Bruce Springsteen lança ‘A Rainy Night in Soho’, faixa do álbum tributo a Shane McGowan
“A voz de Shane era tão profundamente real, profana e honesta, sua escrita tão brilhante, vibrante e historicamente rica, que sua gênese parecia um mistério para todos, incluindo, acredito, seu criador”, diz Springsteen
ANDY GREENE
Mais de dois anos após a morte de Shane MacGowan, vocalista dos The Pogues, um incrível grupo de artistas — incluindo Bruce Springsteen, Tom Waits, Hozier e Jessie Buckley, David Gray, Dropkick Murphys, Primal Scream, Steve Earle, The Libertines, Jesus and Mary Chain e os membros remanescentes do The Pogues — se uniram no álbum tributo 20th Century Paddy – The Songs of Shane MacGowan para homenagear sua música e seu legado.
O álbum só será lançado em 13 de novembro, mas você já pode conferir o videoclipe com letra da nova gravação de estúdio de Springsteen para o clássico de 1986 dos Pogues, “A Rainy Night in Soho“. Ele tocou a música ao vivo três vezes com a E Street Band em 2024, quando a turnê europeia deles passou pela Irlanda.
“De vez em quando, muito de vez em quando mesmo, surge um artista cuja voz parece falar à própria história”, disse Springsteen em um comunicado. “Woody Guthrie, Jimmy Rogers, Little Richard, Chuck Berry, Miles Davis, Elvis, Jerry Lee Lewis, John Coltrane, Patti Smith, James Brown, Bob Dylan, Aretha Franklin, John Lydon, Hank Williams, Sinatra. Gênios, todos atemporais e a personificação de seu tempo. Muitos, como era de se esperar, levaram vidas difíceis, não se deixando aprisionar facilmente pelas amarras da convenção. Eram rebeldes natos, incapazes de sufocar ou ceder aos impulsos que os levaram à glória e às dificuldades pessoais.”
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“A grande arte é, por natureza, anárquica”, continuou Springsteen. “Não escolhemos nossas obsessões. Não podemos ditar nossas bênçãos ou nossas transgressões. É uma pequena brincadeira que os deuses fazem conosco. A voz de Shane era tão profundamente real, profana e honesta, sua escrita tão brilhante, viva e historicamente rica, que sua gênese parecia um mistério para todos, incluindo, acredito, seu criador. A alegria perigosa, a júbilo e a coragem, o humor diante do destino, a jornada selvagem de uma vida impulsionada rumo aos céus artísticos e o bálsamo diário da autoaniquilação. Shane era a própria humanidade nua e sem limites. Ameaçando nos forçar a questionar se estávamos vivendo de forma profunda e autêntica. Ele era cru, hilário, sem pedir desculpas e profundo. Sua alma estava repleta das propriedades transgressoras e extáticas dos santos. Não sei quem estará ouvindo minha música daqui a 100 anos, mas sei que estarão ouvindo a de Shane. Embora eu não conhecesse Shane muito bem, passei uma tarde adorável em sua casa. Ele esteve presente pouco antes de falecer. Não estava bem, mas ele e sua esposa, Victoria, foram anfitriões calorosos e gentis. Ao partir, agradeci-lhe por seu belo trabalho, sua música, suas canções, sua vida. Permanecei em seu calor, beijei-o e disse-lhe que o amava.”