O álbum do qual Pusha T mais se orgulha de ter feito
Rapper reflete sobre sua trajetória solo, rivalidades criativas e a experiência de trabalhar com dois gigantes da produção no mesmo projeto
Kadu Soares (@soareskaa)
Ao longo de sua carreira solo, Pusha T construiu uma discografia marcada por precisão lírica, escolhas estéticas rigorosas e colaborações estratégicas com alguns dos maiores nomes do hip hop. Entre debates constantes de fãs sobre qual seria seu melhor trabalho individual, o próprio artista decidiu esclarecer qual projeto ocupa um lugar especial em sua trajetória — e o motivo vai além de números ou aclamação imediata.
A revelação surgiu de durante uma conversa com o irmão Malice, em um quiz para a revista GQ. Antes de dar a resposta, Pusha provocou a expectativa ao ouvir o palpite óbvio: DAYTONA (2018), álbum curto, direto e frequentemente citado como um clássico moderno. Mas, para ele, havia outro trabalho que representava um desafio maior, um risco mais calculado e, sobretudo, uma vitória artística mais significativa.
Esse álbum, segundo o próprio rapper, é It’s Almost Dry (2022), disco que se destacou não apenas pelo impacto crítico e comercial, mas também pela ambição do conceito: colocar dois produtores lendários, com estilos e histórias muito distintas, dividindo o comando criativo de um mesmo projeto.
“Tenho muito mais orgulho de It’s Almost Dry, tenho sim. Acho que coloquei dois dos melhores produtores um contra o outro, e fui melhor que os dois. E acho que, vindo de quão ótimo DAYTONA foi, era difícil estar à altura com It’s Almost Dry. E conseguimos, na minha opinião”, contou.
O diferencial, como explicou Pusha T, foi transformar essa dinâmica em uma espécie de competição saudável. De um lado, Kanye West; do outro, Pharrell Williams. Cada faixa funcionava como um novo campo de batalha criativa, e o rapper afirma que isso elevou o nível de todos os envolvidos.
Confira o momento:
Por que It’s Almost Dry ocupa esse lugar especial
Além da estrutura incomum de produção, It’s Almost Dry representa um momento decisivo na carreira de Pusha T. O disco marcou o encerramento de um ciclo com grandes gravadoras e consolidou sua autonomia artística, estreando no topo das paradas e sendo amplamente elogiado pela coesão entre batidas minimalistas, luxo sonoro e narrativas afiadas sobre poder, lealdade e sobrevivência.
Mais do que um álbum de sucessos ou de disputas simbólicas entre produtores, o projeto funciona como uma síntese da carreira solo de Pusha T: técnica apurada, escolhas calculadas e a confiança de quem sabe exatamente onde quer chegar. É por isso que, anos depois, ele não hesita em apontá-lo como o trabalho do qual mais se orgulha.
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