'EU JURO'

Paul McCartney revela que Yoko Ono questionou a sexualidade de John Lennon após a morte do músico

Ex-Beatle diz que viúva ligou dizendo achar que Lennon “poderia ter sido gay”

Kadu Soares (@soareskaa)

Yoko Ono, Paul McCartney e John Lennon
Foto: Michael Webb/Keystone/Getty Images

Paul McCartney compartilhou uma revelação surpreendente sobre um telefonema que recebeu de Yoko Ono logo após o assassinato de John Lennon, em dezembro de 1980. Em entrevista à Vanity Fair, realizada originalmente em 2015 e republicada no mês passado, McCartney contou que a viúva de Lennon entrou em contato pouco tempo depois da morte do músico com uma especulação inesperada sobre a sexualidade do marido.

“Eu juro que ela me ligou logo depois que John morreu e disse: ‘Sabe, eu acho que John poderia ter sido gay’”, relatou.

A reação de McCartney ao comentário de Ono foi de ceticismo imediato. Ele respondeu, na hora, que não tinha certeza e não acreditava nisso, com base em suas próprias experiências ao lado de Lennon durante os anos formativos dos Beatles. “Eu disse: ‘Eu não acho. Certamente não quando eu o conheci’… porque estávamos nos anos sessenta. Estávamos cercados de muitas e muitas garotas. E eu vi ele transando… muita ação com garotas”, afirmou. Ele foi além e revelou um detalhe íntimo sobre a convivência nos primórdios da banda: “Eu dormi com John muitas vezes, mas nunca houve nada. Nunca houve um gesto, nunca uma expressão. Não houve nada. Então eu não tinha nenhuma razão para acreditar nisso.”

McCartney também abordou rumores antigos sobre a sexualidade de Lennon, sobretudo após uma viagem que ele fez com Brian Epstein — empresário dos Beatles e assumidamente gay — para a Espanha, em 1963. Na época, a ida dos dois sozinhos gerou especulações, mas McCartney interpretou o episódio como uma estratégia de poder típica de Lennon. “Eu vi aquilo como um jogo de poder, algo muito John. Brian o convidaria nesse contexto — um garoto bonito de quem Brian gostava. Eles foram para a Espanha, se divertiram. Sem dúvida, John entraria no jogo”, analisou. “Eu, pessoalmente, não achava que nada tivesse acontecido. Certamente nunca ouvi falar de nada. Mas eu via como: ‘Você quer lidar com os Beatles? Eu sou o líder’.”

Ironicamente, anos depois dessa viagem, foi McCartney quem ajudou a salvar o casamento de Lennon e Ono durante uma crise profunda. Entre 1973 e 1974, o casal se separou no período que ficou conhecido como “Lost Weekend”, quando Lennon foi “banido” de casa após Ono flagrá-lo tendo “sexo alto e barulhento” com outra mulher em uma festa. Elliot Mintz, amigo próximo do casal e autor do livro We All Shine On: John, Yoko, & Me (2024), afirmou que McCartney ofereceu ajuda diretamente. “Paul veio aqui e se encontrou com John. O conselho dele foi: ‘Você não pode apenas dizer que mudou. Você precisa mostrar. Precisa provar. Seria como namorar ela de novo. Você tem que trazer flores, levá-la para jantar. Você tem que mostrar como ela é importante no seu mundo’”, relatou Mintz. Lennon seguiu o conselho à risca, e Ono acabou aceitando a reconciliação, que durou até o assassinato de Lennon, em 1980.

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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
TAGS: John Lennon, Paul McCartney, yoko ono