O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

A polêmica de Chappell Roan com segurança explicada

A saga envolvendo Chappell Roan inclui um segurança, o jogador de futebol Jorginho e a filha de Jude Law. Aqui está o que aconteceu

Larisha Paul

Chappell Roan (Foto: Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via Getty Images)
Chappell Roan (Foto: Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via Getty Images)

Em 2024, em meio ao seu estouro meteórico, Chappell Roan divulgou um longo comunicado estabelecendo limites claros sobre como está disposta a lidar com sua recém-adquirida fama e celebridade. Quando está no palco, se apresentando, em drag ou falando com imprensa, ela disse, está trabalhando. “Em qualquer outra circunstância, eu não estou em modo de trabalho”, escreveu Roan. “Estou fora do expediente”.

A mensagem tinha como objetivo estabelecer limites com fãs e curiosos excessivamente invasivos, que se sentem no direito de ocupar seu espaço ou exigir sua atenção. “Eu abraço o sucesso do projeto, o amor que sinto e a gratidão que tenho”, continuou. “O que eu não aceito são pessoas estranhas, ser tocada e ser seguida”. No mesmo ano, Roan contratou segurança por causa de um stalker e, ainda assim, disse à Rolling Stone que achava essa necessidade “muito ridícula”.

Desde então, porém, críticos passaram a descrevê-la como uma estrela pop áspera, difícil e mimada. Diversos artistas, como Noah Kahan e Doja Cat, saíram em sua defesa no início deste mês, depois que a cantora entrou em conflito com paparazzi e cambistas de autógrafos em Paris. Kahan observou que essas interações ajudam a distorcer a percepção da intenção de um artista, “fazendo parecer que alguém está sendo rude com os fãs quando, na verdade, estão te manipulando”. E, embora isso possa parecer irrelevante, foi exatamente por isso que a mais recente polêmica envolvendo limites de Roan escalou para uma série confusa de vídeos e declarações contraditórias. Veja a história completa.

O que aconteceu?

Na semana passada, o jogador profissional brasileiro Jorginho acusou Roan de enviar um segurança para confrontar sua esposa, Catherine Harding, e sua enteada de 11 anos durante o café da manhã em um hotel em São Paulo. Ele afirma que a enteada, cujo pai é o ator Jude Law, passou pela mesa de Roan para confirmar que era ela, sorriu e voltou ao seu lugar. “Ela não disse nada, não pediu nada”, afirmou. Segundo o relato, “um grande segurança” então se aproximou da mesa “de maneira extremamente agressiva” para dizer à sua esposa que ela “não deveria permitir que minha filha ‘desrespeitasse’ ou ‘assediasse’ outras pessoas”. De acordo com ele, a menina ficou em lágrimas.

Chappell se pronuncia

A história rapidamente ganhou repercussão. Alguns usuários online disseram se sentir confirmados, apontando o episódio como mais uma prova de que Roan não está preparada para o estrelato pop. Outros insistiram que devia se tratar de um mal-entendido. Enquanto isso, Roan disse não saber do que estavam falando. “Vou apenas contar a minha versão do que aconteceu hoje com uma mãe e uma criança que se envolveram com um segurança que não é meu segurança pessoal”, afirmou em um vídeo no Instagram publicado no dia seguinte às acusações de Jorginho. “Eu nem vi uma mulher e uma criança, ninguém veio falar comigo, ninguém me incomodou”.

Roan também rebateu a parte da declaração do atleta direcionada diretamente a ela. “Sem seus fãs, você não seria nada”, disse ele. “E aos fãs, ela não merece o seu carinho”. Roan respondeu de forma direta: “Eu não odeio pessoas que são fãs da minha música. Eu não odeio crianças”. Ela também pediu desculpas à criança e à mãe. Embora tenha mantido que não instruiu o segurança a confrontá-las, disse sentir muito “que alguém tenha presumido algo, que você faria alguma coisa”. E completou: “Se você se sentiu desconfortável, isso me deixa muito triste. Você não merecia isso”.

A mãe se manifesta

O pedido de desculpas não encerrou a polêmica. Harding divulgou sua própria declaração algumas horas depois. “Eu não imaginava que isso ficaria tão grande”, disse. Ela reconheceu que a cantora esclareceu que não se tratava de seu segurança pessoal, mas afirmou: “100%, esse segurança não era do hotel… Não sei se era segurança pessoal dela, mas ele estava com ela. Isso é tudo o que sei. Ela mandou ele fazer isso? De novo, não sei”.

Ainda assim, Harding atribuiu certa responsabilidade a Roan. “Acho que, quando você é uma celebridade, tem a responsabilidade de garantir que as pessoas que trabalham para você e agem em seu nome estejam realmente representando você”, disse. “Ele faria isso se não tivesse autorização dela? Não sei. Se fez, então obviamente é um grande problema, porque está representando ela de uma forma que ela não quer”. Harding acrescentou que, independentemente de Roan ter ou não enviado o segurança “intimidador”, ele “ultrapassou um limite”.

O segurança dá sua versão

A última pessoa a se manifestar, quase uma semana depois, foi o segurança envolvido. “Normalmente não respondo a rumores online, mas as acusações que estão circulando são falsas e configuram difamação”, disse Pascal Duvier em comunicado. “Assumo total responsabilidade pelas interações do dia 21 de março. Eu estava no hotel em nome de outra pessoa e não fazia parte da equipe de segurança pessoal de Chappell Roan. Minhas ações não foram em nome de Chappell Roan, de sua equipe de segurança, de sua gestão ou de qualquer outra pessoa”.

Duvier contestou a versão de Harding: “Minha única interação com a mãe foi calma e com boas intenções, e o resultado do encontro é lamentável”. Ele afirmou que agiu “com base em informações obtidas do hotel, em eventos que presenciei nos dias anteriores e no risco elevado de segurança do local”, fatores que não tinham relação com Roan.

Duvier já trabalhou como segurança de Kim Kardashian. Em 2018, ele e sua empresa Protect Security foram citados em um processo de US$ 6,1 milhões movido pela seguradora da celebridade. A American International Group alegou que Duvier e sua empresa atuaram de forma negligente na proteção de Kardashian quando ela foi roubada à mão armada no hotel No Address durante a Paris Fashion Week de 2016. Todas as partes chegaram a um acordo em 2020.

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