'O QUE EU PODERIA TER FEITO?'

Kim Thayil sobre Chris Cornell: ‘não dá para salvar tudo que você ama’

Nove anos após trágica morte do vocalista, guitarrista do Soundgarden comenta sobre luto, sentimento de culpa e o vazio deixado pelo amigo

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Kim Thayil e Chris Cornell durante show do Soundgarden em 2015 (Foto: Paul Rovere / Getty Images)
Kim Thayil e Chris Cornell durante show do Soundgarden em 2015 (Foto: Paul Rovere / Getty Images)

A morte de Chris Cornell, em 18 de maio de 2017, chocou o mundo da música e colocou um ponto final abrupto na trajetória de uma das vozes mais aclamadas do rock nas últimas décadas.

Nove anos após o vocalista do Soundgarden ter sido encontrado morto em um quarto de hotel em Detroit, nos Estados Unidos, o guitarrista Kim Thayil falou sobre impacto da perda, o doloroso processo de luto e o vazio deixado pelo amigo.

Em entrevista recente ao jornal britânico The Guardian, por ocasião do lançamento de sua autobiografia A Screaming Life: Into the Superunknown with Soundgarden and Beyond, Thayil se mostrou ainda bastante abalado pela morte de Chris Cornell.

Ele refletiu:

“Eu nunca poderia ter antecipado o vazio, a ausência e o quão profundo isso é. A perda não está apenas na falta do companheirismo, da parceria criativa e de tudo o que aprendi com ele. Também sinto falta daquele senso de dever, como um irmão mais velho, de protegê-lo.”

Chris Cornell (Foto: Christie Goodwin / Redferns via Getty Images)
Chris Cornell (Foto: Christie Goodwin / Redferns via Getty Images)

Em seguida, acrescentou, falando sobre a sensação de que não foi capaz de ajudar o amigo, que tirou a própria vida:

“Ainda me pergunto: ‘O que eu poderia ter feito?’ Tive que reconhecer minha própria mortalidade, minha vulnerabilidade e minha impotência. Você não pode salvar tudo o que ama. Talvez você nem consiga se salvar.”

A morte de Chris Cornell, sob a ótica de Kim Thayil

Em trecho de suas memórias, antecipado pela Rolling Stone EUA, Kim Thayil reconstrói o fatídico dia e lembra que, inicialmente, a banda achou que a notícia da morte de Chris Cornell era um trote de internet. A dura realidade, no entanto, confirmou-se minutos depois.

Kim escreveu no livro:

“Eu não previ o que ia acontecer. O que mais me machuca é ser um amigo próximo e colega de trabalho e não ter percebido coisas que talvez, em retrospecto, eu devesse ter percebido. Isso dói. Sinto que falhei com Chris por não ter percebido o sentimento nos olhos dele, ou não notar o tom em sua voz — por não ter sido capaz de ler os sinais.”

Soundgarden nos anos 2010 (E-D): Chris Cornell, Ben Shepherd, Matt Cameron e Kim Thayil
Soundgarden nos anos 2010 (E-D): Chris Cornell, Ben Shepherd, Matt Cameron e Kim Thayil (Foto: John Lamparski/WireImage via Getty Images)

Soundgarden atualmente

Os membros sobreviventes do Soundgarden estão atualmente trabalhando nos retoques finais de uma coleção de canções inéditas, desenvolvidas a partir das últimas gravações demo deixadas por Chris Cornell.

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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