CAUTELA

O problema de Brian May com as cinebiografias dos Beatles

Guitarrista do Queen expressou preocupação sobre ambiciosa abordagem da história da banda que está sendo preparada para os cinemas

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Brian May (Foto: Miikka Skaffari/Getty Images)
Brian May (Foto: Miikka Skaffari/Getty Images)

Enquanto o mundo do cinema aguarda com expectativa o ambicioso projeto do diretor Sam Mendes, que levará a história dos Beatles às telonas em quatro filmes simultâneos, uma voz de peso no rock britânico manifestou cautela. Brian May, o icônico guitarrista do Queen, revelou recentemente suas reservas quanto à estrutura escolhida para as novas cinebiografias.

Para May, que acompanhou de perto o desenvolvimento de Bohemian Rhapsody (2018), o problema não reside na profundidade do projeto — já que ele descreve os álbuns dos Beatles como sua “Bíblia” —, mas sim na divisão da narrativa em quatro perspectivas individuais.

Em declaração recente ao Daily Mail (via Far Out), May afirmou que teme que, ao dedicar um filme exclusivo para cada integrante, a produção possa acabar alimentando comparações sobre quem foi “mais importante” ou quem teve a melhor história. O ideal, na verdade, seria celebrar a unidade que definiu o grupo.

Ele ponderou:

“Sinto que há esse tipo de coisa horrível que poderá se tornar uma competição entre eles. Isso pode ser bem prejudicial.”

May reiterou que o Queen, por sua vez, está satisfeito com o filme feito sobre Freddie Mercury e que não sente necessidade de expandir essa narrativa por agora. Para o guitarrista, o foco deve ser sempre a preservação do legado de forma harmoniosa.

“Estou feliz com o filme que fizemos sobre Freddie; por enquanto, não preciso de mais nada.”

As cinebiografias dos Beatles

Intitulado originalmente The Beatles – A Four-Film Cinematic Event, o projeto liderado por Sam Mendes promete ser um marco histórico. Pela primeira vez, a Apple Corps e os membros sobreviventes — Paul McCartney e Ringo Starr —, junto às famílias de John Lennon e George Harrison, concederam os direitos totais da história de vida e da música para um filme roteirizado.

A proposta de Mendes é inovadora: quatro filmes interconectados, cada um contado a partir do ponto de vista de um dos membros da banda, culminando no término do grupo em 1970. A Sony Pictures planeja um lançamento coordenado para abril de 2028, o que o diretor descreveu como a primeira “experiência cinematográfica maratonável”.

Após meses de especulação, o elenco principal já está escalado e conta com alguns dos nomes mais promissores da nova geração de Hollywood. Confira quem dará vida aos garotos de Liverpool e às figuras-chave ao seu redor:

O elenco de apoio também ganhou reforços de peso. Saoirse Ronan interpretará Linda McCartney, enquanto Anna Sawai assumirá o papel de Yoko Ono. James Norton viverá o empresário Brian Epstein, e Harry Lloyd fará o produtor George Martin.

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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