Três dias após o lançamento de seu sétimo mini-álbum, The Sin: Vanish, na última sexta-feira, 5, o ENHYPEN está de volta com um álbum de remixes lançado hoje, 19 de janeiro. Na verdade, são sete álbuns de remixes, cada um liderado por um membro do septeto. Você poderia pensar que criar trabalho extra seria exaustivo, mas o ENHYPEN encara isso coletivamente como uma oportunidade artística.
“Eu adorei trabalhar no meu álbum de remixes,
The Sin: Vanish (Sunoo ver.)”, disse
Sunoo à
Rolling Stone em uma conversa por Zoom. “Sinto que foi uma ótima maneira de expandir meu próprio envolvimento com a gravação, então adorei a experiência.”
Nesse momento, seus colegas de banda acenam com a cabeça em sinal de aprovação enquanto se reúnem em uma sala de conferências no escritório da
HYBE em Seul. Todos estão vestidos casualmente (camisetas, bonés de beisebol, gorros e um ou dois casacos), sem a maquiagem de palco que usam para sessões de fotos e videoclipes.
Sunoo,
Sunghoon,
Jay e
Jake sentam-se na frente, com
Heeseung,
Jungwon e
Ni-ki sentados atrás. Eles são educados, aguardando sua vez de falar sobre seus respectivos álbuns de remixes, que compartilham o mesmo título —
The Sin: Vanish, com a inclusão entre parênteses do nome específico de cada membro.
Conforme a entrevista prossegue, eles batem palmas e fazem corações com os dedos para demonstrar sua gratidão, além de falarem abertamente sobre como cuidam uns dos outros. Por exemplo, quando Sunoo desaparece inadvertidamente do enquadramento, Sunghoon o traz gentilmente de volta para a cena. Desde sua estreia em novembro de 2020, o ENHYPEN cultivou uma aura sexy de vampiros. Mas, durante esta entrevista exclusiva com a Rolling Stone, eles exalam mais uma vibe de golden retriever do que a de mortos-vivos taciturnos.
Os álbuns digitais de remixes do ENHYPEN contêm todas as 11 faixas do mini-álbum do grupo — seis músicas, incluindo o single principal, “Knife”, além de quatro narrações teatrais feitas por atores profissionais e uma esquete — bem como seus próprios remixes de “Knife”, uma versão em inglês de “Knife” e vocais individuais.
Originários de um país sem cultura de armas, o ENHYPEN escolheu uma faca como imagem central em sua faixa principal — refletindo não apenas o uso de facas como arma em K-dramas na Coreia do Sul, mas também como uma faca comum não é forte o suficiente para matar um vampiro. As histórias de vampiros do grupo são profundas, retratando a relação simbiótica entre os sete membros e seu fandom leal, ENGENE. O que nos leva à seguinte pergunta: se o ENHYPEN são os vampiros, qual o papel do ENGENE nisso tudo?
“Sabe como sempre incluímos personagens femininas em nossos álbuns e trailers?”, pergunta Sunghoon. “Sempre levamos em consideração a ENGENE enquanto produzimos nosso trabalho. Então, elas poderiam ser comparadas a essas personagens femininas e poderiam ser nossas amigas. Amigas vampiras.”
A etnomusicóloga Donna Kwon elogia o compromisso do ENHYPEN com o folclore vampírico, tradicionalmente associado à cultura do Leste Europeu. “Com o videoclipe de ‘Bite Me‘, de 2023, acho que eles também desafiaram um pouco as convenções do K-pop”, disse Kwon — professora da Universidade de Kentucky e autora de Music in Korea: Experiencing Music, Expressing Culture — à Rolling Stone. “A presença ou o desenvolvimento de um folclore é uma das várias estratégias que um grupo pode usar para conquistar fãs, se destacar e ser competitivo. Os fãs que realmente gostam de folclore costumam se conectar com outros membros do fandom para descobrir os diversos significados e detalhes.”
Sobre quantas músicas o ENHYPEN discutiu antes de decidir que “Knife” seria a escolhida para o remix, Sunghoon respondeu: “Foi ‘Knife’ desde o início. Estávamos todos de acordo desde o começo. Apenas trabalhamos nela cada um à sua maneira.”
Por exemplo, o líder do grupo, Jungwon, misturou industrial e metal em seu remix. “Minha versão é do gênero nu metal”, diz ele. “Fazemos muitos shows ao vivo, então obviamente eu já tinha isso em mente desde o início. A faixa original já tem um som bem impactante, mas eu sabia que o som da banda combinava muito bem com a pegada hip-hop e trap, então quis misturar esse som da banda para deixá-lo ainda mais impactante.”
“O remix começou com a visão de Jungwon para o palco, onde ele queria uma faixa que irradiasse uma energia forte e divertida para apresentações ao vivo”, acrescenta o produtor Armadillo, que trabalhou com ele. “Como os artistas muitas vezes percebem a música de forma diferente dos produtores, sentimos que a ideia inicial dele era convincente e começamos a moldar a faixa em torno desse conceito. Durante a produção, trabalhamos juntos no riff principal de guitarra. Jungwon já tinha uma ideia clara dos padrões de bateria em mente. Com instrumentos virtuais configurados com bumbo e caixa, ele executou as partes de bateria no teclado master, produzindo um ritmo e uma energia que superaram as expectativas. A sessão pareceu menos uma produção formal e mais uma jam colaborativa.”
