O site que é alvo de processo trilionário do Spotify e de 3 gravadoras
Ativistas são acusados de ter copiado metadados referentes a 99,9% do acervo do serviço e baixadp 86 milhões de arquivos de áudio em dezembro
Pedro Hollanda (@phollanda21)
O Spotify, junto com as três maiores gravadoras do planeta – Universal Music Group, Warner Music Group e Sony Music Entertainment –, entrou com uma ação judicial contra o site Anna’s Archive. A queixa alega que o portal roubou 86 milhões de arquivos de áudio do serviço de streaming para fins de pirataria, e pede indenização de US$ 13 trilhões (cerca de R$ 67 trilhões na cotação atual).
Os problemas começaram em 20 de dezembro de 2025, quando o blog oficial dos responsáveis pelo Anna’s Archive fez um post intitulado “Backing Up Spotify” (“Fazendo backup do Spotify”, em português). O texto descreve como um grupo de ativistas teria descoberto que podia baixar arquivos do Spotify em grande escala e decidido criar um acervo do serviço de streaming, no interesse de preservação.
Os 86 milhões de arquivos de áudio baixados representam cerca de apenas um terço das faixas disponíveis atualmente no Spotify. Entretanto, os autores do texto afirmaram que tais arquivos são responsáveis por 99,6% de reproduções no serviço.
Além disso, os ativistas também garantem ter adquirido cerca de 256 milhões de arquivos de metadados, 99,9% do acervo da plataforma de streaming. O Anna’s Archive disponibilizou apenas os metadados para download inicialmente.
A nota do Spotify
Em resposta a essa revelação, o Spotify publicou uma nota oficial (via Billboard) na qual confirma o ocorrido. O serviço de streaming afirmou que já havia identificado as contas responsáveis pelo ato e as desativado:
“Spotify identificou e desativou as contas de usuários maliciosos que realizaram capturas ilícitas. Implementamos novas medidas de segurança para esse tipo de ataque anti-direitos autorais e estamos monitorando ativamente comportamentos suspeitos. Desde o primeiro dia, estamos ao lado da comunidade de artistas contra a pirataria e estamos trabalhando ativamente com nossos parceiros da indústria para proteger os criadores e defender seus direitos.”
Segundo o site Music Business Worldwide, o Anna’s Archive funciona a partir de doações dos seus usuários em troca de downloads mais rápidos e evitar listas de espera. Os valores vão entre US$ 2 (R$ 10,40) a US$ 100 (R$ 519,80) por mês, pagos com dinheiro, cartões presente ou até criptomoedas. A queixa argumenta que isso constitui um modelo de assinatura paga.
O processo foi iniciado no dia 26 de dezembro, com o Spotify e as gravadoras dando entrada em uma liminar para provedores desativarem acesso ao site em endereços diversos. Após os responsáveis pelo Anna’s Archive não responderem a qualquer intimação judicial, o juiz concedeu o pedido no último dia 20 de janeiro.
O que é Anna’s Archive
Fundado em 2022, Anna’s Archive funciona como uma ferramenta de busca para bibliotecas ocultas na internet, após autoridades terem fechado portais que compartilhavam livros gratuitamente, como Z-Library. Os responsáveis argumentam que não são responsáveis por qualquer violação de direitos autorais porque não são fonte primária dos arquivos, apenas fazem redirecionamento.
O site tem sido figura recorrente em processos envolvendo uso não autorizado de material protegido por direitos autorais no treinamento de inteligência artificial. Tanto a Meta quando NVidia foram acusadas na Justiça de usar o Anna’s Archive para baixar conteúdo pirateado com o objetivo de capacitar ferramentas de IA.
O Anna’s Archive foi bloqueado na Itália, Holanda, Reino Unido, Alemanha e Bélgica por violações de direitos autorais.
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