Kneecap anuncia novo álbum: ‘Uma resposta àqueles que tentaram nos silenciar. E falharam’
Mesclando crítica social e humor ácido, grupo de rap que enfrentou graves polêmicas em 2025 confirma seu retorno às plataformas digitais
Gabriela Nangino (@gabinangino)
Após alguns anos conturbados — incluindo uma acusação de terrorismo, apresentações polêmicas em grandes festivais e o lançamento de um filme premiado internacionalmente — o Kneecap está de volta. Nesta quarta, 28 de janeiro, o trio de hip-hop da Irlanda do Norte anunciou o lançamento de seu terceiro álbum de estúdio, FENIAN, em 24 de abril, pela Heavenly Recordings. O disco estará disponível para pré-venda neste link, a partir das 16h30 (horário de Brasília).
O álbum sucede o aclamado Fine Art (2024) e três singles independentes lançados em 2025, “THE RECAP” com Mozey, “Sayōnara“, com Paul Hartnoll, do Orbital, e “No Comment” com o DJ Sub Focus, nenhum dos quais está presente no novo disco. Com 14 faixas, FENIAN incluirá colaborações com Kae Tempest, Radie Peat e Fawzi. O primeiro single, “Liars Tale“, chega às plataformas digitais ainda hoje.
Na legenda do anúncio no Instagram, o trio provocou o público. “Tentaram nos deter rotulando o Kneecap de ‘terroristas’, com cancelamentos e declarações do próprio Primeiro-Ministro”, escreveram. “Tínhamos toda a motivação necessária… esta não é uma reação impulsiva, mas uma resposta ponderada àqueles que tentaram nos silenciar. E falharam”.
Conhecidos por letras satíricas que questionam o sistema político vigente e a marginalização histórica do povo irlandês, Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Próvaí formaram o Kneecap — nome que faz um trocadilho com a punição paramilitar de atirar nos joelhos (“kneecapping”) e a expressão irlandesa “ní cheapaim” (acho que não) — em 2017, na cidade de Belfast. Como forma de resistência, os músicos mesclam inglês e irlandês em suas faixas, e foram reconhecidos por revitalizar o uso da língua irlandesa entre os jovens.
Segundo o grupo, o título “Fenian” faz referência aos guerreiros do folclore irlandês, termo que mais tarde foi utilizado de forma pejorativa contra os próprios irlandeses. “Agora estamos usando o termo para nomear todos que falam a verdade ao poder”, continuam.
“Após 800 anos de colonização, pensaram que a língua irlandesa morreria, mas não morreu. Graças à Muintir na Gaeltachta e a todos os gaélicos que se recusaram a deixar sua cultura e língua serem destruídas”, afirmam. “E o Kneecap é muito parecido… não desaparecemos. Os irlandeses estão de volta”.
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Entenda a polêmica do Kneecap
Quando dizem que “tentaram nos deter rotulando o Kneecap de ‘terroristas'”, eles não estão exagerando. O trio britânico frequentemente critica a dominação cultural britânica e o estado de Israel em suas apresentações ao vivo, o que gerou polêmica no Coachella 2025.
A polêmica, na verdade, se iniciou em novembro de 2024, quando Mo Chara (nome artístico de Liam Óg Ó hAnnaidh, 28 anos) teria exibido uma bandeira do Hezbollah durante um show, organização classificada como terrorista pelo governo britânico. Imagens que circularam meses depois também mostraram outro integrante gritando “Viva o Hezbollah”, o que levou a uma acusação de terrorismo.
O caso ganhou repercussão internacional após a apresentação do grupo no Coachella, quando os telões do palco exibiram os dizeres “F*ck Israel” e os rappers acusaram Israel de cometer genocídio em Gaza com apoio dos Estados Unidos.
Desde então, o Kneecap nega qualquer ligação com grupos armados ou incitação à violência. Em entrevista ao The Guardian (via NME), Mo Chara comentou sobre o ocorrido, reforçando o caráter satírico do grupo.
“Por que eu deveria me arrepender? Era uma piada – estamos interpretando personagens, é satírico, é uma piada”, afirmou. “E esse não é o ponto. O ponto é que isso não era um problema até falarmos ‘Palestina Livre’ no Coachella. Isso aconteceu há 18 meses e ninguém se importou”.
“Se você acredita que o que uma banda satírica que interpreta personagens no palco faz é mais ultrajante do que o assassinato de palestinos inocentes, então você precisa rever seus conceitos”, continuou. No festival Glastonbury, na Inglaterra, em junho, o trio voltou a protagonizar controvérsia ao fazer declarações pró-Palestina e acusar Israel de crimes de guerra.
O processo referente ao show de 2024 foi arquivado em setembro de 2025 devido a uma questão técnica; na ocasião, o magistrado chefe declarou ao tribunal que a acusação era “ilegal e nula”.
Em resposta, Mo Chara disse: “Este processo nunca foi sobre mim. Nunca foi sobre qualquer ameaça ao público; nunca foi sobre terrorismo, uma palavra usada pelo seu governo para desacreditar pessoas que vocês oprimem. Sempre foi sobre Gaza, sobre o que acontece se você se atreve a falar. Suas tentativas de nos silenciar falharam porque estamos certos e vocês estão errados.”
A história da formação do Kneecap é retratada no filme biográfico Kneecap – Música e Liberdade, que foi aclamado no Festival de Sundance de 2024 e venceu o BIFA de Melhor Filme Britânico Independente e o BAFTA de Melhor Filme de Estreia. Dirigido por Rich Peppiatt (One Rogue Reporter) e interpretado pelos próprios integrantes da banda, o filme mescla filmagens de performances reais e cenas dramatizadas sobre a ascensão do Kneecap à fama.
“A narrativa equilibra a urgência política com uma energia punk-rap recheada de humor e confrontos contra o Sistema”, escreveu a Rolling Stone Brasil. O longa está disponível no HBO Max.
Confira a tracklist completa de FENIAN a seguir:
Tracklist de FENIAN
- ‘Éire go Deo’
- ‘Smugglers & Scholars’
- ‘Carnival’
- ‘Palestine’ (com Fawzi)
- ‘Liars Tale’
- ‘FENIAN’
- ‘Big Bad Mo’
- ‘Headcase’
- ‘An Ra’
- ‘Cold At The Top’
- ‘Occupied 6’
- ‘Gael Phonics’
- ‘Cocaine Hill’ (com Radie Peat)
- ‘Irish Goodbye’ (com Kae Tempest)
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