'SIMPLESMENTE HORRÍVEL'

Olivia Rodrigo acusa governo Trump de ‘brigar com popstars’ para desviar atenção

A artista também voltou a comentar o uso não autorizado de sua música em campanha do Departamento de Segurança Interna dos EUA

Giovana Laurelli (@gii_laurelli)

Olivia Rodrigo durante seu festival, Daisy Chain Fields
Olivia Rodrigo durante seu festival, Daisy Chain Fields (Foto: Monica Schipper/Getty Images)

Olivia Rodrigo voltou a criticar publicamente o governo de Donald Trump, dessa vez sugerindo que a estratégia de provocar embates com artistas pop é, na verdade, uma cortina de fumaça. A declaração foi dada em entrevista ao programa Morning Edition, da rádio pública americana NPR, exibido hoje, 3.

A cantora relembrou o episódio de novembro passado, quando o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) utilizou a faixa “All-American Bitch“, do álbum Guts (2023), em uma publicação que incentivava imigrantes sem documentação a se autodeportarem pelo aplicativo CBP Home. “Ai, meu Deus”, disse a artista. “Foi simplesmente horrível ver uma música que escrevi sobre estar presa em uma caixa misógina na qual impomos às mulheres… sendo exposta a essas cenas grotescas e cruéis de batidas da imigração.”

“Olhando para trás agora, acho que essa é uma espécie de ferramenta que eles usam”, continuou ela sobre o governo Trump. “Arranjar brigas com estrelas pop é uma ótima distração enquanto eles fazem outras coisas horríveis.”

Procurado pela Billboard, o Departamento de Segurança Interna (DHS) reagiu com a mesma nota distribuída em março, quando Rodrigo já havia criticado o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) publicamente: “Os Estados Unidos são gratos o tempo todo aos nossos agentes federais da lei que nos mantêm seguros” e sugeriu que “a Sra. Rodrigo os agradecesse pelo serviço prestado, em vez de menosprezar seu sacrifício”

Rodrigo não é a primeira estrela a sugerir que o verdadeiro motivo para o uso contínuo de músicas de artistas notoriamente liberais e críticas ao governo Trump, como Sabrina Carpenter e Ariana Grande pela administração conservadora é desviar a atenção. Quando faixas populares são utilizadas contra a vontade das vozes por trás delas, a prática é rebatida publicamente, atraindo comentários vexatórios por parte da extrema-direita para as redes dos artistas. Após a Casa Branca utilizar sua música “Big Boy” em um vídeo exaltando a polícia violenta de imigração, SZA escreveu em sua conta no X : “A Casa Branca usar artistas para provocar a raiva em troca de promoção gratuita é o ápice da escuridão”.

O próprio DHS admitiu ter provocado desavenças com celebridades para esses fins. “Fizemos este vídeo porque sabíamos que veículos de mídia de notícias falsas… iriam amplificá-lo com entusiasmo”, disse um funcionário à Variety em novembro, após protestos de fãs de Taylor Swift, estrela abertamente contra a presidência de Trump, contra o uso da música “The Fate of Ophelia” em um vídeo do TikTok. “Parabéns, vocês caíram na pegadinha.”

Na mesma entrevista, a Rodrigo conectou a polêmica ao festival beneficente que organizou recentemente em prol de causas ligadas à saúde e aos direitos das mulheres. Segundo ela, iniciativas do tipo funcionam como um contraponto direto à sensação de isolamento que esse tipo de disputa tenta provocar. “Acho que as pessoas que querem nos derrubar contam com o fato de nos sentirmos sobrecarregados e sozinhos”, disse Rodrigo à publicação sobre o propósito do festival. “Então, acho que um evento onde podemos cultivar essa comunidade cheia de esperança e união é algo realmente muito poderoso nos dias de hoje.”

A primeira edição do festival Daisy Chain Fields já foi um sucesso estrondoso. O evento, que ocorreu na California no sábado, 29, arrecadou US$ 20 milhões — metade dos quais provenientes de uma doação dobrada por Melinda French Gates — para instituições de caridade que apoiam mulheres e meninas. Além dos R$ 102 milhões em lucro levantados para as 10 instituições escolhidas, Rodrigo também recebeu apoio dos fãs ao aparecer na capa digital da Rolling Stone ao lado de Chappell Roan, Doechii e Sarah McLachlan, todos integrantes da programação do Daisy Chain.

Jornalista em formação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Giovana é apaixonada por música, filmes e a intersecção entre cultura e política. Já foi bailarina e canta em bandas de soul, rock e pop desde a pré-adolescência. Atuou como editora de Cultura e Entretenimento no Jornal Contraponto, veículo laboratorial impresso da PUC-SP. Na Rolling Stone, escreve sobre música, cinema e cultura pop.
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