RESENHA

Blackpink está de volta à sua melhor forma em ‘Deadline’

Com o sucesso ‘Jump’ e quatro músicas inéditas (incluindo uma deliciosa incursão nos clubes góticos dos anos 80), este mini-álbum é exatamente o que os fãs estavam esperando

Rob Sheffield

BLACKPINK (Getty Images)
BLACKPINK (Getty Images)

As integrantes do Blackpink estão se sentindo poderosas em Deadline, e isso combina com elas. É o primeiro lançamento musical das rainhas do K-pop em [tira a poeira do calendário] mais de três anos, desde o álbum que coroou sua carreira em 2022, o excelente Born Pink. Todas as quatro — Jennie, Rosé, Lisa e Jisoo — se mantiveram ocupadas desde então, levando suas carreiras solo a sério. Rosé lançou seu álbum pessoal Rosie (2024), com o sucesso “Apt.“, em parceria com Bruno Mars, que ela apresentou na abertura do Grammy algumas semanas atrás. Também tivemos a estreia de Lisa com Alter Ego, que inclui “Rockstar” (um dos maiores sucessos de todos os tempos com esse título) e “New Woman” (idem). Em 2025, Jennie também lançou Ruby e Jisoo lançou Amortage.

Mas sejamos sinceros: o mundo anseia por mais da magia que o Blackpink só consegue criar quando junta suas quatro integrantes e dá tudo de si. Deadline é um EP conciso de 15 minutos, que inclui o single “Jump“, lançado há seis meses, e quatro músicas inéditas, três delas ótimas. A melhor notícia sobre Deadline é que não tem nenhuma balada lacrimosa — um alívio enorme, já que é a última coisa que alguém precisa neste momento. As integrantes do Blackpink estão com vontade de arrasar, algo que sempre fizeram de melhor, exalando glamour e carisma. Seus sucessos solo individuais obviamente reacenderam seu brilho — não que elas alguma vez tenham sido carentes nesse quesito. Em Deadline, Blackpink mistura a força e a sedução em seu estilo inconfundível.

É um retorno com um título curioso, considerando que levou quase quatro anos, e também considerando que leva o nome da turnê mundial Deadline World Tour de 2025, que já terminou em janeiro. (Isso levanta a questão do que exatamente o título significa para eles.) “Jump” abre o álbum, um sucesso do Top 40 de julho passado, uma música que mistura a nostalgia do pop da MTV dos anos 2000 com assobios de faroeste italiano, breakdowns de EDM e explosões de metais com um toque brega europeu, além de uma homenagem às suas madrinhas do girl power, as Spice Girls.

Go” é uma música de festa mais vibrante e agressiva, produzida por Cirkut e Teddy —  surpreendentemente, a primeira música que todas as quatro integrantes do Blackpink compuseram juntas, depois de uma década na cena musical. Ainda mais estranho, a composição é creditada a Chris Martin, do Coldplay. É uma mistura acelerada de batidas hardstep e gritos de “Black! Pink!”, e há uma ponte que lembra bastante (muito mesmo) a de “Apt.”. Mas também há uma inesperada referência a Springsteen, quando a batida desacelera e Jennie canta: “When your heart is broken, baby / Darkness on the edge of tooown”. É um momento emocionante onde Born Pink encontra Born to Run (1975), vindo das profundezas do deserto emocional.

Me and My” é uma das suas homenagens ao trap, avisando aos trouxas que é melhor ficarem espertos e esconderem seus namorados quando o Blackpink chegar na balada. Jennie se gaba de sua beleza, e rima: “Você sabe que ela é minha garota quando eu a chamo de vadia”. Lisa compra tudo no bar e endossa algumas regras de etiqueta questionáveis ​​da NBA. (“Na quadra, podemos tocar na bola” — nossa, talvez não?) Musicalmente, é definitivamente mais do mesmo, mas Jennie aparece em um dos figurinos mais espirituosos do álbum, declarando: “Daisy Dukes me fazem falar o que penso”.

Champion” representa a maior mudança musical em Deadline — e é, de longe, a melhor faixa. Elas mergulham no synth-pop new wave dos anos 80, um estilo frequentemente explorado pelo grupo, desde as influências de Blondie em “Yeah Yeah Yeah” até a homenagem de Rosé a Toni Basil em “Apt.”. Mas “Champion” é uma viagem pela atmosfera darkwave gótica, pulsando com guitarras que remetem diretamente ao The Cure da época de Seventeen Seconds(1980) ou ao Siouxsie and the Banshees da época de Juju (1981), o suficiente para te deixar hipnotizado. Esse tipo de som dançante e sinuoso combina perfeitamente com as vozes dinâmicas das garotas — e faz você desejar que elas gravassem um álbum inteiro no estilo new wave. (Se algum dia elas quiserem tentar gravar um álbum inteiro novamente, é claro. Quem sabe, elas poderiam até fazer um dueto completo com o The Cure, já que Robert Smith leva prazos tão a sério quanto elas.)

O Blackpink tem uma queda antiga por baladas acústicas com violão, sempre controversas entre os ouvintes, mas desta vez elas acertam em cheio com “Fxxxboy”. É uma ode descontraída, atrevida e cheia de atitude a torturar ex-namorados com sexo sem compromisso, mas se recusando a nutrir seus sentimentos, porque eles já te magoaram demais e agora é a vez deles sofrerem. “Mantenha suas expectativas debaixo do asfalto”, Jisoo avisa. “Acho que o karma é uma vadia / Como se sente? Agora eu sou o cafajeste!” Pode evocar “Tally”, do álbum Born Pink, outro momento em que elas cravam seus saltos agulha no coração de um ex. (Como Jennie cantou naquela música: “Eu gosto de jogar sujo, assim como todos os cafajestes fazem.”) Mas é ainda mais cruel e espirituosa. “Eu não gosto de você, só estou entediada” — caramba, Jisoo, isso é falar a verdade nua e crua. O Blackpink definitivamente percorreu um longo caminho para evoluir de “Lovesick Girls” para um grupo de quatro mulheres autoproclamadas “pegadoras”. Mas Deadline deixa você querendo mais.

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