RESENHA

Primeiro show de Bad Bunny na Ásia foi uma volta da vitória repleta de hits

Benito desembarcou no Japão para a quarta edição ao vivo do Spotify Billions Club Live, destacando o quão global o hitmaker de Tití Me Preguntó se tornou

ROLLING STONE EUA

Bad Bunny
Bad Bunny se apresenta durante o show Spotify Billions Club Live no Tipstar Dome Chiba, em 7 de março de 2026, em Tóquio, Japão (Foto: Tomohiro Ohsumi/Getty Images for Spotify)

Mais de 13 mil quilômetros a leste da histórica residência de 31 shows de Bad Bunny em San Juan, em Porto Rico, Benito continuou a demonstrar sua condição de superestrela global no Japão, com um show intimista e apenas para convidados apresentando seus maiores sucessos de streaming na quarta edição ao vivo do Spotify Billions Club Live.

Diante de menos de 2 mil dos maiores fãs do cantor — além de algumas dezenas de VIPs — Lisa, do Blackpink, podia ser vista curtindo intensamente durante “Dakiti“, enquanto o artista contemporâneo Takashi Murakami mantinha as duas mãos no ar com frequência — Bad Bunny desfilou hit após hit, empolgando o público no Tipstar Dome Chiba, cerca de uma hora a leste do famoso cruzamento de Shibuya Crossing.

Ao todo, Bad Bunny tem 29 músicas que ultrapassaram a marca de um bilhão de streams no Spotify. Mas, para o astro, não se trata apenas de números: “Muchos números, pero no son números. Sino personas con las que he conectado a través de todos estos años con mi música, entonces por eso estamos aquí con ustedes”, disse à plateia, ressaltando que todos os streams acumulados simbolizam as conexões que criou com as pessoas por meio da música.

No palco, Bad Bunny trocou um cenário rosa (La Casita — uma casa inspirada em residências tradicionais porto-riquenhas que virou marca registrada de sua turnê recente) por outro: duas enormes árvores de cerejeira em flor em cada lado do palco principal. Quando as luzes se apagaram e o instrumental de abertura de “EoO” ecoou pelos alto-falantes, uma festa tomou conta da pista do local — e continuaria muito depois do fim do show de 90 minutos do artista. Assim como o astro, o público também trouxe os “hits”: inúmeras pavas (chapéu tradicional de palha), bandeiras de Porto Rico sobre os ombros e pequenos círculos de dança surgindo por toda a arena.

Durante uma empolgante execução de “Baile Inolvidable“, destaque em salsa do álbum Debí Tirar Más Fotos, um homem com macacão azul-água e uma mulher de terno preto começaram a dançar juntos, chegando até a girar algumas vezes. Os dois, aparentemente estranhos, se abraçaram em seguida e voltaram para seus respectivos grupos na pista de dança. O poder de Bad Bunny.

@rollingstone What a moment at @Bad Bunny’s first ever live show in Asia. The power of “BAILE INoLVIDABLE“ #Tokyo #badbunny #badbunnypr #badbunnytour #spotify ♬ original sound – Rolling Stone

Em alguns momentos, Benito parecia provocar o público, abrindo um sorriso ao perguntar “quieres más?” e elogiando a energia da plateia. Os primeiros acordes de “Tití Me Preguntó” ecoaram pelos alto-falantes — e pararam abruptamente — levando o público ao delírio enquanto Bad Bunny observava da plataforma central do palco. Finalmente, a música começou de fato enquanto luzes roxas envolviam as cerejeiras no palco e luzes laranja e azuis dançavam sobre a multidão em êxtase.

Bad Bunny dançou, correu e se movimentou pelo pequeno catwalk do palco, vestindo uma camisa branca de punhos largos — lembrando uma blusa de poeta — além de colete e calça. Mais tarde, trocou o colete por uma jaqueta com “Tóquio” escrito em caracteres japoneses nas costas (“東京”).

A conexão de Bad Bunny com a salsa, especialmente em relação a Debí Tirar Más Fotos, já é bem conhecida. Há mais de um ano, ele contou à Rolling Stone, em entrevista à jornalista Julyssa Lopez, sobre a criação de “Baile Inolvidable“: “É um sonho realizado, porque tenho essa música na cabeça há muito tempo. O sintetizador que você ouve no começo eu ouvi pela primeira vez quando estava fazendo Un Verano Sin Ti, e pensei: ‘Isso é uma música de salsa’”.

Em Tóquio, no Tipstar Dome Chiba, Bad Bunny foi além. Pela primeira vez, ele apresentou seu hit de 2018 “MIA“, originalmente uma colaboração com Drake, com um toque de salsa.

Há menos de um mês, Bad Bunny apresentava seus sucessos em outro palco, diante de um público muito maior: do outro lado do Oceano Pacífico, no Super Bowl LX. De volta a Tóquio, ele repetiu mensagens semelhantes às que havia levado a Santa Clara, Califórnia: união, coletividade e amor.

No pierdan su tiempo en lo negativo. No pierdan su tiempo haciéndole caso a comentarios de personas que no te conocen, sé tú mismo, sin importar lo que digan los demás”, disse Benito ao público, incentivando todos a serem eles mesmos e ignorarem críticas de quem não os conhece.

@rollingstone @Bad Bunny performs “NUEVAYoL” in #Tokyo as part of @Spotify’s Billions Club #badbunny #badbunnypr #badbunnytour #spotify ♬ original sound – Rolling Stone

Para encerrar a noite, Bad Bunny apresentou uma bela versão de “DtMF“, concluindo uma celebração do alcance global extraordinário do artista — de uma ilha no Caribe a outra no Pacífico Norte. A magnitude do momento parecia tocar o cantor, que fez várias pausas para absorver a energia da plateia, da noite e das conquistas que permitiram que 29 de suas músicas ultrapassassem um bilhão de streams na plataforma.

Este show se trata de la unión de Puerto Rico con Tokio y todos los Latinos que estamos aquí”, disse Bad Bunny, pedindo ao público que dançasse sem medo: “Baila sin miedo, Tokio”.

Na saída, dezenas de fãs observaram as placas comemorativas de bilhões de streams de Benito no Spotify expostas no Tipstar Dome Chiba — tirando fotos com amigos e familiares em quantidade suficiente para deixar orgulhoso o criador do álbum Debí Tirar Más Fotos.

Rolling Stone Brasil x Bad Bunny

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“A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”, nos ensina Benito.

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