SUBESTIMADO

O grande talento de Dave Grohl que muitos não notam, segundo produtor

Nick Raskulinecz, que trabalhou diretamente com o Foo Fighters, ressalta que o líder da banda não é apenas um bom baterista ou frontman carismático

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Dave Grohl, do Foo Fighters, em 2024 - Foto: Joseph Okpako / WireImage
Dave Grohl, do Foo Fighters, em 2024 - Foto: Joseph Okpako / WireImage

Embora tenha sido inicialmente reverenciado como baterista do Nirvana e depois como frontman carismático do Foo Fighters, Dave Grohl possui uma habilidade técnica que, para muitos, ainda passa despercebida.

De acordo com Nick Raskulinecz, produtor que trabalhou de perto Grohl em álbuns como One by One (2002) e In Your Honor (2005), o verdadeiro “trunfo” do líder do Foo Fighters reside em sua precisão e maestria com a guitarra.

Em uma entrevista recente ao músico e youtuber Rick Beato (via Guitar World), Raskulinecz revelou que ficou impressionado ao descobrir o quão talentoso Dave Grohl é com as seis cordas.

Ele ressaltou:

“Eu não tinha ideia do quão bom guitarrista ele era quando começamos a gravar. Fiquei simplesmente boquiaberto.”

Raskulinecz acrescentou:

“Na maioria das gravações, a guitarra é tocada por ele, e depois Chris Shiflett entra e adiciona suas partes, solos e outras coisas. Mas toda a base fundamental dessas músicas é feita por Dave.”

Dave Grohl, do Foo Fighters, em 2025
Dave Grohl, do Foo Fighters, em 2025 (Foto: Scott Dudelson / Getty Images for Coachella)

Um dos pontos que mais surpreendeu Raskulinecz foi a precisão rítmica de Grohl. Segundo ele, o líder do Foo Fighters é um músico extremamente “tight” (“preciso”), o que facilita imensamente o processo de gravação em estúdio.

O segredo de Dave Grohl

O segredo dessa precisão não é apenas talento nato, mas uma abordagem curiosa: segundo o próprio Dave Grohl, ele toca guitarra exatamente como se estivesse atrás de um kit de bateria. Em entrevista à Guitarist (via Far Out Magazine e site Igor Miranda), o líder do Foo Fighters contou que encara o instrumento com uma visão percussiva.

“Gosto de tocar guitarra como um baterista. Quando olho para uma guitarra, quase a encaro como um kit de bateria, onde a corda Mi (E) mais grave é o bumbo, e o Lá (A) e o Ré (D) são como a caixa”. Então, quando estou compondo riffs, uso as cordas e notas mais graves como bumbo e caixas, além das mais agudas como se fossem os pratos.”

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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