CRÍTICA

Olivia Rodrigo rompe a bolha com show ensurdecedor no Lollapalooza Brasil

Performance no palco Budweiser marcou a estreia da cantora no Lollapalooza Brasil, nesta sexta-feira, 28

Aline Carlin Cordaro (@linecarlin)

Publicado em 29/03/2025, às 02h45 - Atualizado às 08h00
Olivia Rodrigo rompe a bolha com show ensurdecedor no Lollapalooza Brasil - Ag. Brazil News
Olivia Rodrigo rompe a bolha com show ensurdecedor no Lollapalooza Brasil - Ag. Brazil News

Olivia Rodrigo fez sua estreia em festivais brasileiros nesta sexta-feira (28), como uma das principais headliners do Lollapalooza Brasil 2025. A apresentação aconteceu no palco Budweiser, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, e reuniu uma multidão. A passagem da artista pelo país incluiu também um show solo na quarta-feira (26), no Estádio Couto Pereira, em Curitiba.

Com apenas dois álbuns lançados e quatro anos de carreira musical, Olivia Rodrigo já ocupa um dos postos mais altos do pop atual. A cantora abriu a noite com "Obsessed", seguindo a estrutura usada no Lollapalooza Chile, com músicas como "vampire", "drivers license", "bad idea right?" e "good 4 u". O repertório da Guts World Tour apresentou versões mais curtas de algumas faixas. 

Olivia Rodrigo rompe a bolha com show ensurdecedor no Lollapalooza Brasil (Foto: Ag. Brazil News)
Olivia Rodrigo rompe a bolha com show ensurdecedor no Lollapalooza Brasil (Foto: Ag. Brazil News)

No palco, Olivia alterna entre a intensidade emocional das letras e uma atitude animada e divertida. Grita de empolgação, conversa com a plateia, solta palavrões e demonstra conforto no comando de uma multidão — uma performance que evidencia o amadurecimento da artista sem perder a essência Gen Z que a tornou fenômeno global.

“Ouvi dizer que o Brasil tem uma das melhores plateias do mundo”, disse, repetindo o que já havia comentado em Curitiba.

A impressão, dessa vez, aparenta ter se confirmado diante de um público lotado e receptivo — que cantou muito, diga-se de passagem.

Um dos momentos mais intensos da noite aconteceu quando Olivia pediu que todos pensassem em algo ou alguém que os irrita profundamente e soltassem um grito com toda a força. O pedido veio antes do trecho mais explosivo de "all-american bitch", e o resultado foi uma gritaria ensurdecedora. Em volume máximo, a plateia transformou a faixa em um verdadeiro desabafo coletivo — algo que já virou um clássico dos shows da artista. Sem dúvida, foi um dos ápices da apresentação.

Apesar da base de fãs ainda majoritariamente formada por garotas jovens, o que se viu em Interlagos foi um público amplo e diverso, que demonstra como Olivia rompeu a bolha inicial. Parte desse alcance vem do chamado “fator relatable” — a capacidade que ela tem de traduzir, com sinceridade, as inseguranças e pressões da juventude. Em "teenage dream", por exemplo, ela canta:

“Got your whole life ahead of you, you're only 19 / But I fear that they already got all the best parts of me / And I'm sorry that I couldn't always be your teenage dream.” É o tipo de verso que escancara um medo real, uma cobrança silenciosa, e que muita gente sente — aos 19 ou aos 30.

Mesmo com letras tão específicas sobre a vida de uma garota jovem, o alcance das músicas atravessa gerações. A vulnerabilidade, nesse caso, é o que conecta. A cantora fala de crescer, se comparar, falhar, tentar de novo — sentimentos universais, embalados por melodias pop. O resultado é uma artista que começou no nicho adolescente, mas hoje se comunica com um público muito mais amplo.

Com uma nova era à vista, a artista já dá sinais de mudança estética. Embora o look usado no Lollapalooza não fosse vermelho — cor que tem aparecido com frequência na identidade visual recente da turnê —, fãs notaram referências sutis que reforçam a ideia de que Olivia está preparando o terreno para um próximo álbum. Rumores apontam que o terceiro disco já está em produção, e a estética adotada nos materiais de divulgação e performances recentes pode ser um indicativo do que vem por aí.

Outro ponto que marcou a apresentação foi a sonoridade cada vez mais próxima do rock. Entre guitarras distorcidas, baterias aceleradas e vocais gritados, Olivia incorpora essa energia mais punk-pop com pulos, caretas e gritos que conectam o show à estética das bandas que claramente a inspiram. O resultado é uma performance mais agressiva, crua e confiante — e que mostra que Olivia não tem medo de experimentar.