DESTAQUE NÃO TÃO POSITIVO

O show menos interessante do Monsters of Rock 2026, segundo crítico da Rolling Stone

Apresentação realizada no início da tarde por Yngwie Malmsteen pareceu pouco alinhada com proposta do festival e girou em torno apenas da impecável técnica do guitarrista

Igor Miranda (@igormirandasite)

Yngwie Malmsteen no Monsters of Rock 2026 (Foto: Ellen Artie @ellenartie)
Yngwie Malmsteen no Monsters of Rock 2026 (Foto: Ellen Artie @ellenartie)

Soou coerente, no geral, a seleção de bandas para o lineup do Monsters of Rock 2026. Havia conexão entre o Guns N’ Roses, atração principal, e a maior parte dos escalados, seja por eles terem sido influenciados pelo Lynyrd Skynyrd, contemporâneos de hard rock do Extreme ou servirem de referência para Halestorm, Dirty Honey e, vá lá, Jayler.

O peixe fora d’água era Yngwie Malmsteen. Um dos maiores guitarristas de todos os tempos, o sueco de 62 anos se apresentou no início da tarde de sábado, 4, no Allianz Parque, em São Paulo, como o único nome do lineup realmente ligado ao metal — neste caso, o neoclássico. Mesmo ciente da abordagem mais “rock clássico” do festival, ele não adaptou em nada a sua apresentação, naturalmente difícil de se absorver e digerir.

Yngwie Malmsteen no Monsters of Rock 2026 (Foto: Ellen Artie @ellenartie)
Yngwie Malmsteen no Monsters of Rock 2026 (Foto: Ellen Artie @ellenartie)

A maioria das mais de 15 músicas tocadas foi apresentada em trechos. Yngwie não concluiu nem mesmo a clássica “Rising Force”, canção de abertura. Além disso, apenas ela e o encerramento com “I’ll See the Light Tonight” tiveram vocais do tecladista sérvio Nick Marino, enquanto o próprio Malmsteen — que está um pouco longe de ser um grande cantor — assumiu o microfone em momentos pontuais, a exemplo de “No Rest for the Wicked” e “Fire and Ice”. De resto, quase tudo instrumental.

Algumas passagens cativam, como as quatro músicas acima citadas, a forte “Now Your Ships Are Burned”, a curiosa “Baroque & Roll” e as históricas instrumentais “Black Star” e “Far Beyond the Sun”, esta última com trecho de “Bohemian Rhapsody”, do Queen, ao final. Também gerou reações uma versão encurtada de “Smoke on the Water”, do Deep Purple.

Yngwie Malmsteen no Monsters of Rock 2026 (Foto: Ellen Artie @ellenartie)
Yngwie Malmsteen no Monsters of Rock 2026 (Foto: Ellen Artie @ellenartie)

Fora disso, não convenceu. Solos intermináveis e malabarismos pouco agregadores à performance tornaram o espetáculo, na maior parte do tempo, entediante. Era como se a plateia estivesse escutando a mesma música o tempo todo. Muito exibicionismo, pouca nuance.

Curioso, pois Malmsteen segue como um dos grandes da guitarra. Sua técnica baseada em muita velocidade, arpejos e vibrato agressivo se soma a um timbre característico como se fosse o de um violino entorpecido, compondo uma sonoridade única. Já um sexagenário, ele continua a entregar uma execução perfeita no instrumento.

Yngwie Malmsteen no Monsters of Rock 2026 (Foto: Ellen Artie @ellenartie)
Yngwie Malmsteen no Monsters of Rock 2026 (Foto: Ellen Artie @ellenartie)

Mas isso é muito pouco, especialmente para quem já trabalhou em prol da melodia e, como se sabe, pode oferecer mais. Já faz um tempo que Yngwie pareceu ter desistido de entregar um show realmente interessante para além de seu séquito de fãs — cada vez menor justamente devido às apresentações estarem maçantes. Abdicar de muitas de suas canções mais populares como “You Don’t Remember, I’ll Never Forget”, “Heaven Tonight” e “Dreaming (Tell Me)” é o sinal mais claro disso.

Ainda assim, ninguém deixou de aplaudir Malmsteen por seu espetáculo de muita técnica. Só não foi o suficiente para tirar dele o título de show menos interessante do Monsters of Rock 2026.

Yngwie Malmsteen no Monsters of Rock 2026 — setlist

  1. Rising Force
  2. Top Down, Foot Down
  3. No Rest For The Wicked
  4. Soldier
  5. Into Valhalla
  6. Baroque & Roll
  7. Relentless Fury
  8. Now Your Ships Are Burned
  9. Wolves At The Door
  10. Paganini’s 4th
  11. Adagio
  12. Far Beyond The Sun
  13. Bohemian Rhapsody [Queen]
  14. Fire And Ice
  15. Evil Eye
  16. Smoke On The Water [Deep Purple]
  17. Trilogy (Vengeance)
  18. Badinere
  19. Solo de guitarra
  20. Black Star
  21. I’ll See The Light Tonight

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Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pós-graduado em Jornalismo Digital. Começou em 2007 a escrever sobre música, com foco em rock e heavy metal. É colaborador da Rolling Stone Brasil desde 2022 e mantém o site próprio IgorMiranda.com.br. Também trabalhou para veículos como Whiplash.Net, revista Roadie Crew, portal Cifras, site/canal Ei Nerd e revista Guitarload, entre outros. Instagram e outras redes: @igormirandasite.
TAGS: Monsters of Rock 2026, Yngwie Malmsteen