Allianz Parque, 31/01). Mr. Bungle abre ambas as apresentações, enquanto A Day to Remember está escalado para tocar em território paulistano. Ainda há ingressos à venda via Eventim para a capital paranaense.
Músicos comentam discografia do Avenged Sevenfold
Sounding the Seventh Trumpet (2001)
M. Shadows: “[Sounding the Seventh Trumpet traz] Um bando de garotos com uma boa ambição, mas sem conhecimento. Decidimos que iríamos conquistar o mundo. Não sabíamos nada sobre estúdio ou produção. Um ótimo começo para jovens no ensino médio.”
Synyster Gates: “Adoro esse disco. Nunca fui fã de hardcore, mas a bateria do Jimmy [Sullivan, conhecido como The Rev, baterista falecido em 2009] me conquistou imediatamente. E eu adorava o jeito que o Matt [M. Shadows] gritava e o jeito como eles explodiam em harmonias lindas. As transições punk rock eram alucinantes. Eles me pediram para fazer um solo [‘To End the Rapture’]. A introdução do EP anterior a esse álbum é uma coisa diferente de piano. Pediram para que eu fizesse um solo meio épico de metal. Achei que era uma maneira realmente incrível de abrir o disco. O disco inteiro foi gravado antes disso, mas pelo menos eu consegui tocar em alguma coisa. Sempre gostei muito. Nunca foi a minha praia, mas achava que eles eram a melhor banda de hardcore. Gosto de todos os gêneros, mas não sou um elitista de gênero. Não gosto de todas as bandas de um gênero específico. Gosto do melhor do melhor. Até o Johnny tira sarro de mim e me define como alguém que ‘segue a corrente’. Torço para qualquer time da NBA que esteja se saindo melhor no momento, só porque gosto de assistir a um ótimo basquete, a menos que seja o meu time menos favorito — mas não vamos entrar nesse assunto. Sou um cara que segue a corrente e achava que eles eram a melhor banda de hardcore do planeta. E porque eles usam todas as suas influências, adoro isso nele.”
Zacky Vengeance: “Vejo isso como um projeto ou um roteiro para tudo o que o Avenged se tornaria. Ele abrangia nosso amor pela música, nossa empolgação em fazer coisas que outras bandas não faziam, nosso amor pelo punk rock, nosso amor pelo heavy metal, nosso amor pelo rock and roll, por baladas de faroeste, tudo o que sempre amamos. E colocamos tudo isso no álbum quando tínhamos entre 17 e 18 anos. Desde então, nossos álbuns mudaram e nosso som mudou, mas nossa atitude nunca mudou.”
Johnny Christ: “Para mim é um disco tão divertido de ouvir que você simplesmente sente a adolescência nele. Foi gravado em alguns dias em Los Angeles com uma banda de hardcore que se formou no ensino médio e logo depois se formou. Dá para ouvir aquela agressividade juvenil descarada nele.”
Brooks Wackerman: “Ouço um Avenged Sevenfold bem jovial. Acho que estão o som deles, mas dá para ouvir o desenvolvimento inicial do que esse som se tornou. Gosto da ousadia e da juventude daquele disco. Ironicamente, esse disco foi gravado no West Beach Studios, que é o estúdio do Bad Religion [banda anterior de Brooks].”
*****
Waking the Fallen (2003)
M. Shadows: “Um grande avanço. Melhoramos as melodias vocais, os riffs, a produção. Um ótimo disco no geral. É muito sério, sem muitas partes bobas. Um clássico do metalcore, na minha opinião.”
Synyster Gates: “Comecei a compor e a participar mais em Waking the Fallen. Foi muito divertido entrar e começar a explorar instrumentos únicos, como violão flamenco, violão erudito, além de trabalhar com os caras e entrar na mente doo Zacky, como ele aborda base e solo. Ele vai te dizer que ele não é um guitarrista solo, mas ele é um guitarrista incrível. Minha mão direita sofre para fazer aquele som punk rock. Zacky tem isso de sobra, é muito tecnicamente proficiente e tem muita sensibilidade, porque ele foi autodidata. Ele tem um jeito realmente maravilhoso de tocar. A mesma coisa com o Jimmy, que era tecnicamente proficiente. Nós não tocávamos muito com metrônomo e coisas assim, então Jimmy movia a bateria para todos os lugares. E Matt começa a cantar muito mais. Vi aquela voz tomar forma. Tive muita sorte de estar envolvido com pessoas tão talentosas.”
