'VIROU UM PESADELO'

A forte reflexão atual de Rodolfo Abrantes sobre saída do Raimundos

Músico dá uma nova perspectiva a respeito de sua conversão na série documental do Globoplay que estreia nesta semana

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Rodolfo Abrantes, vocalista do Raimundos, em 1994
Rodolfo Abrantes, vocalista do Raimundos, em 1994 - Foto: reprodução / YouTube

A saída de Rodolfo Abrantes do Raimundos, em 2001, permanece como um dos momentos mais polêmicos e discutidos da história do rock brasileiro. Mais de duas décadas depois, porém, o músico traz novas perspectivas a esse episódio na série documental Andar na Pedra – A História do Raimundos, disponível no Globoplay a partir de quinta-feira, 19.

Em um depoimento ao diretor Daniel Ferro, Rodolfo abordou o assunto descrevendo o período final na banda não como o auge do sucesso, mas como uma verdadeira “tortura”. A coluna “Famosos”, do Uol, traz alguns trechos do que foi dito pelo músico na série que estreia esta semana.

Para o público que via o Raimundos arrastar multidões e dominar as paradas de sucesso, a vida de Rodolfo parecia ser o ápice de uma estrela do rock. No entanto, o artista confessa que a realidade interna era diferente:

“Eu sonhei com algo, vivi esse sonho, mas quando cheguei não era nada disso. Virou um pesadelo, eu sentia que estava pagando a minha ‘conta’ devido a todas as escolhas que fiz.”

Rodolfo reflete:

“Espero que o público tenha uma visão mais humana do que a gente viveu e lembre que o Raimundos foi feito por quatro caras que não sabiam como fazer, mas que aconteceu como um ‘belíssimo acidente’. Acredito hoje que um CPF vale mais do que um CNPJ.”

A saída de Rodolfo Abrantes do Raimundos

Segundo o diretor Daniel Ferro, em entrevista à Folha de S. Paulo, o projeto do documentário nasceu justamente a pergunta que perdurou por décadas: por que Rodolfo deixou a banda no auge do sucesso?

Ferro cita que o assunto era tratado como tabu entre os integrantes. Cinco anos de negociações e conversas individuais foram necessários para que todos aceitassem falar abertamente sobre o rompimento da amizade.

A série documental

Composta por cinco episódios, a produção promete passar a limpo a trajetória do grupo brasiliense que marcou época no rock brasileiro na década de 1990.

O título da série faz referência a uma canção da própria banda: “Andar na Pedra”. Para o diretor, a letra funciona como uma metáfora para o “caminho tortuoso, errático e sofrido” percorrido pelos músicos durante a caminhada do Raimundos.

“O documentário não apenas explora a história, mas usa a trilha sonora da banda para dialogar com ela, revelando as origens e as nuances dos integrantes.”

Ele completa:

“Escolhi o título da série a partir de uma música chamada ‘Andar na Pedra’. Enquanto a letra fala sobre caminhar na pedra rumo ao mar, eu vejo uma metáfora sobre o caminho tortuoso, errático e sofrido que cada um escolhe. Suas consequências e provações.”

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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