"ESQUEÇA, É ELE"

A curiosa forma como Ozzy Osbourne entrou para o Black Sabbath

Vocalista tinha desavenças com o guitarrista Tony Iommi, ex-colega de escola, e ambos precisaram dar o braço a torcer; entenda

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Ozzy Osbourne com o Black Sabbath em 1973 (Foto: Colin Fuller / Redferns via Getty)
Ozzy Osbourne com o Black Sabbath em 1973 (Foto: Colin Fuller / Redferns via Getty)

A história do heavy metal poderia ser drasticamente diferente se o guitarrista Tony Iommi não tivesse dado uma segunda chance a um antigo desafeto de escola. E vice-versa, já que Ozzy Osbourne também não gostava nadinha do colega.

O nascimento do Black Sabbath, pilar fundamental do gênero, não ocorreu por meio da afinidade, portanto. Foi a partir de um anúncio de jornal e de um reencontro repleto de desconfiança.

De acordo com relatos recentes de Tony Iommi em um documentário da Gibson TV (via Guitar World), a busca por um vocalista para sua nova banda o levou a um anúncio em uma loja de discos local que dizia apenas: “Ozzy Zig precisa de um show – possui amplificador próprio”.

Black Sabbath em 1973 (E-D): Tony Iommi, Bill Ward, Ozzy Osbourne e Geezer Butler
Black Sabbath em 1973 (E-D): Tony Iommi, Bill Ward, Ozzy Osbourne e Geezer Butler – Foto: Watal Asanuma / Shinko Music / Getty Images

Iommi e o baterista Bill Ward decidiram conferir quem era o tal “Ozzy”. Ao chegarem ao endereço indicado e baterem à porta, a surpresa foi imediata e não muito positiva para o guitarrista.

Ele relembra:

“Eu abri a porta e disse a Bill: ‘Esqueça, é ele!’.”

O rapaz à frente deles era John “Ozzy” Osbourne, alguém que Iommi conhecia bem dos tempos de escola, mas não pelas melhores razões.

Infância complicada

A conexão entre os dois ícones do metal remonta a uma infância turbulenta em Birmingham. A relação inicial entre Iommi e Ozzy era marcada por uma antipatia mútua. Iommi admitiu abertamente que, na adolescência, os dois “se odiavam”.

O guitarrista era conhecido por ser um tipo de “valentão” na escola, e Ozzy era frequentemente o alvo de suas provocações. Iommi confessou em diversas entrevistas que costumava bater em Ozzy naquela época.

Em 2023, o baixista Geezer Butler declarou à Metal Hammer:

“Ozzy estudou com Tony e eles se odiavam. Tony praticava bullying contra ele na escola.”

Enterrando histórico em prol do Black Sabbath

Apesar do histórico de brigas e da resistência inicial de Iommi, Bill Ward o convenceu a dar uma oportunidade ao antigo rival, argumentando que não custava nada ouvi-lo cantar. O que começou como uma necessidade prática de encontrar um vocalista que tivesse o próprio equipamento acabou revelando uma química sonora improvável.

O contraste entre a personalidade vibrante (e por vezes caótica) de Ozzy e o rigor musical sombrio de Iommi tornou-se a marca registrada do grupo. Se Tony Iommi não tivesse superado o preconceito que nutria pelo “garoto que ele batia na escola”, o mundo jamais teria ouvido clássicos como “Paranoid” ou “Black Sabbath”.

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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