Zacky Vengeance: “Waking the Fallen foi o primeiro álbum em que percebemos que poderíamos melhorar como músicos, seja na composição de músicas ou na execução de nossos instrumentos. Foi a primeira vez que realmente destacamos a voz do Matt, que todos sabíamos ser uma voz incrível. E quando terminamos, ficamos muito orgulhosos porque sabíamos que aquelas músicas eram realmente ótimas, na nossa opinião.”
Johnny Christ: “Tenho muitas lembranças da gravação daquele disco. Foi o primeiro álbum de estúdio em que participei. Tive muita dificuldade para entender como seria realmente gravar algo mais ‘refinado’, eu diria. Não apenas gravar e deixar as coisas acontecerem como quiserem. De certa forma, foi o nosso primeiro passo para a vida adulta. Foi um passo maduro na direção certa, descobrindo e conversando sobre todas essas bandas que crescemos ouvindo e realmente começando a dissecar o processo de gravação em si, como eles entraram e gravaram essas músicas, daí pegando e colocando do nosso jeito, encontrando algumas coisas que queríamos fazer no estúdio. Essa foi minha primeira experiência com algo assim, acho que foi a primeira experiência da nossa banda como um todo: todo o ciclo, o álbum inteiro foi um passo para a vida adulta, como se fosse nossa faculdade.”
Brooks Wackerman: “Acho que foi o início da movimentação para eles. Foi quando descobri o Avenged na Warped Tour. Lembro de estar na Flórida, assistindo-os pela primeira vez, e eu estava logo atrás do Jimmy, pensando: ‘Cara, ele tem uma ação de bumbo duplo bem definida’. Essas foram minhas primeiras lembranças de ouvir essas músicas no início dos anos 2000. Acho que foi nesse álbum quando as pessoas pensaram: ‘bem, se eles têm um som, é para ali que ele vai’.”
*****
City of Evil (2005)
M. Shadows: “É como um trem-bala para lugar nenhum. Tem algumas músicas enormes, alguns refrãos com os quais não sabíamos o que fazer. Poderíamos ter feito músicas melhores olhando para trás. Mas sempre considero esse disco ótimo por causa de todas as peças somadas, não das partes individuais. Por causa da loucura e do caos que envolvem, é muito divertido de ouvir. E foi feito praticamente porque não sabíamos de nada.”
Synyster Gates: “City of Evil foi exatamente onde enlouquecemos naquele momento. Passei a sentir que era tanto minha banda quanto a banda de qualquer outra pessoa. E eu lutei muito mais por coisas: direção, arranjos… senti que queria estar mais envolvido em tudo o que estava acontecendo naquele disco. Jogamos um monte de influências malucas e tínhamos algum tempo de estúdio em nosso currículo. Então, sabíamos como entrar em um estúdio e produzir. Produzimos boa parte daquele disco. Mudrock, que tecnicamente o produziu, nos mostrou tantas coisas em Waking the Fallen. Soou como: ‘ok, nós sabemos como entrar em um estúdio e guiar esse navio’. E foi muito bom.”
Zacky Vengeance: “City of Evil foi nosso primeiro álbum por uma grande gravadora, e queríamos ir na direção oposta do que uma grande gravadora gostaria ou esperaria. Decidimos que iríamos compor músicas longas e malucas com muitas guitarras em duelo e vocais sobrepostos, e sermos fiéis a nós mesmos. Imaginamos que nossa gravadora provavelmente odiaria, mas achamos que nossos fãs iriam gostar — e realmente gostaram. Então, nos propusemos a compor o álbum mais maluco, e provavelmente nos empolgamos, mas ele se tornou um favorito dos fãs. Honestamente, queríamos fazer exatamente o oposto do que as pessoas esperariam de uma banda lançando seu primeiro álbum por uma grande gravadora.”
Johnny Christ: “Esse é o álbum da festa e da energia para mim, cara. Tenho ótimas lembranças de quando me afastei daquele disco quase um ano depois do lançamento, mas todo aquele sucesso chegou e foi só festa, cara. Foi festa e energia.”
