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Cícero revisita ‘Canções de Apartamento’ 15 anos depois: ‘Rolou uma compaixão com aquele cara’

Cantor refletiu sobre o álbum que transformou sua relação com a música e antecipou influências da turnê no próximo disco

Karla Sthefany

Cícero Rosa Lins (Foto: Zi Fernandes / Divulgação)
Cícero Rosa Lins (Foto: Zi Fernandes / Divulgação)

Quinze anos depois de lançar Canções de Apartamento, Cícero voltou a olhar para o álbum com uma perspectiva diferente. Em visita à redação da Rolling Stone Brasil, no Rio de Janeiro, o cantor falou sobre a turnê comemorativa do disco, o reencontro com músicas que marcaram o início de sua trajetória e como o passar do tempo mudou sua relação com aquele trabalho.

Para Cícero, o álbum representou uma virada pessoal e profissional. Na época, ele já tinha uma banda e havia gravado algumas coisas, mas Canções de Apartamento foi o primeiro disco feito com músicas que não haviam sido aprovadas pelo grupo. 

O trabalho também chegou em um momento de transformação na forma como as pessoas consumiam e compartilhavam música, com a popularização das redes sociais.

“Foi um disco que mudou tudo na minha vida. Eu tinha uma banda antes, já tinha gravado algumas coisas, e esse foi o primeiro disco que eu fiz com músicas que não tinham sido aprovadas pela banda”, relembrou.

O impacto do álbum fez com que a música, até então encarada como uma atividade paralela à faculdade, se tornasse a principal ocupação do artista. “O que era um hobby paralelo à faculdade virou minha principal atividade de vida, que eu estou aqui até hoje dando entrevista para a Rolling Stone”, afirmou.

 

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Um reencontro com o passado

Durante a conversa, Cícero também mostrou o vinil de Canções de Apartamento, em uma edição relançada pela Romaria Discos, e contou como tem sido revisitar o trabalho ao longo da turnê que passou por diferentes capitais brasileiras.

O retorno ao disco trouxe uma nova leitura para músicas compostas quando ele ainda estava na casa dos 20 anos. Para o cantor, o álbum pertence a um contexto muito diferente do atual, anterior à pandemia, às transformações políticas e sociais dos últimos anos e à popularização da inteligência artificial.

“Voltar nele agora está sendo um momento de reflexão sobre tudo o que está acontecendo no mundo. Estou arrumando um diálogo de mim comigo mesmo no passado”, explicou.

Esse diálogo, no entanto, nem sempre foi tranquilo. Cícero admite que chegou a discordar de algumas das ideias que havia colocado nas músicas logo depois de lançar o álbum.

“Eu discordei de muita coisa do disco que eu falei imediatamente depois de falar”, contou.

Com 15 anos de distância, porém, a relação mudou. O cantor compara a sensação a rever uma fotografia da adolescência e estranhar uma escolha feita naquela época. 

“Sabe quando você faz uma foto no ensino médio com o cabelo vermelho? Aí, seis meses depois, você discorda daquele cabelo vermelho e acha meio ridículo? Isso rolou um pouco com o Canção de Apartamento”, brincou.

Hoje, aos 40 anos, ele consegue enxergar com mais compreensão o artista que era quando gravou o disco. “Rolou uma compaixão, uma empatia com aquele cara um pouco, assim”, afirmou.

 

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DNA da trajetória

A turnê comemorativa também reforçou para Cícero a importância de Canções de Apartamento em tudo o que veio depois. Apesar das mudanças pessoais e artísticas ao longo dos anos, ele ainda reconhece no álbum elementos que atravessaram sua produção.

“Eu acho que tenho concordado com o fato de que uma pessoa de 20 e poucos anos tem aquele ponto de vista, aquela rebeldia, o que quer que seja. Musicalmente, eu acho muito bom”, declarou.

Segundo o cantor, o disco ainda carrega “o DNA de tudo” o que ele fez posteriormente. E o reencontro com esse material não deve terminar quando a turnê chegar ao fim.

Cícero já trabalha em um novo álbum e acredita que a experiência de revisitar Canções de Apartamento terá reflexos no próximo trabalho. Depois de retornar às músicas que marcaram o início de sua carreira, o artista leva parte dessa reflexão para o que vem pela frente.

Texto: Karla Sthefany Lima

Entrevista: Felipe Grutter

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Karla Sthefany é formada em jornalismo e já foi repórter em diversos sites de entretenimento, como o Observatório dos Famosos, Entretê Spin OFF e NerdWeek. Hoje atua como repórter na CARAS Brasil, na Contigo! e na Rolling Stone Brasil. Apaixonada por música, cinema e livros. Críticas ou sugestões: [email protected]
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