NOVOS TEMPOS

Por que nunca mais teremos um movimento como grunge ou nu metal, segundo Rick Beato

Renomado produtor e youtuber reflete sobre a conjuntura atual da música e como o consumo mudou nas últimas décadas

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Rick Beato
Rick Beato - Foto: reprodução / YouTube

Alguns fenômenos musicais, como o grunge nos anos 1990 ou o nu metal na virada do milênio, parecem ser uma espécie de relíquia do passado. Ao menos no sentido de terem influenciado toda uma geração e agora não encontrarem paralelo na atualidade.

Para Rick Beato, renomado produtor musical e youtuber, a ausência de novos movimentos dessa magnitude não é uma questão necessariamente de falta de talento. Seria, na verdade, de uma mudança drástica na infraestrutura e no consumo da música.

Em uma análise recente no canal Professor of Rock e repercutida pelo site Ultimate Guitar, Beato explica por que o cenário atual torna praticamente impossível o surgimento de uma nova “revolução” musical.

Ele afirma:

“Hoje em dia, não há nada que se assemelhe àquilo. Em termos da capacidade de qualquer artista, é quase impossível ter uma onda de apoio popular em torno de um estilo musical específico; seja grunge, nu metal, synth pop ou shoegaze. Qualquer tipo de música.”

Beato complementa:

“É muito difícil fazer com que grandes grupos de pessoas abracem o thrash metal ou algo do tipo. Sabe, simplesmente não há nada. Não há um novo gênero para o qual as pessoas estejam migrando, e isso é algo realmente difícil para mim de se ver aqui.”

A fragmentação do público, segundo Rick Beato

De acordo com Beato, a principal razão é a fragmentação do público. Canais como a MTV e as grandes estações de rádio FM funcionavam como curadores globais. Se uma banda como o Nirvana ou o Korn aparecia na programação, milhões de pessoas ao redor do mundo assistiam e ouviam a mesma coisa simultaneamente.

Com o advento do streaming e dos algoritmos de redes sociais, cada ouvinte vive em sua própria “bolha”. Embora isso permita que artistas independentes encontrem seu público, impede que um estilo musical específico domine a conversa cultural de forma unificada.

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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