Dirty Honey fala à RS sobre shows no Brasil, filme ‘Minecraft’ e Guns N’ Roses
Banda americana de hard rock realiza três apresentações no Brasil, uma delas como atração da edição paulistana do festival Monsters of Rock
Igor Miranda (@igormirandasite)
Em meio aos monstros escalados para o festival paulistano Monsters of Rock, em 4 de abril, há dois monstrinhos: Dirty Honey e Jayler. A primeira não é exatamente uma iniciante — tem dez anos de carreira —, mas tem construído sua reputação aos poucos, abrindo para nomes como Guns N’ Roses (junto de quem se apresenta durante o evento no Allianz Parque), The Who, Kiss, Black Crowes e mais.
Agora, chegou a hora do quarteto composto por Marc LaBelle (voz), John Notto (guitarra), Justin Smolian (baixo) e Jaydon Bean (bateria) enfim fazer sua estreia no Brasil. Confira a agenda:
- 02/04: São Paulo (Audio) – com Jayler;
- 04/04: São Paulo (Allianz Parque; festival Monsters of Rock) — com Guns N’ Roses, Lynyrd Skynyrd, Extreme, Halestorm, Yngwie Malmsteen e Jayler;
- 05/04: Rio de Janeiro (Qualistage) – abrindo para Lynyrd Skynyrd, com Jayler;
- Ingressos no site oficial do artista.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, LaBelle refletiu sobre o prazer em dividir palco com nomes do porte de GN’R e Lynyrd Skynyrd. Admitiu ter pensado que seus colegas de Jayler, com quem se apresentam ainda em outros dois compromissos, eram uma banda gerada por inteligência artificial — mas de uma forma positiva. Ainda, refletiu sobre sua carreira até aqui e adiantou alguns pontos sobre o futuro.
Entrevista com Marc LaBelle — Dirty Honey
Rolling Stone Brasil: Dirty Honey fará três tipos diferentes de show no Brasil: em festival, como abertura do Lynyrd Skynyrd e como atração principal. O quão animado você está para esses três shows diferentes?
Marc LaBelle: Estou pilhado pela oportunidade de experienciar plateias sul-americanas pela primeira vez. Vários artistas nos falaram de vocês, que são os melhores públicos do mundo. Só de ir como turista e experimentar a cultura local pela primeira vez é algo pelo qual estou animado.
São Paulo é a segunda cidade no mundo que mais escuta Dirty Honey no Spotify — perde apenas para Londres. Vocês tiveram a oportunidade de conversar online com fãs brasileiros ou coisa assim?
MLB: Muitas vezes! Sempre há comentários do estilo “come to Brazil”. Pedidos para ir ao Brasil, à Argentina, voltar à Inglaterra. Fazia tempo que estava em mente ir ao Brasil, mas a covid veio e a oportunidade não havia surgido até agora. Agora, iremos de um jeito excelente: fazer o Monsters of Rock, ter um show headliner com o Jayler e tocar no Rio com o Skynyrd, com quem a gente nunca dividiu um palco antes.
Durante o Monsters of Rock, vocês tocam com o Guns N’ Roses. E vocês já fizeram turnê com o Guns no passado. O quão feliz você está de dividir o palco com eles de novo?
MLB: Eles são os melhores. Já fizemos tantos shows com eles a esse ponto. Conheço a banda e muita gente na equipe, é uma atmosfera profissional bem acolhedora. Somos muito fãs do Guns N’ Roses e sempre ficamos para o show deles, que normalmente dura 3 horas, 3 horas e meia. Nunca pensei que assistiria ao Guns N’ Roses em São Paulo em toda a minha vida, menos ainda fazer o show com eles.
Agora, me fale um pouco sobre sua relação com as outras bandas do festival, porque vocês vão tocar também com Lynyrd Skynyrd, Extreme, Halestorm, Yngwie Malmsteen e Jayler. Conhece alguém deles pessoalmente?
MLB: Os únicos que conheci pessoalmente foram Guns N’ Roses e Halestorm. Fiz um show em homenagem a um falecido DJ na Filadélfia com Lzzy Hale e Joe Hottinger. Acho que o Jayler é novo no geral, mais ainda para nós. Quero vê-los. Para ser sincero, eu achava que eles eram uma banda de inteligência artificial antes, pois a IA está ficando muito boa hoje em dia. Eu os vi no Instagram e pensei: isso é a IA arrasando, porque tem muito a vibe do Led Zeppelin. Não fazia ideia de que era uma banda de verdade até o convite para o festival. Adoro a música deles. Todos que gostam de rock clássico vão curtir. No mais, todo o restante eu nunca conheci pessoalmente antes. Eu tenho que ver Extreme ao vivo!
Você vem ao Brasil em um momento de alta, pois “When I’m Gone” está na trilha do filme Minecraft. De que forma isso impactou a popularidade do Dirty Honey?
MLB: Não sabíamos como seria, mas o filme ganhou força e começou a quebrar recordes de bilheteria aqui nos Estados Unidos. Filmes em geral não estavam indo bem, então esse sucesso elevou tudo na indústria cinematográfica — especialmente aqui em L.A., pois é onde fica Hollywood e podemos sentir aqui. Comecei a receber mensagens por todos os lados, especialmente de amigos que têm filhos e que foram ver o filme em família. É Jason Momoa curtindo Dirty Honey durante os primeiros minutos do filme! Isso é tão legal. Fomos ao programa de TV de Jimmy Kimmel por causa disso, o que ajuda. Muitos jovens nos conheceram por causa desse filme.
