A tragédia pessoal que fez Steve Perry (Journey) voltar a cantar após décadas afastado
Vocalista relembra como uma promessa em meio a um romance avassalador o levou a retomar a carreira depois do luto
Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)
Durante mais de 20 anos, a voz que definiu hinos geracionais como “Don’t Stop Believin'” e “Separate Ways (Worlds Apart)” permaneceu em absoluto silêncio. Steve Perry, o ex-vocalista do Journey, havia se tornado um eremita do rock, desiludido com a indústria e convencido de que sua jornada musical tinha chegado ao fim. Porém, o que nem a fama ou o dinheiro conseguiram fazer, uma promessa de amor em meio ao luto foi capaz de resolver.
O retorno de Perry, concretizado com o álbum solo Traces (2018), não foi motivado por nostalgia, mas por uma promessa feita a Kellie Nash, a psicóloga com quem o cantor viveu um romance avassalador e breve. A relação foi interrompida por um câncer de mama cerca de apenas um ano e meio depois.
Perry e Kellie Nash se conheceram por meio de uma amiga em comum, Patty Jenkins, a qual alertou o vocalista que Kellie não tinha mais muito tempo de vida. O cantor se recorda, em entrevista à Classic Rock:
“Tudo começou quando eu estava assistindo à Patty editando um programa de TV sobre câncer. Patty me disse: ‘Eu coloco pessoas reais com câncer no set com meus atores.’ E enquanto a câmera percorria todas aquelas pessoas, eu perguntei: ‘Quem é aquela?’ Ela respondeu: ‘É a Kellie Nash, uma amiga minha. Ela é psicóloga com doutorado.’ Eu disse: ‘Talvez eu precise de um nova psicóloga!’ A Patty me perguntou por que eu queria saber sobre a Kellie. Eu disse: ‘Tem algo nela que me chama a atenção.’ Perguntei à Patty se ela poderia mandar um e-mail para a Kellie e dizer que o amigo dela, Steve, adoraria convidá-la para um café. Ela disse: ‘Tudo bem. Mas antes de enviar o e-mail, preciso te contar uma coisa. Ela tem câncer de mama. Está nos ossos e nos pulmões, e ela está lutando pela vida…’”
Mesmo sabendo que o câncer dela havia retornado de forma agressiva, eles decidiram viver o tempo restava. Para Perry, Kellie foi a primeira pessoa em décadas que o fez se sentir seguro fora dos holofotes. No entanto, ela tinha uma condição:
“Ela tinha câncer em estágio quatro quando a conheci, e tínhamos feito algumas promessas um ao outro, uma das quais era que eu não voltaria a me isolar se algo acontecesse com ela.”
Ele acrescenta:
“Uma noite, quando estávamos adormecendo, ela disse: ‘Se algo me acontecer, prometa que você não vai voltar para o isolamento e fazer tudo isso ser em vão.’ Eu não sabia como lidar com uma afirmação dessas. Ela estava refletindo sobre a trajetória da vida dela, sobre nós dois juntos, nos amando. A possibilidade de não ficarmos juntos… eu simplesmente não queria falar sobre isso…”
A morte de Kellie Nash e a volta de Steve Perry
Kellie Nash faleceu em dezembro de 2012. O impacto fez Perry mergulhar em um luto profundo que o impediu de se envolver com música em um primeiro momento. Mas a promessa ecoava. Eventualmente, a dor começou a se transformar em novas composições.
O resultado foi o álbum Traces, um trabalho carregado de emoção. Steve Perry conclui:
“Algumas das músicas são sobre Kellie. Algumas são tristes, mas também há canções alegres – canções que empolgam, que são vibrantes, que trazem esperança. E essa emoção, de reencontrar minha paixão pela música, certamente tem a ver com ela.”
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