'FIZ UM MAU NEGÓCIO'

Restart só recebe 10% do dinheiro de suas músicas, diz Pe Lu

Músico utilizou as redes sociais para postar vídeo alertando novos artistas sobre possíveis armadilhas contratuais da indústria fonográfica

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

A banda Restart (Foto: Rodrigo Takeshi)
A banda Restart (Foto: Rodrigo Takeshi)

Pe Lu, guitarrista e vocalista do Restart, publicou um vídeo nas redes sociais e revelou detalhes sobre o contrato da banda. Segundo ele, o acordo feito à época foi “mau negócio” para o grupo no aspecto financeiro.

De acordo com o músico, os quatro integrantes do Restart ficam apenas com 10% dos lucros gerados por suas músicas na internet. Na prática, isso significa que Pe Lu recebe somente 2,5% dos royalties totais. Os outros 90% ficam retidos com os empresários que gerenciavam a carreira da banda no auge do sucesso, afirma ele.

O que explica isso e foi revelado por Pe Lu é uma cláusula específica: a de “meios futuros”. Como o Restart surgiu na transição entre a mídia física e o digital, o contrato previa que, caso surgissem novas formas de consumo de música (como o streaming, que hoje domina o mercado), a remuneração para os artistas seria fixada em apenas 10%, independentemente do volume de lucro.

No vídeo, ele comenta (via TMDQA!):

“Eu tenho 2,5% dos ganhos musicais, dos royalties da Restart. Mas o que isso quer dizer? Basicamente que eu fiz um mau negócio. É que nesse contrato tinha uma cláusula que se chamava ‘cláusula de meios futuros’. A Restart é uma banda que nasceu na época do CD, de mídias físicas. Essa cláusula garantia que, caso fosse inventada uma nova forma de você ouvir música, a remuneração seria feita dessa forma: dez por cento para a banda, noventa por cento para os empresários.”

Mais do que uma reclamação sobre o passado, Pe Lu diz que gravou o vídeo como um alerta para a nova geração de músicos que está começando agora. Segundo ele, é fundamental que o artista entenda os termos de uma negociação e não tenha medo de discutir contratos:

“Pensar nisso me fez ter algumas reflexões, e a primeira delas é a importância da gente como artista saber entrar numa mesa de negociação. Saber direitinho do que a gente tá abrindo mão, de quanto a gente está abrindo e em troca do quê. Ainda que você tenha representantes, que a gente tenha alguém que vá lá e negocie pra nós, é muito importante ter a consciência do que está sendo negociado”.

Ele acrescenta:

“Eu não conseguia compreender que, na medida em que esse sonho se realizasse, isso que eu estava negociando ali valeria dinheiro, muito dinheiro […]. Percentual é o seu ganho de longo prazo. Quanto mais percentual você tiver da sua carreira, da sua música, mais chance você tem de ganhar dinheiro e de viver realmente da sua música a longo prazo.”

Sobre o Restart

O Restart foi formado em 2008 e gravou três discos antes de anunciar o fim das atividades em 2015. A banda retornou em 2023 para uma turnê de reunião — e ao mesmo tempo despedida — com a formação original, que, além de Pe Lu, contava com Pe Lanza (baixo e vocal), Koba (guitarra) e Thomas (bateria).

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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