PERIGO REAL

Músicos realmente morrem mais jovens, segundo estudo

Especialistas apontam que expectativa de vida de artistas pode ser até 25 anos menor que a da população geral; entenda

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Músico guitarrista (Foto: Jim Steinfeldt / Michael Ochs Archives / Getty Images)
Músico guitarrista (Foto: Jim Steinfeldt / Michael Ochs Archives / Getty Images)

Pesquisas científicas recentes confirmam que a mística do “viver rápido e morrer jovem” (“life fast, die young”) no mundo da música não é apenas um mito cultural, mas uma realidade estatística. Dados indicam que músicos e profissionais da indústria fonográfica enfrentam um risco significativamente maior de morte precoce em comparação à população geral.

Um estudo australiano, intitulado Life expectancy and cause of death in popular musicians (Expectativa de vida e causas de morte em músicos populares, em português), revela que a expectativa de vida de músicos americanos chega a ser 25 anos menor do que a média nacional (via Music Radar).

A análise, que abrangeu sete décadas de registros (1950-2014), apontou que as taxas de mortalidade entre esses profissionais são, em média, o dobro das registradas em outros setores.

A pesquisa destaca que as causas de morte variam conforme o gênero musical. Suicídios e doenças hepáticas são mais frequentes entre músicos de rock, metal e country. Já no hip-hop e rap, o índice de homicídios é alarmante, superando drasticamente a média da população.

Explicações

De acordo com a associação MusiCares, vinculada à The Recording Academy, responsável pelo Grammy, a incidência de suicídios na indústria musical é de 8,3%, superando os 5% da população geral. Especialistas apontam que a combinação de horários irregulares, longos períodos longe de sistemas de apoio familiar e a pressão por desempenho contínuo cria um ambiente de trabalho perigoso.

Para especialistas como o Dr. George Musgrave, da Universidade de Londres, tais números são inaceitáveis. Ele alerta:

“As estatísticas são alarmantes, chocantes. As taxas de suicídio entre músicos… retratam uma indústria musical comprovadamente insegura. Nenhuma outra indústria toleraria esse nível de perda de vidas, e nós também não deveríamos.”

Medidas preventivas

Para tentar contornar essa situação, especialistas sugerem medidas preventivas. Michael Dufner, professor da Universidade Witten/Herdecke, afirma:

“Nossos resultados indicam que o elevado risco de mortalidade entre músicos muito famosos pode justificar maior atenção a medidas preventivas. Possíveis intervenções podem incluir períodos estruturados de recuperação durante as turnês, acesso a recursos de saúde mental e gerenciamento de estresse, e programas destinados a manter a conexão social.”

Theresa Wolters, do MusiCares, complementa:

“Manter-se saudável começa com o reconhecimento de que o bem-estar não é um luxo, é essencial. Priorizar o sono, a nutrição e a hidratação durante as turnês pode fazer uma diferença significativa. Igualmente importante é incluir consultas de acompanhamento da saúde mental, manter contato com pessoas de confiança e pedir ajuda precocemente, em vez de esperar até chegar ao limite. Utilizar os recursos disponíveis é um sinal de força, não de fraqueza.”

** No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação civil sem fins lucrativos, oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuitamente, 24 horas por dia. Qualquer pessoa que queira e precise conversar, pode entrar em contato com o CVV, de forma sigilosa, pelo telefone 188, além de e-mail, chat e Skype, disponíveis no site www.cvv.org.br.

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
TAGS: ciência, Estudo, músicos