RECORDANDO WILIE

Willie Colón: 10 músicas essenciais do grande mestre da salsa, segundo Rolling Stone

O titã da música, que lançou mais de 40 álbuns, faleceu no sábado. Essas gravações mostram como ele moldou o gênero

ROLLING STONE EUA

Willie Colón no famoso clube novayorquino Copacabana (Foto: Bill Tompkins/Getty Images)
Willie Colón no famoso clube novayorquino Copacabana (Foto: Bill Tompkins/Getty Images)

A salsa teve inúmeros vocalistas de renome e instrumentistas virtuosos. Mas entre os artistas que definiram a rica e complexa especificidade do seu som estava Willie Colón, que faleceu dia 21 de fevereiro. Ele tinha 75 anos.

Assim como Eddie Palmieri, que faleceu em agosto do ano passado, Colón surgiu na cidade de Nova York. Ambos eram fascinados por suas raízes latinas e pela música afro-caribenha. Perceberam desde cedo que poderiam ajudar a expandir os limites da salsa, incorporando todos os estilos, da dissonância do funk ao esplendor sinfônico — ela poderia ser progressiva, rebelde e vibrante. Colón era o mais jovem dos dois e chocou a fundação tropical da cidade no final dos anos 60, quando apareceu nos clubes com um conjunto que incluía seus exuberantes riffs de trombone e um talentoso sonero porto-riquenho chamado Héctor Lavoe. Nada foi como antes.

A contribuição de Colón para a explosão da salsa nos anos 70 foi essencial. Ele gravou álbuns seminais com Lavoe e, mais tarde, com o poeta e cantor panamenho Rubén Blades. Produziu discos de Celia Cruz, Mon Rivera e Ismael Miranda, e reservou seus conceitos musicais mais refinados para uma fértil carreira solo, que conseguiu a proeza de ser simultaneamente artisticamente ambiciosa e comercialmente viável. Ele também foi astuto o suficiente para sobreviver ao declínio da salsa dura e sua transição para a estética suave da salsa romântica. Colón continuou em turnê até o fim, gravando mais de 40 álbuns e deixando um legado de clássicos.

Aqui estão 10 faixas que servem como uma introdução ao seu gênio, incluindo seus maiores sucessos solo e algumas joias com Blades e Lavoe.

1. “Che Che Colé” (1969)

O momento exato em que Colón começa a levar a salsa para um território inexplorado: ele adapta uma canção infantil de Gana, transformando-a em um mega-hit urbano. Descolada, exuberante e deliciosamente crua, a música oferece o cenário perfeito para que a voz rouca de Héctor Lavoe brilhe. Não é de admirar que a geração mais velha se sentisse ameaçada por essa dupla de jovens rebeldes musicais.

2. “La Murga” (1970)

Para Asalto Navideño, o álbum de Natal latino mais transcendente de todos os tempos, Colón e Lavoe contaram com o toque autêntico do mestre da música folclórica porto-riquenha Yomo Toro no cuatro. Uma celebração da música folclórica panamenha, “La Murga” tornou-se lendária pela propulsão irregular de seus riffs de trombone.

3. “Cua Cua Ra, Cua Cua” (1975)

Colón e Lavoe fizeram turnês e gravaram incessantemente durante a primeira metade da década de 70, e sua música tornou-se cada vez mais cosmopolita, sempre em busca de um alcance maior. Quando gravou The Good, The Bad, The Ugly com Lavoe, Rubén Blades e Yomo Toro, a mistura tropical de Colón incluía rock, funk e os sons do Brasil. Ele canta como vocalista principal nesta adorável versão de Baden Powell, sua interpretação descontraída evocando travessura e saudade.

4. “Periódico de Ayer” (1976)

Colón foi fundamental para consolidar o som progressivo da salsa no final dos anos 70, e seu trabalho de produção nos primeiros trabalhos solo de Lavoe lhe deu a oportunidade de sonhar grande. Ele teria contratado uma seção de cordas do próprio bolso para esta joia de Tite Curet Alonso, criando uma interação emocionante entre cordas e metais. Pode ter surgido nos bairros de Nova York, mas, naquele momento, a salsa soava tão imponente quanto uma sinfonia clássica.

5. “Pedro Navaja” (1979)

O surgimento do prodígio panamenho Rubén Blades na cena da salsa nova-iorquina deu a Colón a oportunidade de colaborar com um compositor de alcance poético incomparável. Manifesto ideológico, Siembra também representou o ápice estético da revolução da salsa — com “Pedro Navaja” como seu hino indiscutível. As suaves camadas de trombone de Colón emolduram as referências intelectuais a Kafka e Bertolt Brecht, além do irresistível sarcasmo existencial de Blades.

6. “Oh Qué Será?” (1981)

O rompimento devastador da parceria de Colón com Lavoe permitiu que ele desenvolvesse um novo e requintado som como artista solo: tendo reescrito as regras da salsa com resultados comerciais estrondosos, ele agora se sentia encorajado a se aventurar ainda mais nos limites. Esta grandiosa versão do sucesso de 1976 do mestre brasileiro Chico Buarque é repleta de coros femininos exuberantes e uma seção de cordas épica. É aqui que o som da salsa romântica começa.

7. “Gitana” (1984)

Colón nunca escondeu sua propensão natural ao melodrama — na verdade, ele a exibia envolta em uma luxuosa parede de som. Uma versão de uma canção espanhola da cantora/guitarrista Manzanita, “Gitana”, o coloca à beira da afetação do pop latino, com acentos teatrais na flauta e no violino. A seu favor, a clave permanece sólida como uma rocha do início ao fim.

8. “El Gran Varón” (1989)

Enquanto a maioria dos gigantes da salsa experimentou algum tipo de esgotamento criativo no final dos anos 90, Colón continuou a inovar. Seu último álbum para a gravadora FaniaTop Secrets, inclui esta reflexiva composição de Omar Alfanno que aborda a transfobia, a epidemia da AIDS e o veneno patriarcal que destruiu muitas vidas na América Latina do século XX. O elaborado pano de fundo de salsa sinfônica adiciona uma camada extra de pungência.

9. “Idilio” (1993)

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