Brooks Wackerman: “Fiquei impressionado quando ouvi, porque eles já tinham um som desenvolvido, mas agora… odeio usar a palavra ‘refinado’, mas eles estavam em um estúdio de verdade, usando o estúdio como ferramenta. Era uma banda que dava para perceber que fazia muitas turnês. Eles realmente se aprimoraram em sua arte, e isso ficou evidente naquele disco. Mesmo que sejam músicas malucas, dava para perceber que a banda se dedicou bastante nas composições.”
*****
Avenged Sevenfold (2007)
M. Shadows: “Tem algumas músicas muito fortes. É o disco do The Rev, na minha opinião. Acho que há alguns grandes erros, mas algumas grandes vitórias nesse disco. Ainda é um dos nossos mais vendidos. Musicalmente, acho que tem algumas coisas não tão boas e algumas das nossas melhores.”
Synyster Gates: “O álbum homônimo é meu segundo favorito de todos os tempos. Ali eu sinto que o Jimmy realmente brilhou. Estávamos fazendo coisas únicas. Pude incluir todo tipo de coisa estranha que queríamos fazer. Jimmy estava compondo essas obras-primas incríveis, seja ‘Afterlife’, ‘A Little Piece of Heaven’ ou ‘Dear God’. Poder explorar algumas das minhas influências country e outras coisas foi muito divertido. Não havia regras. Era como jogar todas as regras pela janela, é incrível.”
Zacky Vengeance: “O álbum homônimo foi um dos álbuns mais divertidos de gravar. Foi o último com o Jimmy vivo no estúdio conosco, e finalmente tínhamos começado a ter algum sucesso e a fazer shows maiores. Com o sucesso de City of Evil, isso nos permitiu produzir o álbum nós mesmos. Tínhamos de 23 a 24 anos. Quando quisemos produzir o álbum nós mesmos, nossa gravadora entrou em pânico, porque eles não achavam que éramos capazes disso. Dito isso, produzi-lo nós mesmos nos permitiu ter músicas como ‘A Little Piece of Heaven’ ou ‘Afterlife’… músicas que talvez um produtor nunca teria entendido ou permitido ou pelo menos lutado por ela, porque uma música como ‘A Little Piece of Heaven’ é longa, louca e não soa nada como soávamos antes. Foi o disco mais divertido de gravar.”
Johnny Christ: “Nosso primeiro álbum experimental de verdade, com certeza. Definitivamente uma evolução de City of Evil. Tínhamos esse sucesso e não queríamos tentar repeti-lo. Simplesmente tivemos que fazer algo diferente. Esse foi o álbum experimental que nos deu algumas preciosidades como ‘A Little Piece of Heaven’… essa preciosidade ali é algo que sempre lembrarei com carinho, como um grande presente que recebemos.”
Brooks Wackerman: “Esse é provavelmente meu disco favorito. Acho que com a entrada das composições do Jimmy, ele tinha um jeito de compor uma música de metal, mas depois incorporar essa melodia que é meio pop, mas ainda assim metal. Um belo equilíbrio de uma música bem elaborada. Consigo identificar uma música do Jimmy em cinco segundos, pois ele tem a mente de um baterista com as composições. ‘A Little Piece of Heaven’ e ‘Afterlife’ são um legado. Sempre que tocamos ‘A Little Piece of Heaven’, a plateia reage mais ferozmente naquele refrão, acima da média de todas as outras músicas.”
Nightmare (2010)
M. Shadows: “Super sólido, obviamente ofuscado pela morte do The Rev. Mike Portnoy entrou e fez um trabalho incrível. Acho que este é o ponto da nossa carreira em que talvez fomos um pouco mesquinhos demais. Acho que o Nightmare uniu todos os sons anteriores e criou algo, mas não me pareceu inovador. Era um ponto da nossa carreira em que poderíamos ter ficado realmente entediados e começado a fazer um monte de discos como o Nightmare, mas sinto que acertamos em cheio no que estávamos tentando acertar.”
Synyster Gates: “Nightmare foi difícil. Acho que o Matt realmente queria voltar às suas raízes metal e outras coisas. E eu não queria isso naquela época. Então foi meio difícil para mim. Mas quando o Jimmy faleceu e as letras do Matt mudaram, isso me tocou de uma forma que eu não consigo expressar. É tão profundo. E acho que esse disco foi crucial pois foi aí quando, para mim, ele se tornou o maior letrista do planeta. Ele sempre foi um grande contador de histórias, mas conseguir falar com o coração, contar histórias e ter essa inteligência emocional que ele conseguia articular nos discos, foi alucinante. Algumas das minhas músicas favoritas estão naquele disco. Foi uma transição meio difícil. Queria enlouquecer depois do disco homônimo. Só queria entrar no modo Beatles, ser um Beatles pesado. Na minha opinião, nós meio que regredimos. Mas estou feliz por termos feito isso, porque é um disco tão sombrio e é uma base tão boa para o lirismo brilhante do Matt.”
