'MUITO OBSCENO'

O astro do rock que criticou escolha por Bad Bunny para Super Bowl

Tecladista e guitarrista de banda icônica nos Estados Unidos questiona estratégia da NFL e aponta ‘ganância’ na busca por audiência latina

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Bad Bunny durante show em São Paulo em 2026 (Foto: Leandro Bernardes / Rolling Stone Brasil)
Bad Bunny durante show em São Paulo em 2026 (Foto: Leandro Bernardes / Rolling Stone Brasil)

A escolha da NFL, principal liga de futebol americano, por Bad Bunny para o show do intervalo do Super Bowl LX continua gerando fortes reações no mundo da música. Jonathan Cain, tecladista e guitarrista da icônica banda Journey e autor de clássicos como “Don’t Stop Believin'”, não poupou críticas, classificando a decisão como uma estratégia baseada puramente na “ganância”.

Em entrevista recente ao programa Bolling!, do canal Real America’s Voice (via Blabbermouth), Cain afirmou que a NFL priorizou o alcance comercial em detrimento da tradição musical americana. Para o músico, o convite ao astro porto-riquenho foi uma tentativa desesperada da liga de “agarrar” a audiência da América Latina.

Ele comentou:

“Acho que a NFL está apenas tentando atrair o público latino-americano. Acho que foi uma tentativa de expandir sua marca. Então, foi algo motivado pela marca. Devo dizer que não teve nada a ver com os latinos nos Estados Unidos, nem com criticar os Estados Unidos, nem com criticar Donald Trump, nem nada disso. Acho que foi pura ganância, a NFL querendo expandir seu público para a América Latina. Essa foi a minha opinião. Foi o que me pareceu.”

Jonathan Cain durante show com o Journey em 2021 (Foto: Denise Truscello / Getty Images for iHeartMedia)
Jonathan Cain durante show com o Journey em 2021 (Foto: Denise Truscello / Getty Images for iHeartMedia)

O tecladista acrescentou:

“O interessante é que, se tivessem traduzido o que ele estava cantando, ficaríamos horrorizados… As coisas que ele dizia em espanhol, a NFL não se orgulharia de traduzir, então foi por isso que não houve tradução, porque era muito obsceno. Na verdade, eu não assisti. Foi o pior Super Bowl em muito tempo.”

Kid Rock também criticou NFL

O descontentamento com a performance de Bad Bunny também foi manifestado por outra figura polêmica do rock: Kid Rock. O cantor, que chegou a organizar um evento alternativo chamado “All-American Halftime Show” em parceria com a organização conservadora Turning Point USA, declarou à Fox News sobre a apresentação oficial da NFL (via Yahoo):

“Como a maioria das pessoas, eu não entendi nada. Não faz meu tipo de som.”

E ainda complementou:

“Eu culpo a NFL por colocá-lo nessa posição e a Turning Point por ter que oferecer uma alternativa para as pessoas assistirem. Sabe, é só… coitado do garoto.”

No entanto, o show de intervalo de Bad Bunny no Super Bowl LX atraiu 128,2 milhões de espectadores entre 20h15 e 20h30 (horário do Leste dos EUA), segundo dados da Nielsen reportados pelo The Daily Beast. A cifra é aproximadamente 20 vezes maior que os 6,1 milhões de pessoas que assistiram ao “All-American Halftime Show” da Turning Point USA — evento alternativo pré-gravado com Kid Rock como atração principal, transmitido no YouTube durante o mesmo período.

Após a apresentação no evento que encerra a temporada da NFL, as reproduções de Bad Bunny nas plataformas de streaming aumentaram 470% nos Estados Unidos e 210% globalmente, ocupando os seis primeiros lugares da parada diária de músicas mais ouvidas do Spotify no país norte-americano.

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
TAGS: Bad Bunny, Jonathan Cain, journey, Kid Rock