Enquanto isso, o remix de Heeseung tem uma vibe hipnótica e dançante, com uma batida de fundo com eco. O vocalista também gravou vocais adicionais que não estavam na faixa original.
“Colaborei com o Apro, que é um amigo próximo e produtor, neste remix eletrônico boom-bap”, diz Heeseung. “Queria trabalhar com o BPM para que as pessoas pudessem curtir a música de um jeito relaxado e tranquilo. Queria que a música tivesse um charme cativante, então adicionamos muitos efeitos, como o som de dados rolando, para dar um toque dinâmico. O motivo de eu ter adicionado [alguns vocais novos] foi porque queria manter o charme original, mas adicionando um toque divertido e empolgante. Eu mesmo toquei sintetizador em algumas partes. Estou muito feliz com o resultado.”
“Para os vocais, a contribuição de Heeseung foi fundamental para o processo”, acrescenta Apro. “Reestruturamos o arranjo em torno de frases curtas e repetitivas para aumentar o apelo, enquanto novas camadas de duplicação e pads de coro foram adicionadas para aumentar a densidade e criar uma textura vocal mais rica e expansiva.”
Jay, natural de Seattle, tinha uma visão clara para seu remix de “Knife“. O fato de a música, com sua pegada de guitarra, soar pronta para estádios é intencional.
“Fiz esse remix com meu amigo produtor Frants, com quem tenho feito muitas das minhas músicas recentes”, diz Jay. “Ele conhece meu método de trabalho e meu estilo, então o processo foi bem fácil e tranquilo para conseguirmos uma pegada metal agressiva. Achei que soaria muito bem se tocássemos essa música no palco ou como bis em algum lugar nos Estados Unidos ou em algum país que realmente curta metal.”
“Desde o início, Jay tinha uma visão clara da direção geral do remix, não apenas sonoramente, mas também em termos de como ele se desenvolveria no palco em grande escala”, diz Frants. “Em vez de alterar a essência da faixa original, nos concentramos em amplificar sua energia e senso de escala, moldando cuidadosamente o som para se alinhar com a poderosa imagem e direção musical que Jay havia imaginado.”
Para Jake, um australiano de ascendência coreana, explorar o hip-hop old-school de Memphis resultou em uma música com um som ao mesmo tempo retrô e moderno.
“Acho que as batidas no estilo Memphis estão muito populares e em alta agora”, diz Jake. “Há muitos artistas jovens no Reino Unido e na Europa que estão fazendo esse tipo de música. Eu os ouço bastante e sinto que esse estilo vai ser ainda mais apreciado daqui para frente. Sempre quis experimentar fazer música com esse tipo de batida. Acho que é bem minimalista. Há menos sons e fontes na minha faixa, mas sinto que essa é a chave para esse tipo de batida.”
“Embora Jake naturalmente transmita uma imagem suave e romântica, ele possui uma essência distintamente realista como artista”, acrescenta Ca$hcow, o produtor com quem colaborou. “Ele demonstra um alto nível de concentração no estúdio e não tem medo de eliminar tudo o que é desnecessário, o que me deu a impressão de que ele busca transmitir presença e carisma através de sua música. Para melhor refletir essa mentalidade, nos inclinamos para um estilo minimalista de hip-hop de Memphis, baseado em loops e construído sobre tensão e repetição, o que se alinha perfeitamente com a energia controlada e discreta de Jake.”
Sunghoon lembra-se de ter ponderado sobre qual direção seguir antes de se inclinar para um som vibrante de baile funk. O ex-patinador artístico competitivo diz que espera que os fãs gostem da sua versão e acrescenta timidamente que seria divertido se o seu remix de “Knife” se tornasse viral.
“Me inspirei no funk brasileiro”, diz Sunghoon. “Se você observar os desafios e os sons que estão bombando no TikTok, vai perceber que o baile funk é um gênero muito popular, então quis experimentar também.”
“Antes de trabalharmos juntos neste remix, eu já havia encontrado o Sunghoon brevemente em outra ocasião, e ele compartilhou a visão que vinha desenvolvendo há muito tempo”, acrescenta Armadillo. “Seu foco principal era criar músicas que pudessem ser usadas em conteúdo de curta duração, tornando-as interativas e envolventes para os fãs, em vez de apenas uma experiência de audição. Como produtor, achei essa abordagem revigorante e nada convencional. Ele estava pensando mais em como a música seria usada do que no gênero em si. Graças a essa direção clara, a faixa naturalmente tomou forma como um baile funk energético. Com o objetivo tão bem definido, quando finalmente nos encontramos para trabalhar juntos, a faixa principal do loop foi concluída em menos de duas horas. A energia, o ritmo contagiante e todos os elementos do gênero se uniram de uma forma incrivelmente empolgante e divertida.”