Zacky Vengeance: “Nightmare foi o disco mais difícil de gravar. Cada um de nós carregava um ao outro todos os dias, porque nunca se sabia quem estaria na pior situação. Estávamos todos extremamente tristes e deprimidos. Sempre que alguém mal conseguia funcionar, todos os outros sempre o pegavam e o traziam de volta. A única coisa que nos sustentou naquele álbum foi saber que essas músicas seriam ouvidas pelos nossos fãs. Não sabíamos que seríamos uma banda depois disso. Não esperávamos fazer mais shows. Mas sabíamos, pelo nosso amigo, que tínhamos que terminar este álbum, não importa o quão difícil fosse. Gravá-lo foi realmente fazer jus ao seu nome. Foi um pesadelo, mas ficamos muito orgulhosos de termos conseguido.”
Johnny Christ: “Tempos difíceis, cara. Quando você pensa em Nightmare, são tempos difíceis mesmo. Tenho muito orgulho desse disco. Grande parte dele, 99%, foi composto com The Rev. E o desafio que nos deram e que conseguimos superar foi algo que nos uniu. Uma banda de irmãos ainda mais unida.”
Brooks Wackerman: “Avenged Sevenfold clássico. Obviamente triste e melancólico devido às circunstâncias, mas, considerando a época, eles fizeram um disco lindo. Acho que dava para sentir as emoções naquele disco em particular após a morte de Jimmy. Acho que foi uma bela homenagem a ele.”
*****
Hail to the King (2013)
M. Shadows: “Uma mudança completa de reação, quase caindo na armadilha do que o Nightmare poderia ter sido repetidas vezes. Hail to the King chega perto demais da essência do que estávamos tentando fazer, mas também provou um ponto de certa forma, que era: ‘ei, podemos fazer uma música que será a nossa maior música’. São músicas simples e não saem da caixa. Tornou-se um dos nossos álbuns mais populares. Acho que o aspecto ‘blues’ dele o mantém sério, o que o álbum de 2007 não foi tanto. Acho isso bem legal. E aprendemos muito em termos de composição dissecando muitas músicas de outras bandas durante esse período.”
Synyster Gates: “Foi um desafio. Não é meu disco favorito, sinto que estávamos como uma cópia de bandas mais velhas, coisas que já foram feitas. Mas ficar menos progressivo e tentar compor uma música que tenha a mesma vibe do início ao fim… você pensa: ‘sou uma banda progressiva, porque componho músicas de três minutos que soa pop, rock ou qualquer outra coisa’. É quase uma muleta compor música progressiva porque você pode colocar o que quiser. Você não precisa passar pelo marasmo de manter a vibe da música ‘Hail to the King’, ‘Shepherd of Fire’ ou algo assim o tempo todo. Então, o desafio foi um grande aprendizado. Então, extraí muito, talvez a maior parte, daquele disco em termos de desafios. Sou profundamente grato pela oportunidade daquele disco, mas não é o meu favorito em termos de audição.”
Zacky Vengeance: “Foi uma grande transição ao olhar para as bandas com as quais crescemos, com as quais fizemos turnês e pelas quais tínhamos o maior respeito, e querer incorporar mais disso. Estávamos fazendo shows maiores e queríamos ter algumas daquelas músicas que as pessoas cantam junto. Para nós, foi mais difícil compor aquele álbum do que Nightmare ou City of Evil, porque normalmente gostamos de compor músicas rápidas e malucas. É mais fácil para nós. Então, desacelerar e simplificar tudo foi muito mais difícil, mas precisávamos dessas músicas para onde estávamos na nossa carreira. Havia algo que faltava em todos os nossos álbuns e na nossa formação, e olhamos para as nossas bandas favoritas e pensamos: o que elas estão fazendo que nós ainda não fizemos? E foi simplesmente desmembrar e simplificar. Ouvíamos muito bandas como AC/DC e coisas assim, só queríamos dar o nosso melhor para isso.”
