ENTREVISTA RS

Conheça Fcukers, duo de eletrônica que abrirá shows de Harry Styles no Brasil

Unindo os vocais suaves de Shanny Wise à produção de Jackson Walker Lewis, Fcukers lança seu álbum de estreia nesta sexta, 27

Gabriela Nangino (@gabinangino)

Shanny e Jackson, do Fcukers
Shanny e Jackson, do Fcukers (Foto: Jeton Bakalli/Divulgação)

Em julho de 2026, Harry Styles retorna ao Brasil após quatro anos para a turnê de residência Together Together, que tem quatro datas confirmadas em São Paulo. Para abrir os shows do astro pop, o país também recebe, pela primeira vez, uma atração ousada: o duo de eletrônica Fcukers, formado pelos nova-iorquinos Shanny Wise (vocais) e Jackson Walker Lewis (baixo, teclas, produção).

A dupla está vivendo um momento decisivo na carreira. Nesta sexta-feira, 27 de março, eles lançaram seu álbum de estreia, Ö, pelo selo Ninja Tune. O projeto chega após os singles “L.U.C.K.Y” e “Beatback”, e consolida o Fcukers como um dos nomes em rápida ascensão da nova cena eletrônica.

Embora tenham estreado com o EP Baggy$$ em 2024 — com faixas como “Bon Bon” e “Homie Don’t Shake” cotadas para prêmios de “Música do Verão” —, este é o primeiro trabalho de estúdio completo da dupla. 

Mas os Fcukers já acumulam milhões de streams nas plataformas digitais e marcaram presença em grandes festivais ao redor do mundo. Unindo batidas de house music com a nostalgia dos anos 2000 em uma estética despojada, o duo conquista o público com a energia eletrizante de seus shows (mais de 100 apenas no último ano). 

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Shanny e Jackson revelam os passos que os trouxeram até este momento de sua carreira.

Trajetória

Antes de compor o Fcukers, ambos se dedicaram à bandas e projetos independentes. Em 2022, Shanny era vocalista do The Shacks, enquanto Jackson fazia parte da banda Spud Cannon. Quando sentiu que o formato tradicional do indie rock já não lhe agradava, ele começou a explorar novos ares com a criação de beats eletrônicos.

“Nós dois, de nossas próprias maneiras, pensamos que queríamos fazer música eletrônica antes de nos encontrarmos. Nós tínhamos passado por bandas, com instrumentos, e gravações, e tal. E eu acho que nós queríamos tentar algo novo”, conta.

Shanny e Jackson se conheceram através de amigos em comum, e, ao perceberem que tinham experiências e vontades semelhantes, decidiram unir seus talentos. “Foi engraçado, porque nós dois nos sentimos assim antes de nos encontrarmos ou falarmos sobre fazer música juntos”. Seis meses depois, em março de 2023, a dupla lançou seu primeiro single, “Mothers“. 

Rapidamente, eles saíram de seu primeiro show ao vivo, realizado na casa Baby’s All Right (com capacidade para 200 pessoas), para tocar para mais de 2.000 pessoas em Nova York em uma única noite — e assinar com a gravadora Technicolour Records da Ninja Tune, que possibilitou o lançamento do EP de sucesso em 2024.

Ao longo dos últimos anos, os Fcukers se apresentaram em festivais como Glastonbury, Primavera Sound, Lollapalooza e Coachella. A experiência ao vivo é única para os integrantes. “As músicas têm uma vida diferente ao vivo do que quando elas são gravadas, porque nós adicionamos mais coisas no palco, e entramos um pouco na vibe de festas e dança”, diz Jackson.

Fcukers no Laneway Festival 2025, na Nova Zelândia
Fcukers no Laneway Festival 2025, na Nova Zelândia (Foto: Dave Simpson/WireImage)

Apesar da ascensão acelerada, a fama foi um processo mais longo para eles do que aos olhos do público. “Shanny e eu fizemos isso de uma forma ou outra por tantos anos, então é claro que nos sentimos muito agradecidos o tempo todo, mas, ao mesmo tempo, de um jeito estranho, quase não parece que foram apenas três anos, parecem 10”, explica.

O músico relembra como foi a escolha do nome da dupla. “Eu tinha um moletom escrito ‘Fuckers’ na época que nos juntamos, e lembro de pensar que aquilo encaixou perfeitamente o que Shanny e eu estávamos falando”, contou. “Nós só queríamos fazer música para nós, e tipo, foda-se, sabe?”.

A estética “faça-você-mesmo” segue como marca registrada dos Fcukers. Shanny, que dirigiu o clipe do single “Beatback”, explica que o trabalho visual do duo transmite exatamente a mensagem de seu nome. 

Tem um monte de artistas usando conceitos visuais com a música, mas nós tentamos manter isso muito simples. Nós não tínhamos um estúdio, ou dinheiro, então nós fizemos isso sozinhos, e eu acho que é a integridade de onde começamos como banda, só para nos divertir, só para nós mesmos.

Novo álbum

O processo criativo da dupla é marcado por conexões. Ö foi produzido por Kenneth Bloom (Kenny Beats), que já trabalhou com artistas como Denzel Curry, Dominic Fike e FKA Twigs, e mixado pelo engenheiro vencedor de múltiplos Grammys Tom Norris (Lady Gaga, Charli XCX, The Weeknd).