Enquanto Sunghoon se dedicou ao baile funk, Sunoo optou por gravar uma versão digi-pop de “Knife” que é otimista e animada, mas com um lado dramaticamente tenso que contradiz a disposição ensolarada do artista.
“Meu produtor e eu conversamos bastante sobre qual direção deveríamos seguir”, diz Sunoo. “O nome oficial do gênero é glitch pop. Ele transmite uma forte vibe de videogame, algo que eu sempre quis experimentar. Foi uma ótima experiência e, em termos de narrativa, é muito impactante. Então, no geral, eu me diverti muito.”
“O remix do Sunoo surgiu da sua imprevisibilidade e do seu amplo espectro emocional”, diz Ca$hcow. “No fundo, está a sua energia vibrante e inspiradora, mas sentimos que o seu verdadeiro charme reside na delicada tensão criada pela ansiedade e sensibilidade que coexistem dentro dela. Para capturar essa dualidade, evitamos sons excessivamente polidos e, em vez disso, usamos texturas fragmentadas para adicionar personalidade e ousadia. O Sunoo tende a se identificar mais com faixas que refletem abertamente o instinto e o gosto pessoal, em vez de músicas com uma fórmula claramente definida. Com isso em mente, evitamos prender a estrutura a algo muito rígido e nos concentramos em sobrepor intuitivamente elementos com os quais sentimos que ele se conectaria.”
O membro mais jovem, Ni-ki, natural do Japão, tinha ideias muito específicas sobre como queria que seu remix soasse. Sua versão de “Knife” começa rápida, com efeitos vocais que conferem à música uma vibe urgente. É uma faixa boom-bap energética e intensa, feita para colocar as pessoas para dançar.
“Sou dançarino há muito tempo, desde que era aprendiz de K-pop até agora”, diz Ni-ki. “E a questão é que ouvimos muitas músicas aceleradas no estilo boom-bap quando nos aquecemos antes do ensaio. Então, eu queria mesmo aquela vibe retrô do hip-hop old-school. Adicionamos alguns elementos e detalhes divertidos, como o som distorcido do rádio no início, que foi intencional. Acho que, no fim das contas, temos uma ótima música para dançar.”
“Para os vocais de abertura, que apresentam uma camada de coral totalmente resampleada, buscamos uma textura vintage à moda antiga, usando plugins no estilo cassete da Wavesfactory e processamento inspirado em vinil com o RC-20”, diz o produtor BreadBeat. “Embora inicialmente tenhamos considerado tanto tech house quanto hip-hop, Ni-ki sugeriu começar a produção em um formato acelerado e deixar o gênero se desenvolver naturalmente. Essa ideia se tornou um ponto de virada crucial, e sua energia naturalmente pesada e rítmica nos levou a um remix no estilo boom-bap. Como um dançarino talentoso, Ni-ki se sente atraído por ritmos com groove e momentum claros, e sua contribuição desempenhou um papel importante na definição do arranjo e da dinâmica dos vocais acelerados.”
Ao final da entrevista, o grupo reflete sobre o quanto cresceram como artistas nos últimos cinco anos. Pergunto a eles: se pudessem voltar no tempo e encontrar seus eus de 10 anos, o que diriam?
“Vou dizer para a minha versão mais jovem para preencher seu coração e ser fiel às suas emoções”, diz Ni-ki. “Apenas faça o que você quer fazer, ou o que seu coração deseja, e visualize seu sonho. E um dia, você encontrará muitos irmãos mais velhos incríveis.”
Sunghoon sorri para o maknae do grupo — ou membro mais novo — e diz: “Eu tive um pouco de dificuldade quando praticava patinação artística. Era complicado para mim acompanhar as pontuações e o meu desempenho. Só quero dizer para ele ter confiança e não se preocupar tanto com os números e as pontuações.”
“Quero dizer a mim mesmo para visualizar meu futuro”, diz Jay. “O que você pensa e o quanto você trabalha se tornará seu futuro, então dê o seu melhor. Você não precisa ficar chateado com o rumo que sua vida tomou.”
“No passado, tínhamos uma turnê chamada Fate (Destino, em tradução livre)”, diz Jake. “Acredito no destino e que tudo acontece por uma razão. Então, eu diria para o meu eu mais jovem: simplesmente faça o que você tem que fazer.”
Jungwon afirma que não quer dizer nada especificamente para seu eu criança, exceto: “Confie em si mesmo e tenha fé em si mesmo”.
Sorrindo, Sunoo diz: “Eu gostaria de ter me exercitado mais quando era criança, porque acho que poderia ter ficado mais alto se tivesse me exercitado mais, mas não o fiz. Então, gostaria de incentivá-lo a ser uma criança atlética.”
Heeseung pondera sobre a pergunta antes de responder. “Acho que não vou dizer nada [para ele], porque meu MBTI é T [pensamento], e sou uma pessoa lógica e racional. Sei que meu eu de 10 anos teve que seguir exatamente o mesmo caminho para chegar onde estou hoje.”