Johnny Christ: “Um retorno triunfante a um pouco de felicidade. Voltar e pensar naquele disco me deixa feliz. Foi uma época em que estávamos satisfeitos com toda a parte técnica e queríamos ver se conseguiríamos nos concentrar apenas nos riffs. Acho que conseguimos o que queríamos naquele disco. Foi uma época ótima.”
Brooks Wackerman: “Um álbum de hinos, eu diria. Sempre que tocamos a música ‘Hail to the King’, é como se um [carro esportivo] Corvette fosse ligado pela primeira vez. Acho que essa é a música perfeita para arenas. Tem o ritmo perfeito. É um pouco AC/DC. É um pouco simplista. Mas tem muita garra. Então, sim, eu diria que esse é o nosso disco de hinos.”
*****
The Stage (2016)
M. Shadows: “Uma obra-prima. É um disco tão radical. Não é uma primeira audição fácil. Fazer algo como ‘Sunny Disposition’ é algo difícil. É longa, única, as melodias vocais começam a mudar e experimentar com o jeito que trabalhávamos melodias vocais. Acho que esse álbum é um dos nossos melhores.”
Synyster Gates: “Revisitei The Stage recentemente, depois de alguns anos. Não tinha ouvido nada dele além de tocar nos shows. E fico muito orgulhoso por esse disco. Acho que foi aí que realmente alcançamos nossa pegada e começamos a explorar todas as influências. Antes achávamos que estávamos usando todas as influências, e meio que usamos no álbum homônimo, mas foi nesse que a gente simplesmente estourou isso. Mas ainda tem muita ousadia, muitos elementos punk rock.”
Zacky Vengeance: “The Stage era um projeto ambicioso porque era muito mais progressivo e foi construído a partir de um conceito. Enviei ao Matt um artigo sobre inteligência artificial e para onde as coisas estavam indo porque achei muito interessante, e ele mergulhou de cabeça nessa questão, aprendeu bastante sobre o assunto, achou intrigante e quis compor um álbum bastante técnico, que incorporasse muita coisa de bandas progressivas com as quais a maioria de nós cresceu. Não tínhamos intenção de compor música para as rádios ou ter sucesso comercial. Queríamos apenas compor um álbum ótimo para os fãs ouvirem. Sempre tem sido sobre compor grandes músicas que as pessoas continuem gostando. E esse é definitivamente um desses álbuns.”
Johnny Christ: “Outro grande experimento. Esse é espacial, baby! Gosto da vibe espacial nele. E não musicalmente. A ideologia: inteligência artificial, espaço, tudo isso. Já estamos chegando a 10 anos bem perto desse disco. E pensar sobre qual pode ser o principal tópico de discussão hoje em dia… já estávamos tentando falar sobre isso há tanto tempo. Me deixa bem orgulhoso. É bem atual, mesmo tendo sido lançado há quase 10 anos. É insano.”
Brooks Wackerman: “Foi um belo desafio para mim, especialmente na música ‘The Stage’. Eu nunca tinha participado de uma música tão épica quanto aquela em particular, no que diz respeito à introdução e como a orquestramos como banda. Como baterista e compositor, pude ter algumas músicas como ‘Paradigm’, que era baseada em um groove de bateria que eu nunca tinha feito antes. Houve muitos momentos em que consegui me soltar e colocar muita criatividade. Por ser meu primeiro disco do Avenged, fiquei muito orgulhoso do que conquistamos. E trazer [o produtor] Joe Barresi, com quem trabalhei por muitos anos no Bad Religion, foi uma alegria. Tenho ótimas lembranças disso. E é legal ter tudo isso documentado também.”
Life is But a Dream… (2023)
M. Shadows: “É um tiro de canhão. Cada aspecto das melodias, as transições, os riffs, tudo precisava ser colocado no máximo sob a ótica do existencialismo. A vida é absurda. Tudo que fazemos e o fato de estarmos aqui são absurdos. Por isso, é um álbum absurdo, em todas as características.”
Synyster Gates: “O maior orgulho que já senti como músico, compositor e instrumentista foi criar músicas que não se parecem com nada que eu já tenha ouvido, e tocar guitarra de um jeito que nunca ouvi antes — tudo isso com músicas que eu acho são realmente ótimas. Esse é o sonho. É um disco dos sonhos.”
