'É SEMPRE UM GRANDE DESAFIO'

Duo Tropkillaz explica processo de releitura do repertório de Erasmo Carlos

Os DJ’s participaram do novo álbum “Mano”, que constói novas versões do repertório do ícone com a participação de grandes nomes do rap

Giovana Laurelli (@gii_laurelli)

Duo Tropkillaz durante gravação para o álbum "Mano", que homenageia a obra de Erasmo Carlos (Foto: Mateus Aguiar)
Duo Tropkillaz durante gravação para o álbum "Mano", que homenageia a obra de Erasmo Carlos (Foto: Mateus Aguiar)

A Universal Music prepara o lançamento de um novo projeto em homenagem a Erasmo Carlos. No álbum Mano, faixas compostas e gravadas pelo cantor ganham novas versões, agora repletas com algumas da vozes mais influentes do rap nacional. O disco chega às plataformas digitais no dia 5 de junho, data na qual o ícone da Jovem Guarda completaria 85 anos.

 Um dos destaques do disco é a regravação de “É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo“, faixa de 1971 que ganhou popularidade ao integrar a trilha sonora de Ainda Estou Aqui (2024). Utilizada durante os créditos do filme vencedor de estatuetas do Oscar e Globo de Ouro, a canção ganhou ainda mais projeção do que na época de seu lançamento original.

Emicida foi o nome escolhido para integrar a nova versão da faixa. Além dos novos versos e interpretação do rapper, o duo Tropkillaz também participou da releitura. Os brasileiros André Laudz e Zé Gonzales (Zegon), que criaram o grupo de música eletrônica em 2012, explicaram o processo de gravação e o sentimento da participação na releitura para a Rolling Stone Brasil.


Laudz, feliz com o resultado do projeto, explica que o processo de Manos teve início há mais de 15 anos: “Fazer esse trabalho do Erasmo Carlos com o Emicida foi muito especial porque é um trabalho que a gente já começou há muitos anos, em 2010, antes mesmo de existir o Tropkillaz. Eu e o Emicida começamos essa música lá atrás e poder reviver esse projeto depois de tanto tempo, com o Tropkillaz, dando essa identidade que a gente tem e trazendo também os elementos daquela época, de 2010 e 2011, é muito legal”.

“Remixar e fazer alterações em um clássico é sempre um grande desafio, ainda mais em uma faixa que conta com Erasmo, Roberto Carlos, o grande mestre Lanny Gordin e o nosso amigo Liminha tocando baixo”, conta Zegon. O DJ afirma que o processo de releitura fui cuidadoso e respeitoso com a interpretação original: “A gente tentou manter alguns elementos originais, com respeito a voz do Erasmo, no pitch correto. Acho que conseguimos trazer essa música para uma roupagem contemporânea que reflete bastante a identidade do Tropkillaz e reviver esse clássico com o máximo de respeito.”

Além de Emicida Tropkillaz, noomes como CrioloTássia ReisMarcelo D2, Dexter, Xamã, Budah, Rael Tasha & Tracie participam do projeto. Manos foi idealizado por Léo Esteves, filho de Erasmo e administrador de seu acervo. O álbum foi realizado em parceria por Marcus Preto, músico que produziu os últimos discos do cantor da Jovem Guarda e é conhecido por trabalhar com lendas da MPB como Gal Costa, Angela Ro Ro e Tom Zé.

Jornalista em formação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Giovana é apaixonada por música, filmes e a intersecção entre cultura e política. Já foi bailarina e canta em bandas de soul, rock e pop desde a pré-adolescência. Atuou como editora de Cultura e Entretenimento no Jornal Contraponto, veículo laboratorial impresso da PUC-SP. Na Rolling Stone, escreve sobre música, cinema e cultura pop.
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