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Bono pede libertação de líder palestino em artigo na revista The Atlantic

Cantor compara líder palestino a Mandela e diz que sua soltura é vital para legitimar negociações de paz entre os dois povos

Giulia Cardoso (@agiuliacardoso)

Bono pede libertação de líder palestino em artigo na revista The Atlantic
Bono pede libertação de líder palestino em artigo na revista The Atlantic - Crédito: Photo by Vincenzo Lombardo/Getty Images

O cantor e ativista Bono Vox, líder da banda U2, publicou um ensaio na revista norte-americana The Atlantic pedindo que o governo de Israel liberte o prisioneiro palestino Marwan Barghouti. No texto, divulgado nesta semana, o músico argumenta que a soltura de Barghouti é estratégica para o processo de paz, defendendo que “ambos os lados devem ser representados por líderes vistos como legítimos em suas próprias comunidades”.

Para Bono, Barghouti — detido há mais de duas décadas — possui um perfil único capaz de unificar as facções palestinas e dialogar com os israelenses. “Ele talvez seja o único homem que poderia reivindicar com credibilidade representar uma ampla coalizão de palestinos na mesa de negociações”, escreveu.

O “Mandela” palestino

No artigo, o vocalista traça um paralelo entre Barghouti e Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, sugerindo que o líder palestino tem a capacidade de reconhecer a legitimidade do “Outro”, fator essencial para a resolução do conflito.

“Nossa oração é que ele esteja física e mentalmente saudável o suficiente para fazer isso”, afirmou Bono, acrescentando um apelo direto às autoridades: “Libertem-no. E deixem que ambos os lados finalmente comecem de novo”.

O músico aponta que é justamente essa possibilidade de liderança moderada que torna Barghouti uma ameaça à ala mais radical do governo israelense. Barghouti é diferente, e é por isso que israelenses de direita, incluindo o primeiro-ministro, que temem uma solução de dois estados, o veem como tão perigoso”, analisou.

Condições de prisão e denúncias

Marwan Barghouti foi preso em 2002, durante a Segunda Intifada, e condenado em 2004 a cinco prisões perpétuas mais 40 anos por envolvimento em ataques que resultaram em mortes de israelenses. Ele sempre negou as acusações e recusou-se a participar do julgamento, cuja legalidade é questionada pela União Interparlamentar (UIP) e diversas organizações de direitos humanos.

Em seu texto, Bono expressou “graves preocupações” sobre a segurança do prisioneiro. Ele citou relatos recentes de que Barghouti teria sido espancado até a inconsciência na prisão e denunciou o bloqueio de visitas da família e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

O cantor também criticou a retórica inflamatória do Ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que recentemente sugeriu a execução de Barghouti. “O que ele [Ben-Gvir] realmente quer é a execução do processo de paz”, disparou Bono.

O apoio de Bono soma-se ao do grupo The Elders, formado por ex-líderes globais, que também advoga pela liberdade de Barghouti como um caminho para reviver a solução de dois estados.

Esta não é a primeira vez que o líder do U2 se manifesta sobre a atual escalada do conflito. Embora tenha condenado veementemente os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, classificando-os como “diabólicos”, Bono tem sido um crítico vocal da resposta militar de Benjamin Netanyahu, afirmando em agosto que “não há justificativa para a brutalidade” infligida aos civis em Gaza e na Cisjordânia.

FONTE: NME 

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Jornalista em formação pela Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, Giulia Cardoso começou em 2020 como voluntária em portais de cinema. Já foi estagiária na Perifacon e agora trabalha no núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.
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