Zacky Vengeance: “Tocar essas músicas para mim nunca foi entediante. Sempre encontro novas peças que aprecio dentro desse álbum. E tenho que ser sincero: quando estávamos compondo, eu não entendia completamente como ficaria. Enquanto gravávamos no estúdio, houve partes em que eu não sabia como terminaria. E essas partes acabaram se tornando algumas das minhas favoritas. Ao ouvir todo o trabalho que colocamos na instrumentação para criar esses sons, ouvir as letras do Matt, os timbres de guitarra que estávamos usando e escolhendo para o álbum que forneceram muito mais profundidade do que onde eu imaginava que acabaria. Conforme continuávamos compondo, foi se tornando muito emocionante. Eu sabia que não seria para todos logo de cara. O caminho mais fácil teria sido criar outra música como ‘Hail to the King’ ou ‘Nightmare’. Mas nunca tentamos compor assim. Era exatamente onde estávamos na época: não tentando reescrever coisas que já tínhamos feito. Os fãs acreditam que isso é o que eles querem, mas você nunca pode compor para o que um fã quer. Você tem que compor para o que eles não sabem que precisam. Tem que desafiá-los. E na primeira audição, pode não fazer muito sentido. Mas se você se apegar a um pedacinho disso, você pode dizer: ‘ok, eu gosto dessa parte e a entendi’. E então isso te dá a chance de se agarrar a outra parte. Antes que você perceba, você tem um álbum inteiro de música, você está escolhendo essas partes e juntando todas elas. É a mesma coisa quando olho para meus pintores ou artistas favoritos. Quando você olha para uma pintura de Picasso, a primeira impressão é: ‘não sei o que está acontecendo, parece que uma criança pode ter desenhado isso, não entendo’. E então você vê algo como Michelangelo ou Rembrandt, você fica tipo: ‘ah, isso é incrível’. Mas se você realmente os comparar, perceberá que todos são incríveis. E Picasso é espetacular porque, quanto mais eu olho, mais eu vejo. Isso acontece conosco. Quando compomos música, queremos que quanto mais você escute, mais você ouça.”
Johnny Christ: “É um álbum bem ‘mortal’. Você precisará de uma taça de vinho e uma vela para apreciá-lo.”
Brooks Wackerman: “A primeira coisa que me vem à mente é pandemia. Fomos a primeira banda a voltar para o Henson Studios, antigo A&M Studios, em Hollywood. Lembro de ter que ir ao estúdio e fazer todos os testes de covid antes de entrar. Foi um momento estranho porque estávamos bem no meio da pandemia. O fato de termos conseguido lançar aquele disco com tudo que aconteceu, desde os protestos de George Floyd até a pandemia, com o mundo em um estado de caos… foi incrível termos conseguido terminar aquele disco naquela época. Demorou mais do que o esperado devido ao planeta. Mas acho que, no final das contas, fizemos algo que expandiu os limites. Acho que aquele disco foi um desafio para muitos dos nossos fãs que esperavam talvez algo do passado que não lhes demos. Depois, esses mesmos fãs vieram e disseram: ‘eu entendi o álbum’, e que ele se tornou um dos seus discos favoritos do Avenged. Não há nada mais gratificante do que isso como músico.”
Rolling Stone Brasil: Avenged Sevenfold na capa
A nova edição da Rolling Stone Brasil traz uma entrevista exclusiva com os 5 integrantes do Avenged Sevenfold, às vésperas de seus maiores shows solo no Brasil. Também há um bate-papo com Planet Hemp, um especial Bruce Springsteen, homenagem a Ozzy Osbourne e muito mais. Compre pelo site da Loja Perfil.

+++ LEIA MAIS: Avenged Sevenfold: desafiar para conquistar [ENTREVISTA]
+++ LEIA MAIS: Mr. Bungle fala à Rolling Stone sobre shows no Brasil, saúde de Mike Patton, Avenged e influência
+++ LEIA MAIS: Todos os erros cometidos pelo Avenged Sevenfold no álbum branco, segundo M. Shadows
+++ LEIA MAIS: O melhor solo do Avenged Sevenfold, segundo Sophie Lloyd
+++ LEIA MAIS: Baterista do Avenged Sevenfold celebra título paulista do Corinthians nas redes+++ LEIA MAIS: Outras entrevistas conduzidas pelo jornalista Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil
+++ Siga a Rolling Stone Brasil @rollingstonebrasil no Instagram
+++ Siga o jornalista Igor Miranda @igormirandasite no Instagram