É estranho dizer isso, mas o Dirty Honey completa 10 anos no próximo ano. Quando você olha para trás, qual é a sua análise?
MLB: Tem sido uma montanha-russa. É como se tudo tivesse acontecido muito rápido, mas houve uma vida inteira tocando em bares e casas noturnas em Los Angeles por anos antes de as coisas decolarem nacional e internacionalmente. Trabalhamos muito antes que as pessoas soubessem de nós — e é ainda mais trabalho depois disso. Estamos gravando um disco novo agora e há muitas expectativas em torno disso, por agora já sermos conhecidos. Esperam certo nível de evolução. Estamos assumindo esses desafios. Ainda não realizei tudo o que quero como artista, mas tem sido sensacional.
Em entrevista à Rolling Stone americana, John Notto, seu amigo e baixista, disse que se mudou para Los Angeles para igualar o sucesso de sua banda favorita, Guns N’ Roses. Não é coincidência que vocês sejam comparados ao Guns, especialmente por seu estilo vocal. Mas como você vê isso? Acredito que as comparações te deixem honrado, mas sente que isso também pode enviesar o público?
MLB: Definitivamente pode, mas me sinto honrado por ser colocado em uma categoria com meus heróis. Nunca fomos comparados a apenas um artista. Não é: “Eles são os novos Guns N’ Roses”. Sempre é mais: “Eles são um pouco Guns N’ Roses, um pouco Black Crowes, um pouco AC/DC, um pouco Aerosmith, um pouco Led Zeppelin, um pouco Audioslave”. Fico feliz, porque incorporamos todos esses elementos das bandas que somos fãs, mas também fazemos algo novo. Só existe um Guns N’ Roses, um AC/DC e um Aerosmith, mas quando você junta tudo e mistura, gera algo fresco. Mostramos nossas influências sem copiar ninguém. Aprendemos o básico nos bares e casas noturnas tocando músicas deles, eles estão na minha voz. Ainda assim, não penso ao me ouvir: “isso soa como Axl Rose ou Steven Tyler”.
Acredito que vocês devem ter recebido propostas para assinar com grandes gravadoras, mas vocês permaneceram independentes. O quão importante é manter as coisas dessa maneira?
MLB: Conversamos com muitas pessoas de gravadoras e nenhuma delas está animada com a ideia de nos ter vinculados ao seu selo, pois você não quer duas bandas de rock competindo pela atenção de uma mesma empresa. Também nunca ouvimos falar do quão ótimo é o trabalho que uma gravadora está fazendo. Pelo que dizem, são, no mínimo, intrusivos. Hoje, grande parte do conteúdo e marketing já é dirigido pelos artistas. Como artista, não acho que seria diferente se estivéssemos em uma gravadora. Fazemos o que queremos. Podem até opinar sobre qual seria o primeiro single de um álbum, mas já temos isso com nosso empresário e equipe de promoção de rádio. Musicalmente, não afetaria. Tantos artistas nunca têm uma chance real porque talvez tenham assinado com uma gravadora e a pessoa que os contratou foi demitida, aí entra alguém novo que não se importa com eles. Simplesmente se perdem em um mar de artistas de uma gravadora. Por outro lado, talvez uma gravadora pudesse fazer um bom trabalho nos promovendo no Brasil e no restante da América do Sul, com uma expertise local que nós não temos. Quem sabe? De toda forma, seguimos assim.
Pouco mais de dois anos após o álbum mais recente, Can’t Find the Brakes, como você vê esse álbum hoje?
MLB: Foi realmente bom para usarmos como um marco evolutivo. Tentamos muitas coisas novas. Lançamos nossa primeira música acústica, “Coming Home”. Improvisamos um pouco no final do disco e exploramos o talento musical em uma música como “Rebel Son”. “Won’t Take Me Alive” é um rock and roll intenso que também era novo e diferente de nossos singles anteriores. Houve muita evolução. Para o que vem a seguir, me inspiro mais liricamente no que está acontecendo no mundo. É difícil não deixar que isso se infiltre na sua mente enquanto você escreve. Já musicalmente e na produção, evoluir ao adicionar mais elementos. Sempre tem que se estar em evolução. Somente uma banda na história fez a mesma coisa tempo todo: o AC/DC, e eles fazem isso de forma incrível.
Vocês já estão compondo e gravando novas músicas?
MLB: Sim. Terminamos uma turnê com The Struts em 4 de outubro. Tiramos um mês de folga e nos dedicamos a isso. Agora é hora de gravar o álbum. Esperamos terminar tudo antes de ir ao Brasil.
Você explicou a abordagem das letras, mas e musicalmente, como esse álbum vai soar?
MLB: Estamos no processo de escolher um produtor [nota: a entrevista ocorreu no início de março]. Depois disso, trabalharemos em estúdio. Esperamos poder trabalhar mais no aspecto musical em estúdio desta vez. Às vezes fica um pouco limitado com o equipamento já disponível, mas estamos sem limites desta vez.
Shows no Brasil
- 02/04: São Paulo (Audio) – com Jayler;
- 04/04: São Paulo (Allianz Parque; festival Monsters of Rock) — com Guns N’ Roses, Lynyrd Skynyrd, Extreme, Halestorm, Yngwie Malmsteen e Jayler;
- 05/04: Rio de Janeiro (Qualistage) – abrindo para Lynyrd Skynyrd, com Jayler;
- Ingressos no site oficial do artista.
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