Megadeth promoverá ‘renascimento’ do metal com seu álbum de despedida, segundo Mustaine
Vocalista e guitarrista está animado com disco lançado na última sexta-feira, 23: “acho que as pessoas vão dizer: ‘eu tinha me esquecido do que eu amava nesse tipo de música’”
Igor Miranda (@igormirandasite)
Dave Mustaine parece bem empolgado com o novo álbum do Megadeth. O disco, cujo título leva o nome da própria banda, já está disponível nas plataformas de streaming. É o último da carreira do lendário grupo de thrash metal, fundado em 1983 e com aposentadoria marcada para o fim de sua turnê de despedida.
Em entrevista ao NME, o vocalista e guitarrista foi convidado a refletir se ainda é possível surgir um movimento de músicos como o do thrash metal da década de 1980, do qual ainda vieram nomes como Metallica, Slayer, Anthrax, Exodus, Destruction, Testament, Kreator, entre outros. Na resposta, Mustaine expressou sua animação com o álbum recém-lançado de seu próprio grupo.
Ele disse:
“Com certeza [é possível surgir uma nova cena de bandas]! Aliás, eu disse para meus colegas de banda que acho que haverá um renascimento quando esse disco for lançado, porque vai impactar muita gente. Acho que as pessoas vão dizer: ‘eu tinha me esquecido do que eu amava nesse tipo de música’. E aí vamos ver muita gente voltando com uma nova perspectiva.”

Segundo Dave, não se trata de uma opinião infundada. O frontman diz ter escutado relatos similares de outras pessoas que escutaram o material antes do lançamento.
“Até agora, é isso que tenho ouvido bastante [sobre o álbum]. Não todo mundo, mas muita gente tem me dito que não nos ouvia há um tempo, e que gostou muito do novo álbum. Nossa, fico muito feliz em ouvir isso de jornalistas e radialistas, porque passei quase toda a minha carreira na defensiva.”
O heavy metal atual, comentado por Dave Mustaine
Ainda durante a entrevista, Dave Mustaine foi convidado a revelar sua opinião sobre a cena metal contemporânea. O líder do Megadeth declarou não ter apreço por nenhuma banda jovem específica, pois perde o interesse quando ouve especificamente os vocalistas. “Todo mundo canta do mesmo jeito, isso dificulta para eu identificar o grupo”, diz, referindo-se ao uso de gritos guturais e screamo, antes de oferecer destaque a um nome consolidado há duas décadas:
“Uma das coisas que eu gosto no Avenged Sevenfold, por exemplo, é o fato de eles fazerem screamo, mas também cantarem. Acho que o que torna uma banda ótima é o vocalista. Com relação aos gritos, já tivemos muitas bandas ótimas em turnê com a gente, mas se o vocalista começa a cantar mesmo, é isso que me chama a atenção – porque é muito difícil cantar!”
Não quer dizer, porém, que Mustaine repudie os gritos guturais, screamo e afins. Outro nome, ainda mais antigo que o Avenged, foi citado por ele de modo positivo.
“Algumas pessoas são realmente boas em fazer esses vocais guturais. Basta olhar para o Arch Enemy. Eu acho que eles são uma ótima banda, mesmo que eu eu nunca tenha ouvido Alissa White-Gluz cantar [sem guturais]. Mas isso despertou meu interesse porque era uma garota fazendo isso. Dou uma avaliação bastante justa a todos os artistas que ouço, com base no gênero musical. Se eu compreendo, será fácil para mim descobrir se gosto ou não. Se for algo que eu não compreendo, pode levar algumas audições para ver se há algo de que eu goste.”
O álbum final do Megadeth
Em resenha para a Rolling Stone Brasil, o jornalista Igor Miranda avaliou o novo álbum do Megadeth da seguinte forma:
“Em uma análise sóbria, ‘Megadeth’, o álbum, posiciona-se talvez na segunda prateleira de discos do Megadeth. Apesar de boas canções isoladas, não tem a força de Endgame (2009) e Dystopia (2016), para ficar em exemplos mais recentes de alto nível de qualidade. Mas talvez isso não importe. O simples sentimento de estar ouvindo músicas inéditas de Dave Mustaine e companhia pela última vez ajuda a engrandecer a audição, mesmo nos momentos mais morosos na segunda metade do tracklist.
O grande mérito do o trabalho final do grupo está em homenagear diferentes momentos de sua obra sem soar como pastiche de si próprio. O Megadeth mudou bastante ao longo de sua trajetória e várias de suas facetas são representadas aqui. Se não é um clássico instantâneo, ao menos faz justiça a uma banda e a um músico que, sim, começaram um estilo musical, começaram uma revolução, mudaram o mundo da guitarra e a forma como ela é tocada, e mudaram o mundo.”
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