MC Hariel rebate rótulo de ‘neoliberal’ sobre o funk paulista: ‘A gente só quer sair do buraco’
Em entrevista, o artista de São Paulo questiona quem aplica categorias políticas a um público sem acesso à formação que explique esses conceitos
Kadu Soares (@kadusoares__)
MC Hariel foi direto ao comentar, em entrevista ao Podpah Records, as críticas que classificam o funk paulista como um gênero “neoliberal” ou “alienado”. O MC, nascido na zona norte de São Paulo, argumenta que o problema não está nos artistas nem no público que consome funk, mas na ausência do Estado. “É muito fácil você não dar conhecimento para aquelas pessoas e querer julgar aquelas pessoas pelo sonho delas. O sonho da favela é vencer”, disse.
Para Hariel, a discussão passa, antes de tudo, por acesso. Muitos jovens da periferia, segundo ele, nunca tiveram contato com os conceitos usados por críticos para analisar a cultura funk — direita, esquerda, neoliberalismo. Reproduzir determinados discursos, portanto, não seria uma escolha ideológica consciente, mas um efeito direto da falta de escola, bibliotecas e oportunidades. “Como que um moleque da periferia, que nunca teve acesso a livro, a estudo, vai saber o que é neoliberalismo? A gente só quer sair do buraco”, afirmou.
A fala do funkeiro também amplia o debate sobre o que significa “vencer”. O desejo de ter carro, casa própria e dar conforto à mãe é tratado por alguns como evidência de adesão a uma ideologia, leitura que ele contesta. “Falam que o funk é neoliberal só porque a gente quer ter carro, casa, dar coisa boa pra mãe. Mas isso é o que todo ser humano quer. Quem nunca passou fome não entende”, finalizou.
A entrevista ocorre semanas após o lançamento do álbum ao vivo gravado no Red Bull Symphonic, projeto em que se apresentou com orquestra completa em um teatro, transformando o espaço em um baile funk.
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