Lollapalooza: Bruno Martini se prepara para estrear nova turnê no festival
DJ e produtor brasileiro co-autor do hit "Hear Me Now" se apresenta neste sábado, 29, no evento que acontece no Autódromo de Interlagos
Por Rodrigo Tammaro
Publicado em 29/03/2025, às 09h30
O Lollapallooza Brasil já começou e se prepara para o segundo dia do festival neste sábado, 29. Entre as atrações, está o Dj e produtor brasileiro Bruno Martini, que se apresenta no Palco Perry’s by Fiat a partir das 16h30.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o artista falou sobre os preparativos para o show em um dos principais eventos do mundo, o crescimento do mercado de música eletrônica e o futuro do gênero no país.
Ver essa foto no Instagram
RS: Hoje você se apresenta no Lollapalooza. Quais são suas expectativas e o que você preparou para o festival?
Bruno Martini: Estou muito feliz. É a primeira vez que eu participo do Lollapalooza. Na minha carreira tive a oportunidade de participar de vários festivais ao redor do mundo. EDC Las Vegas, Tomorrowland na Bélgica, EDC México, enfim. Faltava o Lolla, sempre foi um festival que eu quis tocar. É muito especial para mim, ainda mais com esse line-up incrível com Justin Timberlake, Rüfüs Du Sol, uma galera super legal.
Então preparei um show muito, muito especial, com muito carinho e dedicação. Vou estrear a minha nova tour, Mixtape, nesse Lolla. As pessoas vão ficar bem contentes e pode ter certeza que vai ser uma entrega de um show muito legal. Vejo vocês lá.
RS: Como é para você se apresentar em um festival que não é exatamente focado em música eletrônica?
Bruno Martini: A música eletrônica teve um boom super comercial e mainstream alguns anos atrás até chegar nos dias de hoje, em que é muito presente no dia a dia das pessoas. A própria música “Hear Me Now”, que eu fiz com o Alok e com o Zeeba, se tornou a música feita poro brasileiros mais streams no Spotify. Então, por mais que não seja um festival focado no gênero, eu acho que a eletrônica já furou essa narrativa. Tanto que o Lolla fez um palco focado só em música eletrônica e que está sempre cheio. Este ano não vai ser diferente.
RS: Você tem colaborações de peso com artistas brasileiros como os já citados Alok e Zeeba, além de artistas internacionais como Timbaland, Zedd e muitos outros. O que essas parcerias significam para você?
Bruno Martini: É muito especial. Eu vim de berço de músico, meu pai [Gino Martini] tem uma banda que chama Double You com o William [Naraine] e eles estão juntos desde 1992, quando eu nasci. Sempre fui apaixonado por música eletrônica, até porque quando o meu pai fez parte da eurodance dos anos 90, ouvi muita coisa do gênero. Muitos DJs frequentavam o estúdio dele também.
Cada parceria é uma história diferente. Eu trabalhei 8 anos para Disney também antes, tinha um projeto que chamava College 11, fizemos alguns discos, depois fiz uma série de TV, aí fiz músicas que se tornaram temas de filme, temas de séries e programas de televisão, várias coisas que tive a oportunidade de participar. Quando eu saí da Disney, a primeira música que lancei foi “Hear Me Now”. Foi muito especial porque quebrou vários paradigmas. Uma música feita no Brasil e que abriu portas para o gênero no mundo inteiro. Hoje a gente vê DJs brasileiros fazendo sucesso em vários países e acho que essa música ajudou muito nesse aspecto.
RS: Além da colaboração com Alok e Zeeba, qual outra foi marcante?
Bruno Martini: Uma muito especial para mim foi com Timbaland, porque as produções dele marcaram muito minha adolescência. Eu passei uns 10 dias com ele em Los Angeles fazendo música. Convidei a Iza para cantar “Bend the Knee” e fizemos um clipe super legal. E trabalhar com ele foi também um divisor de águas para mim, aprendi muito. Depois até eu voltei lá para os Estados Unidos, levei meu pai para conhecer ele, foi muito legal, ele é um cara muito especial.
