Sepultura mostra que está em ótima forma e faz show de metal que Lollapalooza precisava
Atração que encerrou as atividades do Palco Mike’s Ice, banda agitou festival que historicamente não escala bandas de metal no line-up
Felipe Grutter (@felipegrutter)
Publicado em 31/03/2025, às 00h25
Em show no Lollapalooza Brasil 2025 pela turnê de despedida, chamada Celebrating Life Through Death, Sepultura mostrou que está em ótima forma - e o motivo de ser um dos grupos de thrash metal mais consolidados de todos os tempos.
Enquanto alguns fãs esperavam a banda, formada por Andreas Kisser (guitarra), Derrick Green (voz), Paulo Xisto (baixo) e Greyson Nekrutman (bateria), rolava o show do Tool no Palco Samsung Galaxy. De repente, o Palco Mike’s Ice estava cheio de pessoas para assistir ao Sepultura.
Então, a trilha de “Polícia”, clássico dos Titãs, começou a preparar o terreno para a entrada do quarteto, que abriu o show com “Refuse/Resist”, do álbum Chaos A. D. (1993). Logo nos primeiros acordes, os fãs entusiasmados já abriram o famoso mosh pit — e o repórter que vos fala (ou melhor, escreve) quase foi levado junto, mas passa bem.
O setlist destacou, majoritariamente, canções dos três discos mais famosos da banda, Arise (1991), Chaos A.D. (1993) e Roots (1996), gravados com os fundadores, Iggor e Max Cavalera, mas sobrou um espaço para o grupo tocar, por exemplo, “Means to an End” e “Agony of Defeat”, ambas do Quadra (2020).
Outro destaque aconteceu logo na terceira música: “Desperate Cry”, música do Arise (1991), não aparecia em um show do quarteto desde 2019, quando tinha outra formação, com Eloy Casagrande na batera. Além disso, em “Kaiowas”, Sepultura convidou fãs, integrantes da produção e amigos para subir ao palco e participar da percussão. Entre eles, simplesmente Junior Lima, conhecido pelo grupo musical Sandy & Junior, e Perry Farrell, criador do Lollapalooza e integrante do Jane’s Addiction.
Tecnicamente, não tem muito o que discutir de cada integrante do Sepultura. Natural de Cleveland, Estados Unidos, Derrick Green é uma força da natureza, com um vocal potente e muita presença de palco, que gesticulava e fazia movimentos com a mão acompanhando a percussão de Greyson Nekrutman. Inclusive, o cantor até mandava algumas falas em português, e mostrou que manda muito bem sem a técnica gutural no começo de “Agony of Defeat”.
Já Andreas Kisser, ao longo do show, movia-se pelo palco e interagia com o público em alguns momentos, contando um pouco da história da banda e celebrando a participação em um festival do tamanho do Lollapalooza.
Já o jovem Greyson Nekrutman, de apenas 22 anos, parece não ter sentido a pressão de assumir um posto que foi de Iggor Cavalera e Eloy Casagrande. Com o semblante mais fechado em relação aos colegas, o baterista demonstrou muita maturidade e fez um ótimo trabalho.
Por último, mas não menos importante, o baixista Paulo Xisto conduziu muito bem a apresentação nas linhas de baixo, sendo a base sólida que uma banda deste porte precisa.
Pontualmente às 22h30, Sepultura encerrou o show no Lollapalooza, o último no Palco Mike’s Ice, da edição de 2025, e mostrou que está em forma — e é até triste pensar que esta é a turnê de despedida, que tem datas marcadas até agosto deste ano.
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