Segundo Shanny, a parceria com Bloom foi completamente inesperada. A dupla havia recebido uma mensagem do produtor no Instagram em 2024, mas nunca teve a oportunidade de encontrá-lo. 

“[Em abril de 2025], nós estávamos em Los Angeles para o Coachella, e o nosso gerente disse que nós deveríamos ir dizer oi e tomar um café [com Bloom]. E nós respondemos, tipo, ok, claro”, conta.

Nós apenas paramos lá no caminho, e tínhamos planos para mais tarde. E do nada, nós acabamos fazendo duas músicas no primeiro dia, e cancelamos o resto dos nossos planos.

O álbum foi criado em uma intensa sessão de estúdio nas duas semanas seguintes. “Foi diferente trabalhar com o Kenny, porque antes nós fazíamos tudo sozinhos e com o [DJ] Ivan Berko”, relembra Shanny. “Foi muito mais rápido, porque tínhamos alguém constantemente nos empurrando para a próxima ideia”.

Com o Kenny, nós sabíamos que tudo iria soar ótimo, porque ele é um produtor incrível. Então, ao invés de nos preocuparmos sobre se as baterias soam bem, se nós temos que ajustar mais o som do teclado, nós não precisávamos nos preocupar com isso. E nós podíamos escrever mais livremente.

Mesclando influências do house dos anos 90, do electropop, e da estética indie-sleaze — que mistura rock ‘n’ roll, grunge e glamour desleixado —, a dupla esteve aberta à experimentação. “Nós conversamos sobre a música do clube da nossa juventude, o rap dos anos 2000, e queríamos ver se nós poderíamos trazer tudo isso para um novo contexto”, diz Jackson.

A recusa a se encaixar em rótulos ou gêneros é exatamente o que transformou Fcukers em um sucesso, e lhes garantiu a habilidade de transitar em shows, festivais e festas com um som absolutamente autêntico.

“Nós queríamos levar nosso som adiante nesse álbum, porque de muitas formas, nosso EP foi quase como nosso álbum de estreia”, continua. “Grandes artistas estavam pedindo beats no estilo de Baggy$$, mas nós queríamos que esse álbum fosse uma progressão da nossa música”. “Beatback” e “Lonely” são as faixas favoritas dos músicos no momento.

Fcukers no Brasil

Como ficou claro, conexões são a palavra chave do sucesso dos Fcukers. Nos últimos anos, eles abriram shows para grandes nomes da música, como Tame Impala, LCD Soundsystem — com quem colaboraram no remix da faixa “Los Angeles“, que conta com os vocais de James Murphy —, Disclosure e Haim.

Para Shanny, a experiência é sempre única. “É bem diferente de ser o headliner de um show, em que todo mundo está lá para ver você, mas eu acho divertido”, comenta. “É interessante ver pessoas que não conhecem você se tornarem interessadas e envolvidas. Nós estamos tocando músicas não lançadas há muito tempo, então é legal ver as reações instantâneas das pessoas às músicas que nunca ouviram”.

A dupla também foi convidada para a abertura da loja “100 years in NYC”, da Louis Vuitton, em Manhattan (ao lado de Mike D, do Beastie Boys), discotecar na after party privada do Coachella de Charli XCX e, mais recentemente, na after party oficial de Ladrões (2025). Mas nada os preparava para o convite para abrir os shows de Harry Styles.

Jackson conta que recebeu um e-mail da equipe de gerência de Styles, mas a mensagem não identificava quem era o cantor. “Era tipo, você quer fazer isso? É para este tour com Superman, ou algo assim”, brinca.

E foi incrível. Quando alguém é tão grande, você recebe pouca informação. Nós assumimos que ele provavelmente ia lançar outro álbum. Mas nós nem sabíamos disso. Nós só nos tocamos quando o anúncio aconteceu.

Segundo Jackson, estes serão os maiores shows que o Fcukers já apresentou. “Eu acho que não fica maior do que isso”, diz. “Não importa o quão grande nós sejamos, eu acho que é impossível ser maior do que estes shows do Harry Styles. Isso é enorme”.

O músico afirma ter “gostado muito” do novo álbum de Styles, Kiss All The Time. Disco, Ocasionally. “E eu não estou apenas dizendo isso porque estamos abrindo para ele! Eu acho que é um álbum de muito bom gosto”, comenta. “Obviamente ele está experimentando com a eletrônica e outras coisas, mas também me despertou muitos sentimentos”.

Shanny e Jackson estão ansiosos para conhecer o Brasil. “Eu sempre quis conhecer! Estou animado para ver a praia, comer a comida, provar a ‘capirinha’”, diz o cantor, rindo.

Os shows acontecem nos dias 17, 18, 21 e 24 de julho de 2026, no Estádio do MorumBIS, em São Paulo. “Não posso esperar para ir ao Brasil”. Escute Ö abaixo:

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Jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, Gabriela é mineira e apaixonada por arte e cultura. Ela também já foi dançarina e seu principal hobbie é conhecer todos os cinemas de rua de SP. Foi estagiária no Jornal da USP e, na Rolling Stone Brasil, fala sobre música, filmes e séries.
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