Outra oportunidade foi trabalhar com Duran Duran. Eu comecei tocando guitarra, então tinha o DVD deles em casa e ficava tentando tirar as músicas “Hungry Like the Wolf” e “Save a Prayer”. Então poder estar com eles foi muito especial e a gente teve um contato super bacana. Fui muito abençoado na minha carreira por poder trabalhar com artistas que eu sempre fui muito fã, mas cada história é uma história, cada parceria é uma parceria.
RS: Em 2024 você lançou o single “You Will Find Me”. Como você sentiu a recepção do público?
Bruno Martini: Fiquei muito contente de finalmente poder lançar essa música. Eu fiz ela há um tempo e foi muito especial. Estava em uma turnê nos Estados Unidos e me encontrei com o cantor Dave Gibson, que já trabalhou com Calvin Harris e vários outros artistas grandes. A gente foi para o estúdio e a energia estava muito certa.
Ele mesmo me disse que aquela sessão mudou o dia dele, que estava passando por alguns problemas pessoais. Tudo fluiu, eu peguei o baixo, comecei a tocar, comecei a gravar, ele começou a cantar, já escreveu uma parte e a música já estava feita. Depois eu finalizei no meu estúdio aqui em São Paulo, mas a música foi basicamente feita nessa energia e fiquei muito feliz de poder colocar ela no mundo.
RS: E como estão os preparativos para seu próximo álbum?
Bruno Martini: Estou trabalhando muito, tem muitas faixas muito especiais que eu quero lançar este ano, muitas parcerias bem bacanas. Acabei de lançar o Anto EP também, que é bem segmentado, bem alternativo, focado realmente em música eletrônica.
O álbum está guardado a sete chaves, estou trabalhando com muito cuidado, muito carinho e eu tenho certeza que o público vai se surpreender bastante quando eu lançar ele.
RS: Você está por trás do selo Beeside Records em uma parceria que também envolve Edo Van Duijn e Rick Bonadio. Quais são os objetivos de vocês nessa iniciativa?
Bruno Martini: Eu sempre quis poder abrir minha gravadora, mas demorei um tempo até conseguir me estruturar e realmente poder oferecer algo legal para os DJs. E foi no tempo certo, porque eu dei uma pausa dos shows, de tudo, por um problema pessoal. Estou muito feliz por estar com o Rick e com o Edo, que trabalha comigo desde há uns 10 anos.
O objetivo foi ajudar a galera. Tem muita gente talentosa surgindo na música eletrônica, gente bem mais nova que eu, fazendo música muito boa, com uma qualidade incrível. E quando comecei, o Brasil ainda não tinha tanta oportunidade no mercado, a gente sofria para conseguir lançar uma música para ter uma visibilidade em outros países. Mas mudamos esse cenário, todo mundo olha para a música brasileira agora, estamos sempre lançando tendências novas. Então a intenção é poder dar a oportunidade de lançar, poder ajudar as pessoas que querem crescer e tudo mais, isso está sendo muito especial. Estou bem feliz.
RS: Como você vê a cena de música eletrônica no Brasil hoje?
Bruno Martini: A gente galgou muito e conquistou um espaço gigantesco. A cada hora aparece um nome novo que está fazendo sucesso no mundo inteiro e sinto que o mundo todo olha para a música eletrônica brasileira, a gente virou uma referência e está sempre evoluindo.
É um momento incrível, às vezes eu olho para trás e penso: ‘Caramba, era tão difícil a gente conseguir lançar uma música na Spinnin', que é uma gravação holandesa, ou ter um respaldo e hoje em dia as pessoas olham para o Brasil’. Isso para mim é muito gratificante e muito especial.
+++LEIA MAIS: Olivia Rodrigo rompe a bolha com show ensurdecedor no Lollapalooza Brasil
+++LEIA MAIS: Lineup do Lollapalooza está mais fraco em 2025? Diretor responde