Leoni revela sobre quem é ‘Exagerado’, hit de Cazuza
Suposta inspiração para a canção de sucesso trabalhou com o cantor desde os tempos de Barão Vermelho, servindo como produtor e mentor
Pedro Hollanda (@phollanda21)
A obra de Cazuza tem várias músicas abertas a interpretações quanto a quem poderia ser a respeito. Entretanto, uma que muitos julgavam ser um retrato do próprio artista, “Exagerado”, pode na realidade contar com inspiração em outra pessoa.
Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o cantor e compositor Leoni afirmou que ouviu a verdade do próprio Cazuza enquanto trabalhava na canção com ele. O exagerado em questão, curiosamente, era o terceiro compositor: Ezequiel Neves.
Leoni relatou:
“Para mim, o Cazuza disse que o exagerado era o Ezequiel, tanto que ele usou várias frases dele, como ‘te trago mil rosas roubadas’. Há até a história do Ezequiel com o Iggy Pop, em Los Angeles. Ele estava tão louco que o Iggy disse a ele: ‘Take it easy, man! Cool down’.”
Vida e obra de Cazuza estão sob holofotes novamente em uma exposição, Cazuza Exagerado. Após o sucesso no Rio de Janeiro, a mostra foi trazida para São Paulo, com área especial destinada a ela no Shopping Eldorado, em Pinheiros.
Quem foi Ezequiel Neves, o Zeca Jagger
Ezequiel Neves foi um jornalista que trabalhou, entre outras publicações, para a versão brasileira inicial da Rolling Stone no começo dos anos 1970, onde assinava sob o pseudônimo de Zeca Jagger. A revista era publicada de maneira independente, sem o aval da matriz americana, e foi fechada pela ditadura militar.
Em 1975, ele começou a carreira de produtor musical com o grupo Made in Brazil. Quatro anos depois, passou a trabalhar para a gravadora Som Livre. Logo conheceu Cazuza, filho do presidente do selo, com quem começou uma amizade e mentoria.
Meses após Cazuza entrar para o Barão Vermelho, em 1981, Neves viu potencial no grupo. Junto de Guto Graça Mello, diretor da Som Livre, produziu o álbum de estreia Barão Vermelho (1982). O disco inicialmente foi um sucesso de crítica, mas não de público, vendendo apenas sete mil cópias.
O segundo trabalho, Barão Vermelho 2 (1983), se provou o momento de estouro. Várias figuras da MPB chancelaram o talento do vocalista para compor.
Quando Cazuza saiu do Barão em julho de 1985, Ezequiel continuou trabalhando com ambas as partes. Ele produziu todos os álbuns do cantor até a morte deste, em decorrência da Aids, em 1990. Quanto ao grupo, Neves foi produtor de todos os discos deles até sua própria morte, em 2010.
Um longa-metragem sobre a vida e carreira do produtor, chamado Ninguém Pode Provar Nada – A Inacreditável História de Ezequiel Neves, foi exibido durante a edição 2025 do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. O projeto borra a linha entre documentário e ficção ao usar recursos de inteligência artificial para criar filmes inventados e recriar entrevistas que nunca ocorreram. O filme é dirigido por Rodrigo Pinto, autor da biografia oficial do Barão Vermelho, Barão Vermelho (2007), junto com Guto Goffi e Ezequiel Neves.
Edição de colecionador da Rolling Stone Brasil: Cazuza – Memórias do Poeta
Este texto está presente na edição de colecionador da Rolling Stone Brasil em homenagem ao Cazuza. A revista, disponível na Loja da Editora Perfil, conta com depoimentos de amigos e pessoas próximas, um passeio pela Exposição Cazuza Exagerado, lista das 20 músicas mais regravadas, a discografia comentada e muito mais!
Ver essa foto no Instagram
+++ LEIA MAIS: Vida de Ezequiel Neves, mentor de Cazuza, vira documentário com uso de inteligência artificial
+++ LEIA MAIS: Exposição ‘Cazuza Exagerado’ chega a São Paulo em dezembro; veja todos os detalhes
+++ LEIA MAIS: ‘Cazuza Além da Música’ mergulha no legado artístico e na coragem pioneira do ícone na luta contra a AIDS